O mosaico




Trecho do "Hino popular" da Paraíba:

Paraíba hospitaleira
Morena brasileira
Do meu coração

(Na infância, eu daria um dedo para ser a morena do hino)

***

Rancho de amor à ilha, hino de Floripa

Jamais a natureza
reuniu tanta beleza
jamais algum poeta
teve tanto pra cantar!

Pode crer...

***

(Eu nasci no interior da Paraíba, em uma pequena cidade chamada Esperança, como já falei por aqui e sei lá por onde mais. Morei lá com meus pais até os 19 anos, quando mudei para Campina Grande, por causa da faculdade; fiquei por lá até mudar para Floripa, para pós-graduação, e por aqui fui ficando.)

Quando criança, eu era, via de regra, a garota mais branca da turma da escola e isso era um verdadeiro tormento. No interior da Paraíba, onde eu morava, a maioria das minhas amigas tinham pele dourada, morena ou negra. Outras eram brancas, mas eu era a branquela. Na pior das hipóteses, minhas amigas eram o que elas chamavam de “amarela”, o que era, para mim, um sonho de consumo. Eu queria ser amarela. Porque “amarela” era, na verdade, ser morena, apenas sem estar bronzeada. Era uma forma meio sacana de enfatizar que você não tinha ido à praia ultimamente, a azarada. Tipo “ah, sua amarela, vai tomar sol!”. Era pra ser engraçado. Pois bem, mas isso não servia pra mim. Eu não era amarela. Eu era branca, de uma brancura transparente, que chamava a atenção de crianças, digamos, menos amigáveis do que eu gostaria. Eu conhecia outras poucas pessoas mais brancas que eu, mas, pelo menos na maior parte da minha vida escolar, nenhuma menina na minha escola era tão branca quanto eu. Claro, assim como acontece com a população paraibana de uma maneira geral, éramos um colorido mosaico desses que o Brasil expõe aos montes, mas nesse mosaico eu era uma pedrinha muito branca. E isso não teria nada demais, se não me transformasse em alvo de bullying.

Eu detestava os dias de educação física, por exemplo, que me obrigavam a usar saia (por cima dos shorts usados durante a prática) para ir à escola. Minhas pernas, naturalmente, eram a parte mais branca de meu corpo, já que eu vivia de calça comprida. E não me faltavam apelidos que me deixavam com vontade de desaparecer, com vontade de chorar mesmo. Alguns eram bem rudes, até ofensivos. Aliás, todos eram ofensivos, porque exaltavam uma característica indesejada, quer dizer, que o contexto tornava indesejada.

Aí eu cresci e levei comigo a vergonha da cor para a adolescência. E na praia, nos inícios de veraneio, quando as amarelas se transformavam em douradas depois de um dia de sol, eu chegava com a minha brancura, para deleite dos gozadores de plantão que diziam se encandear com minha chegada. Eu era o sol da praia. Era horrível, constrangedor e trazia de volta todo meu pudor dos tempos das aulas de educação física. Não digo necessariamente que essas pessoas sequer se incomodavam com minha cor ou com a falta dela, mas isso não mudava nada, porque esse é um dos problemas do bullying: ele cria na cabeça da vítima um problema que nem existe para muitos, mas que nem por isso incomoda pouco. Daí eu sorria (amarelo) e me empenhava em horas de bronzeamento; depois de uma semana, o verão ficava bom e eu me sentia totalmente segura, confiante e feliz. Ou seja, eu era mesmo muito tola.

Crescer ajudou, claro. Mudar para Santa Catarina resolveu o problema da praia e da vergonha da cor, porque aqui há muitas pessoas com a pele igualmente clara como a minha. Junte-se o fato de que muitas neuras foram enterradas com algum amadurecimento (porque, né, vamos combinar, eu tenho mais com o que me preocupar na vida), e o assunto virou passado. Mas aí eu me deparei com outra coisinha.

Lembro que nos primeiros anos da pós-graduação, eu ouvi com muita frequência comentários a respeito de eu ser paraibana, apesar de ser tão branquinha. E sempre achei isso engraçado, porque mesmo com todos os traumas da época da escola, eu não era exatamente uma exceção: o lance da escola não era por ser branca, mas por ser muito branca. Então os comentários que passei a ouvir por aqui me mostravam apenas que aquelas pessoas conheciam muito pouco da Paraíba, já que, ao contrário do que muita gente parece pensar, é um estado de população bem colorida. A maioria pode ser morena/negra/parda/sei lá, mas ser branco não é exatamente algo incomum por lá. Mas tudo bem, ninguém tem obrigação de saber disso, eu mesma sabia tão pouco sobre Santa Catarina antes de morar por aqui, então estava tudo certo. Mas.

