Não sei, só sei que foi assim


Nota cética:

Já fui católica.
Já joguei I-Ching.
Já leram minha mão.
Já jogaram cartas pra mim (impressionante! Acertaram tudo! Quer dizer, quase tudo).
Já viram estrela em minha testa.
Já fui Rosa Cruz.
Já simpatizei com o Espiritismo.
Tudo isso há muito tempo.

Hoje observo e duvido. E adoro os filmes do Night Shyamalan!

Agora... as bruxas... sei não, viu. Jabulaniiiiiiiiiiiiiiiii!!! (odeio quando o Cid Moreira fala isso, odeio!)

***

Quando eu era pequena, quer dizer, quando eu era menor ainda, morava numa cidade do interior da Paraíba, chamada Esperança (desde já convido a todos para a minha casa de lá quando o mundo for acabar, porque, né, é a última que morre). Não me perguntem por quê, mas era comum faltar luz por lá nos anos 70/80, tipo umas três vezes ao mês, pelo menos. Se a queda na energia acontecia durante o dia, era só chateação: a carne na geladeira, os Superamigos na TV, o banho quente, tudo ficava comprometido. Mas se acontecia quando a noite já tinha caído, ah, que festa. Para a gurizada, quero dizer. Porque criança adora uma bagunça e sem TV não tem Jornal Nacional, então era tudibom. Claro que às vezes era chato também para os pequenos que tinham de interromper alguma brincadeira ou, tadinhos, tinham medo do escuro.

Na minha casa era comum rolar um clima “tenso” naquele breu atenuado com velinhas bem intencionadas, mas pouco potentes. Lembro que eu adorava observar a dança das chamas e de tentar adivinhar as formas que surgiriam na cera derretida, mas o barato mesmo (“barato” hoje, na segurança da idade adulta) era quando meu pai, aproveitando o cenário apropriado, resolvia contar histórias “de trancoso”, as boas e velhas lendas de assombrações e fantasmas. E aí o bicho pegava porque minha cabecinha fervia com tanta imagem assustadora e sempre rolava aquela aflição na hora de ir para a cama, sem falar que qualquer sombra de cadeira projetada na parede se parecia com um caixão. No repertório dele cabia tudo, de fantasmas decapitados a sonhos esquisitos. É, meu pai contava histórias de suspense, sem luz, na hora de dormir. Era ou não era um pai antenado? :-)

Não sei por qual razão me vi lembrando desses tempos hoje, mas uma coisa leva à outra e fiquei com vontade de contar uns “causos” também. Então apaguem a luz, acendam uma vela, enrolem-se no cobertor mais quentinho e... sentem aí. Aquele vulto? Não foi nada...

***

Muitos anos atrás, tive um sonho que me incomodou um pouco. Sonhei que meu amigo fugia de dois homens que o perseguiam. O cenário do sonho era uma espécie de bosque ou parque, qualquer coisa com árvores e com o chão coberto por pedrinhas que atrasavam a fuga. Eu gritava o tempo todo “corre, Fulano, corre, eles vão te alcançar!”. Meu amigo fazia parte de uma galera que se via sempre, estudava junto e tal. Daí que, dois dias depois, encontrei com ele e fui toda prosa fazer graça com o sonho que eu tinha tido. Encontrei-o na roda de amigos na faculdade e fiquei ali parada, esperando que ele terminasse de contar sei lá o quê para, então, falar do sonho. E fui ouvindo e meu queixo foi caindo. O que ele contava, em detalhes, era o que eu tinha visto no sonho. Na noite anterior, um dia após meu sonho, ele tinha sido assaltado num parque da cidade, sua bicicleta tinha sido levada, ele tinha sido perseguido e tal. E eu fiquei ali, vendo a semelhança e a coincidência incrível, porque eu nunca tinha sonhado com ele antes e, tudo bem, não tinha bicicleta no meu sonho, mas a dinâmica da coisa foi i-gual. Eu não precisei contar meu sonho pro pessoal, porque ele já tinha contado ali.

***

Certo primo meu morava em outra cidade e, sempre que visitava Esperança, dormia lá em casa. Numa manhã qualquer, acordei e fui logo perguntando à minha mãe “cadê Fulano, já tomou café?”. E minha mãe perguntou, intrigada, como eu sabia que ele estava ali. É que ele tinha chegado de viagem supertarde, quando eu já dormia há horas, e ela quis saber se eu tinha ouvido algum barulho no meio da noite, apesar de todo o cuidado que eles tinham tido para não acordar ninguém. E aí eu mesma fiquei intrigada porque não, eu não tinha ouvido nenhum barulho, mas não fazia ideia de como eu sabia que ele estava ali, já que ele tinha mesmo chegado sem avisar que viria. E então lembrei. Lembrei que eu tinha visto meu quarto do alto, como se voasse sobre ele, tinha saído de lá, sobrevoado o jardim e ido até a frente da casa onde vi seu carro estacionado, alegrei-me com sua chegada e voltei pro quarto, sempre voando. Então falei: é que eu vi o carro dele lá fora. E foi isso, mas minha mãe não comprou essa conversa. Claro, foi um sonho e uma coincidência. Mas durante muito tempo adorei a ideia de que eu tinha saído do meu corpo. Adorei. Mas foi só um sonho.

***

Quando o Ulisses, meu marido, tinha 4 ou 5 anos, acordou no meio da noite, com sede, e foi até a cozinha tentar resolver o problema. Tadinho, conseguiu chegar à cozinha, mas ficou ali parado, com cara de abandono, sem saber como fazer para alcançar o filtro que ficava em uma prateleira sobre a pia. Mas era seu dia de sorte e sua vovó (deve ter ouvido algum barulho na cozinha, talvez?) veio em seu socorro, pegou água no filtro e deu para o netinho que, saciado, voltou pro quarto. Acontece que o Ulisses dormia no mesmo quarto que seus pais; e sua mãe acordou quando ele voltou para a cama.

- O que foi, