Saudades do Gabo


Faz tempo que não leio nada do Gabriel García Marquez. E não me perguntem o porquê disso, mas hoje me bateu uma saudade danada dele. Pode ter sido a chuva que enegreceu Floripa no meio da tarde e me lembrou da chuva de anos que mudou Macondo... não, não deve ter sido isso - chove muito em Floripa, eu viveria com o livro na cabeça. Bem, ando meio envolvida com o Saramago, lendo um livro atrás do outro do menino purtuguês, mas hoje queria mesmo era me sentar na sala dos Buendía e observar a vida de Macondo por cem, mil anos que fossem. Queria mastigar de novo cada parágrafo daquela que é para mim a melhor história que o García Marquez contou.

Hoje voltou a saudade que foi me dando quando cheguei às últimas páginas e eu parava de ler para não me separar da história, não me despedir daquele povo. E ficava com cara de perdida andando pela sala, com o livro na mão, olhando para a varanda do apartamento onde morava, imaginando que dali a pouco só teria Floripa mesmo para observar, porque Macondo seria passado. Fiquei com saudade das pessoas do livro, a doida.

E, claro, guardei meu livro junto aos demais do Gabo e me agarrei à certeza de que um dia voltaria a visitar aquela gente. Assim, como quem repete um prato bom, já saciada da fome, só apreciando o sabor. E hoje anotei assim na minha cabeça... não, anotei no coração: ler Cem Anos de Solidão de novo, tá na hora. Ler bem devagar. Tá anotado, vou fazê-lo em breve, como quem se dá um presente. Logo, logo vou me encontrar com eles de novo. Será que a Úrsula vai se lembrar de mim?

9 comentários:

Juliana disse...

Ler Cem anos é uma experiência toda especial, né? Mas, por enquanto, me bastou ler uma vez só.:)

Sabe um livro dele que adoro? Doze contos peregrinos. Tem cada conto legal lá!

Angela disse...

Nem me fala. Vinte e tres anos ja se passaram desde que o li. Sinto saudades tambem eh da Sierva Maria!

Luciana Håland disse...

Agora me dei conta de que nunca li nem um livro o Gabriel Garcia Marquez. Vou ver se trago Cem anos de solidão do Brasil para ler, aqui na Noruega somente achei em espanhol, claro, deve ter em norueguês e em inglês também, mas não tem preco ler na nossa própria língua.

Boa leitura e bom final de semana pra você.

Beijo

Borboletas nos Olhos disse...

Eu sou uma pessoa de repetições, acho. Tem uma listinha de livros e filmes que, por uma necessidade interior inexplicável, tenho que ler e ver pelo menos uma vez por ano...Entre os livros, Fogos (Yourcenar), Água Viva (Clarice), Cem anos...(GGM), ai, são um bocado. Ah, um detalhe, a Ùrsula não esquece, ela sabe que o mundo dá voltas...

larissa disse...

Ahh Rita, faço minhas as suas palavras. Não tenho o hábito de reler os livros, mas fiz essa mesma anotação, um dia eu leio novamente essa maravilha. Dá uma saudade mesmo de Macondo. E sempre lembro daquela chuva sem fim. Sem dúvida foi umas das melhores leituras que já fiz, se não foi mesmo a melhor de todas, imbatível.

Iara disse...

"Cem anos de Solidão" foi o livro mais prazeroso que eu já li. Fiquei sem ar parágrafo final e depois me bateu uma tremenda melancolia por tê-lo acabado. Lembro que na mesma época, não me lembro se pouco antes ou pouco depois, li "O processo" do Kafka. E a sensação foi de que o a escrita do "Gabo" era colorida, e a do Kafka, cinza. Um era livro de prazer, de férias, de fruição, e o outro literatura de angústia. Eu gosto do Kafka, mas as sensações que ele provoca são outras, sem dúvida.

Rita disse...

Oi, pessoas.

Ju, viu que Contos Peregrinos tá ali na foto, no cantinho? Meu favorito é A Luz é Como a Água. Bj!

Fala, Anginha. Tudo de bom, ne... e a Servia também.. por onde anda meu aluno que nunca me devolveu o livro... :-P

Luciana! Leia mesmo, você não vai se arrepender. Recomendo tudo dele - nunca li nada para não gostar. Mas Do Amor e Outros Demônios e Cem Anos são meus favoritos. Beijos!

Borboleta, bem lembrado! Dá voltas... (de vez em quando também dou umas espiadas em Água Viva, só pra dar uma bebericada). Bj!

Larissa, não é? Se existisse a necessidade de escolher O LIVRO, Cem Anos seria minha escolha. Beijos!

Oi, Iara. De Kafka só li A Metamorfose (o que, levando-se em conta minha exacerbada aversão a baratas, foi uma vitória pessoal - hihihi). Beijos, querida!

Boa noite, pessoas!

Rita

Caso me esqueçam disse...

vou dizer: quando terminei esse livro, as 2h da manha, chorei bem meia hora. na epoca eu era bem "depressiva" e vi naquela solidao, a minha. chorei. chorei e chorei. quando acordei, liguei pro meu namorado na epoca (a pessoa que havia me indicado o livro) e, depois do "alo", recomecei a chorar. ele ficou calado, ouvindo. ai contei que eu havia terminado o livro. (hahaha soh de lembrar eu tou com laaagrima nos olhos! manteiga derretida:). muito lindo! nao imagino como alguem pode bater a beleza de uma obra como aquela. nao imagino. melhor livro ever!

Rita disse...

Oi, Luci.

Ah, eu fiquei tooooda saudosa também, parecia que eu conhecia todo mundo da história. Um livro que me deixou aos prantos assim como você em Cem Anos foi O Caçador de Pipas. Cruzes. Mas o recordista de prantos, um que só de lembrar fico emocionada, foi Paula, da Izabel Allende. Olha, não é pra qualquer um, viu? Nossa, nunca li nada mais emocionante. Chorei um tempão, chorei dias quando lembrava da história, um horror. Eu sou uma manteiga, bem sei, mas acho difícil alguém ler Paula e não se emocionar.

Beijocas
Rita

 
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