Mas algumas pessoas se equivocam em seus comentários e trocam de vez os pés pelas mãos. E eis que, mais dia, menos dia, surgem “pérolas”. Então certo dia, e lá se vão muitos anos, alguém sentenciou que eu certamente era descendente de holandeses, “olha que sorte!”. Oi? Eu não conseguiria reproduzir o diálogo todo aqui, porque isso já faz um tempinho, anos, mas garanto a vocês que a intenção da pessoa era mostrar que, apesar de eu vir lá do fim do mundo, eu tinha de levantar as mãos pro céu porque, olha só, eu tinha sangue europeu e olhos azuis, e essa era minha sorte. Assim, a pessoa praticamente me consolava enquanto expunha sua teoria. E falava alto para todos na festa ouvirem que "olha, ela é paraibana, mas é sortuda, meu, com certeza descende de europeus!" Juro. E é claro que isso levantou um monte de reações em mim, mas a mais evidente foi a vergonha alheia imediata. Porque aquela pessoa, coitada, achava que estava me fazendo um elogio, enquanto demonstrava seu preconceito contra meu povo, minha terra natal e pessoas de pele não branca. Ter pele clara é a característica que menos me define. É só o acaso (ou sei lá se é acaso, mas isso já é outro papo) das tantas trocas de genes que resultaram em mim.

Já passei por diversos episódios semelhantes a esses (certamente nenhum tão patético, ufa), mas bem sei que na maioria das vezes não há mesmo nenhuma malícia. Mas ontem me peguei pensando nisso e em como os estereótipos mais atrapalham do que ajudam. Porque quem me vê não me vê. E eu também não vejo as pessoas - mas trabalhar essa consciência tem sido um necessário e prazeroso exercício de cidadania para mim. Quem me acha menos paraibana por causa do meu fenótipo adota uma postura muito reducionista. E eu nem sei o que é ser paraibana, para ser bem sincera. Mas também não sou catarinense. Muito menos descendente dessa ou daquela linha. Eu sou brasileira, acho, e isso já é complicado demais. Mas não quero ser “a branca”, sabe? Porque essa é só a minha cor e durante uma parte importante de minha vida ela não foi sinônimo de elogio.

Então só para deixar muito claro, eu não tenho sorte de ser branca e abomino a ideia de que a cor de alguém, por si só, confere-lhe alguma vantagem. Já houve dor demais no mundo por causa dessas ideias, em menor ou maior grau, e o branco não ocupa lá um lugar muito honroso na história desse mosaico. Né?

Eu gosto muito de viver em Floripa, fiz amigos valiosos aqui, conheço pessoas que admiro muito. Adoro o fato de a cidade acolher tanta gente de outros lugares do país, o que lhe transforma em um agradável caldeirãozinho cheio de sotaques e que sai pintando ainda mais colorido esse cantinho do país que quase despenca no oceano. Meus filhos nasceram aqui e isso me vincula ao lugar de forma bem significativa também. Mas eu não quero que, no futuro, as pessoas os vejam como "brancos do sul", sabe? Quero que o mundo siga rumo a uma visão um pouco mais profunda que isso, aliás, que meus próprios filhos se definam muito além disso. Porque simplesmente não há vantagem intrínseca nenhuma nos fenótipos das pessoas. O que há é um mundo cego, cheio de preconceito que gera visões equivocadas quanto ao sentido da palavra sorte. Sorte, das grandes, seria viver num mundo onde a cor da pele das pessoas não fizesse a menor diferença. Aí sim, olharíamos adiante e veríamos apenas que a beleza do mosaico reside justamente no colorido de suas pedras. Mas a gente chega lá.

22 comentários:

Luciana Håland disse...

Conheco bem isso que você escreveu, pois sou do interior do RN, não sou tão branca mas não chego a ser amarela, mas ouvia essas coisas de branca isso ou aquilo também. Depois mudei para Natal e tive que escutar toda série de baboseiras sobre o interior, e como assim se eram somente alguns quilômetros que separavam o interior da capital?!!! Pois bem, mas ignorância não ver distância. Depois veio gente de outros lugares do Brasil para também soltar as pérolas por achar que nordestino é tudo burro, ignorante, miserável.
Aqui na Noruega escuto de brasileiros sobre como eu tendo vindo de Natal posso ser branca, e eu fico pensando: mas como assim?!!! Se ainda fosse ouvir isso de norueguês, mas de brasileiro... Enfim, passei a entender que as pessoas säo extremamente desinformadas, extremamente bitoladas nos pensamentos, bairristas e tal. Não ligo muito, mas as vezes chega a ser engracado.
Outra coisa estranha é essa inferioridade de alguns brasileiros, isso de super valorizar descendëncia européia é uma mostra disso, como se a gente não tivesse que ter tido seja lá qual for descendência...

Beijo

Borboletas nos Olhos disse...

Rita, vou tentar ser menos repetitiva e não elogiar tanto, rsrsr. Eu teria várias e várias considerações sobre este pertinente post, mas ficaria um comentário enorme. Então, além de te dizer que gostei muito, vou só partilhar a gargalhada interior que me acompanhou por grande parte da leitura. Eu tenho "sorte" meus bisavós são holandeses. Ah, devo ter "azar" porque meu outro bisavô era filho de escravos e nasceu livre por causa da Lei do Ventre Livre, eita, nossas aulinhas de história. Eu gosto de ser brasileira. Gosto de ser nordestina. Não sei bem o que isso significa, mas dormir de rede e céu bonito pra chover fazem todo o sentido pra mim. Mas gostar não significa considerar hierarquicamente superior...virge, ficou enorme mesmo assim. Beijos carinhosos

Lud disse...

E tem gente que acha que foi o maior azar os holandeses terem sido
expulsos do nordeste do Brasil.

Porque, afinal, o que eles fizeram lá na África do Sul foi tão bonito, né? [mode ironia on]

larissa disse...

Simplesmente adorei o post.

Marivone disse...

Oi, cheguei aqui pelo twitter e me arrepiei com seu texto. Eu sou do nordeste e sou negra (Bem... Tem gente que me reprime por me intitular assim, insistem que sou morena escura). Sou de Sergipe e, no colégio, acontecia comigo o oposto-o-mesmo: eu sempre era a única negra ou morena escura da sala. A situação não era muito diferente do que acontece/aconteceu com você...

Mas, de certa forma, eu ainda acho que as agressões que você sofria eram uma forma de "defesa" das pessoas de pele mais escura pelo fato de que há essa noção história de que os brancos sempre são os favorecidos. Por falar nisso, estava lendo um artigo sobre o sofrimento passado pelos irlandeses quando foram para os Estados Unidos. Eles eram sempre comparados e segregados como os negros... Li artigos de pessoas "brancas ou muito brancas" (como você diz) que expressavam sentimentos não muito diferentes do que senti (ou sinto).

Isso é interessante.

Grande abraço.
;)

P.S: Mas, de qualquer maneira, ainda acho que, para muitos brasileiros-nordestinos, a sensação de ser "decendente de Europeu" provoca sentimentos diversos dos seus. Tem gente que tem tanto orgulho que quase não diz que é brasileiro... Uma pena.

Iara disse...

Rita,

Vou tentar não fazer um comentário muito longo, mas seu post levanta duas questões que me interessam muitíssimo: a incapacidade de lidar com o diferente de maneira geral e o preconceito de origem/ cor. Aqui em São Paulo está rolando um negócio horroroso, um movimento super retrógrado de gente que quer que se estabeleça uma lei de migração para que os nordestinos parem de vir pra São Paulo. Tá ligada que São Paulo é a maior capital nordestina do país, né? E também que é uma terra que tem muita gente retrógrada (tem muita gente bacana também, claro! eu sou paulistana, né?). E é muito triste ver essa gente doida ignorar que esta é uma terra de passagem (falando do Brasil todo). Que se São Paulo come pizza e sushi, porque não poderia também comer tapioca? Enfim, eu fico muito chateada e, sempre que posso, dou bronca em quem tem este tipo de discurso.

Amanda disse...

Oi Rita, adorei o texto! Eh inevitavel mesmo cair nos estereotipos. Aqui na França mais de uma vez teve gente que ficou surpresa de saber que eu era brasileira, branca desse jeito, e disseram "mas eu achava que no Brasil so tinha negro!". Eu não fiquei com raiva pq elas não estavam me discriminando, so não sabiam mesmo. E mesmo as pessoas mais educadas, que sabem que tem brancos no Brasil, acham que são so morenas de cabelos e olhos pretos, bem como aparece na televisão.

No outro post vc disse que adora quando eu apareço por aqui, mas flor, eu passo por aqui todo santo dia, so que as vezes não comento. :) Agora que vc ja sabe da minha presença diaria, vou tentar comentar mais. Quem dera eu conseguir escrever com a mesma frequencia (e qualidade) que vc! Adoro!! Beijos!

Rita disse...

Oi, Luciana! Muitos desses comentários que você mencionou realmente refletem, na maioria das vezes, pouca informação e a força dos estereótipos, e nem são necessariamente ofensivos, não é? O problema é quando descambam para o preconceito - e o mais engraçado é que muitas vezes as pessoas nem se dão conta do absurdo maior da coisa: muitos brasileiros são hostilizados no exterior, mas não hesitam na hora de hostilizar outros brasileiros de outras regiões. O ser humano é uma peça rara mesmo. Beijos, querida!

Oi, Borboleta! Vixxxxe! Também adoro ser nordestina, seja lá o que isso signifique nesse mundo doido - o que seria da minha infância sem minha canjica! Pelo menos essa eu deixava toooda cor de canela!! Hummm, que saudade!! No frio do sul não tem canjica quentinha no tacho! Beijão!!

Lud, seu comentários dispensa comentários. É beeem por aí mesmo, querida. Beijão!

Rita

Rita disse...

Oiê...

Larissa, que bom, querida. Você não teve esse tipo de problema, bem sei, linda e absoluta! Beijão!

Oi, Marivone! Seja bem vinda, querida, adorei sua visita e seu comentário. Venha sempre, será um prazer vê-la por aqui. Eu não sei se rolava muito o tal sentimento de defesa de que você falou, pelo menos não nos tempos em que o bullying acontecia com mais força; éramos crianças ou pre-adolescentes e não tenho certeza de que receios racistas caminhavam por ali, honestamente - posso estar equivocada, claro. O que lembro é que aprendi muito cedo como todo o papo em torno da cor era tão descabido, já que tudo que eu queria era ser igual às minhas amigas e aquele "detalhe" parecia me marcar como diferente, quando eu sabia que era, no fundo, igualzinha a elas. Putz, aquilo enchia o saco! :-p Beijos, querida!

Rita

Rita disse...

Iara, oi! Nossa, minha cara, esse papo que você levantou aí me parece coisa de filme. Li alguma coisa na internet e me custa crer em tamanho nonsense. Então façamos assim: é preciso definir paulista/paulistano "puro", parece, ne? E esses seriam quem mesmo? Os índios que estavam ali quando o branco chegou batendo, acertei? Porque, até onde eu sei, eles chegaram primeiro. E agora, como faz? Beijão, linda, obrigada pelo comentário!

Amanda, mestra! Parabéns (gente, a Amanda acabou de defender a dissertação de mestrado dela!)! Olha, eu sonho com o dia em que o brasileiro vai se olhar no espelho e ter orgulho da sua mistura, sabe, sonho mesmo. Orgulho de verdade, com o nariz em pé, mas sem arrogância - claro. É que esse respeito próprio é um passo importante para conquistar o respeito do mundo, não acha? E eu também acho que a gente tem dado passos importantes nesse sentido. Mas o caminho ainda é bem longo, sem dúvida. Mas agora quero é dizer que fiquei muito fofa com seu comentário, porque eu sou fã do seu blog e te acho articuladíssima. Então, querida, seu comentário me deixou aqui toda com sorriso de orelha a orelha - a-do-rei saber que você vem sempre aqui. :-) Beijão!

Valeu, pessoas, ótimos comentários, obrigada!

Rita

Angela disse...

Quarta feira estava falando com a Clarisse (recem chegada da Republica do Congo) sobre o inverso do preconceito. Eh que Max so tinha tido contato proximo com uma pessoa super escura nos ultimos anos. Era a unica pessoa "marrom" na vida dele. Ai essa semana quando a Clarisse chegou aqui com a familia toda marrom, Max so faltou enlouquecer de felicidade e deslumbre: "SAO TODOS MARRONS!!! O BEBE EH MARROOOOMMM!!!! MARROM SUPER ESCUROOOO MAMA!!!" Eu ri bastante e comentei que engracado o fato de que em quatro geracoes a paleta foi do marrom escuro do meu avo ao branco transparente do meu filho.
Quem ve minha cor tambem nao me ve. Minha avo paterna era alema branquissima e meu avo siciliano preto retinto. Minha avo materna brasileira da minha cor e meu avo brasileiro era loiro, da pele vermelha e dos olhos verdes. Eu sou o resultado dessa mistura. E continuo me misturando. "The light in me sees the light in you" :D

Rita disse...

Anginha! Morri de rir com o deslumbre do Max! Bonitinho, tô roxa de saudades de vocês. E ei, você tem o mosaico todinho na veia, né? Putz, e você sabe que sei nada dos meus bisavós e mais antigos... Certamente, se um dia eu for procurar, vou me deparar com umas misturebas iguais às da sua família. :-) Beijocas!

Rita

Sinara disse...

rsrsrsrsrs Também estou dando risadas com o Max... Muito fofo... E olha que tem gente por aí que correria com o filho pra longe "das pessoas marrons", ai, ai... No comments... Mas, vou expressar um sentimento que fico guardando comigo desde que voltei pro nordeste, minha terra amada. Sou branca de pele, mas com avós e pai negros (minha família materna é branca, sei lá a origem - nunca me interessei). Desde que voltei de Florianópolis, onde morei por oito anos, com um título de doutora e provavelmente mais branca do nunca (rsrsrsrsrs), sinto um preconceito danado - muito, muito maior do que o que percebi ou senti no sul(sinceramente, as bobagens que falavam pra mim eram mais do tom "não sei bem do que estou falando" do que puro preconceito). Muitas pessoas aqui chegam pra me perguntar: "Você é de onde mesmo?" Ou: "Você não é daqui, é?" E fica bem claro o recado: Você vem de fora pra "tomar" o que é nosso... Que pena... O preconceito vai além das barreiras de cor e origem e beiram a dita'competição intelectual'... Parece que tenho que pedir desculpas por ter estudado... E ninguém pergunta sobre os sacrifícios, dificuldades enfrentadas por estar longe de casa, numa cidade caríssima, longe da sua cultura e tendo que ralar MUITO pra atingir os objetivos. Daí, quando finalmente consigo 'voltar pra casa', meus 'compatriotas' me rejeitam... Parece piada. Daí sei que é momento de tapar os ouvidos e pensar: "Já passei por tanta coisa... Isso é tão pequeno..." Daí, mostro serviço e ignoro o preconceito... Mas, na realidade, o que fazer pra mudar a mentalidade e a forma de ver O Outro, como foi o caso mostrado pela paulistana no post acima, tão leve de pensamento e prova concreta de que não dá pra generalizar a opinião sobre povos e preconceitos, sob risco de sermos tão preconceituosos quanto... Bjs! Amei o seu texto e os posts em resposta!

Rita disse...

Oi, Si! Nossa, seu comentário tem tantos canais a explorar... é bom mesmo ressaltar (acho que venhdo deixando claro nos comentários) que sei de que na maioria das vezes pouco conhecimento não resulta em preconceito. Eu nunca me senti automaticamente ofendida quando alguém que não conhece minha terra natal estranha o fato de eu ser branca. NUNCA, isso em si não quer dizer nada - eu, então, que nadava em ignorãncia e achava que culturas catarinenses e gaúchas eram "quase a mesma coisa!" que o diga! Então, claro está, no post me refiro aos episódios que envolviam aqueles que tentavam minha "redenção" pela cor da pele, :-) Quanto ao lance do seu retorno, isso é uma daquelas coisas que nos mostram como as pessoas complicam algo que deveria ser tão simples e deixam de enxergar o óbvio! O fato de você ter escolhido levar à sua terra algo grande que você colheu fora dela deveria ser motivo de honrarias e homenagens. Mas aí, cá pra nós, já saímos do campo do preconceito e descambamos na vizinha inveja. Eu, cá, fico com o orgulho de ser sua parceira de caminhada. Beijo grande, linda.

Rita

Rita disse...

Ah, Si, a paulistana "leve de pensamento' é a Iara, não deixe de ver o blog dela. É só clicar no nome que você cai lá.
Bj!
Rita

Sinara disse...

Ok. Valeu a dica, Rita. E já digo: Muito prazer, Iara!
Conheço você muito bem, minha amiga, pra saber que você sabe exatamente a diferença de preconceito e ingenuidade... Somos todos ingênuos em si tratando de "terras estrangeiras", não é mesmo? Mas, a grande diferença é que o novo, o diferente, não nos causa repulsa - MUITO PELO CONTRÁRIO! Ficamos atraídas e gostamos muito do diferente... Ah, se as pessoas se deixassem experimentar o dito diferente... Concordo mesmo é com o Caetano: o diferente é o "avesso, do avesso, do avesso, do avesso"... Que acaba sendo a mesma coisa - ou não!!!! ;-) Bjs!

Iara disse...

Ei, brigada, Rita! Prazer o meu, Sinara! =D

Angela disse...

Menina tive que voltar aqui, mas olha so a conversa que rolou hoje com o Max:
- Max, a mama vai visitar uma amiga e sua bebe novinha, quer ir?
- Yes!!! What color is her baby???
- Marrom claro. (mama do Bangladesh e pai indiano).
- Light brown like us? ("us", como se eu fosse da cor dele...)
- Nao meu amor, marrom mais claro do que a Angel e mais escuro do que a mama.
- Ok! (sorriso laaaaargo...).

Beijo.

Caso me esqueçam disse...

ih, rita... eu, como paraibana, entenddo perfeitamente as babaquices de gente que nao conhece nada sobre nossa terra.

uma amiga foi morar na bahia e as amigas da escola (15 anos) perguntavam a ela se ela andava de burro e comia casca de arvore. nao, nao tou tirando onda, nem elas estavam.

camilo ja teve uma proposta de emprego muito boa pra morar no sum do pais, mas eu nao quis de forma alguma, porque o preconceito que eu nao sofro aqui, eu sofreria no sum sendo paraibana. tambem nao quero fazer a mesma coisa que as pessoas fazem, que eh generalizar, de dizer que todo mundo do sul/sudeste tem preconceito, porque isso nao eh verdade (eu creio nisso), mas eh que ja sofri muito preconceito no brasil por ser nordestina, paraibana, pelo pessoal do sul. e h o tipo de preconceito disfarcado, sabe. meio ignorante.

na copa do mundo, fui a um bar aqui e encontrei um paulista. quando disse que eu era paraibana, ele perguntou se eu era paraiba tambem. hehehe mas comum sorrisinho como se isso fosse a coisa mais agradavel do mundo. todo mundo sabe que "paraiba" no sul ter sentido pejorativo e, sei la, talvez o cara pensasse que eu nao soubesse disso. acho triste.

Rita disse...

Oi, Luci. Vou falar com propriedade, porque moro aqui há mais de onze anos. Como em qualquer lugar do mundo, Florianópolis tem pessoas e pessoas. Ouvi muita baboseira, sim, e não necessariamente de pessoas naturais daqui, mas também conheci muita gente de cabeça boa e coração aberto. Não deixe de vir para cá por causa disso um dia, se for o caso. Tem gente tola no mundo inteiro, você bem sabe. Inclusiva na Paraíba, obviamente. É ou não é? Ah, agora vou puxar pra minha sardinha: eu gostar pra caramba se vocês viessem pra essas bandas, ora! :-D

beijocas
Rita

Dária disse...

Olá, estou lendo seu blog pela primeira vez e gostei bastante desse texto. É absurdo como o preconceito de cor e a completa falta de informação ainda vigoram no Brasil.

Uma amiga minha aqui de Natal, branquinha, loira e de olhos verdes, foi recentemente para um festival de música aí em Santa Catarina, e ficou chocada 1º como todos se espantavam com ela ser loira e do nordeste (engraçado é que não conheço muitos negros em natal, a população é bem misturada, mas as vezes acho até que de pele mais clara que do resto do nordeste, embora minha familia tenha alguns negros e meus queridos cachinhos - sim, eu gosto de cachos - denotem claramente a decendencia); e 2º pelo outro espanto, o dela cursar um bacharelado em música erudita na federal daqui (aparentemente era um curso muito intelectualizado para a região).

Depois disso, ela conhece um garoto do Espirito Santo neste festival, se apaixonaram e estão namorando hoje. Ele igualmente branquinho de cabelos claros soltou, contudo, uma pérola tempos depois: "olha, sempre que conto pras minhas amigas que namoro uma nordestina digo: mas ela é loira e não tem sotaque". Em tom de alegria! Se fosse morena e com sotaque mais carregado deixaria de valer a pena? Iria reconsiderar o namoro? Eu é quem reconsideraria ouvindo esta.

Rita disse...

Oi, Dária! Adorei sua visita e seu ótimo comentário. Espero que venha mais vezes pra gente papear de vez em quando. Obrigada!
Olha, esse caso da sua amiga é bem típico do que eu vi acontecer por aqui algumas vezes, como falei no post. É engraçado, mas triste ao mesmo tempo. Engraçado a surpresa e se parasse aí não haveria problema. Mas a coisa segue e o preconceito aparece - é duro engolir esse comentário do namorado dela, viu? Sei não... Bom, cada um, cada um, ne?

Beijão, viu?
Rita

 
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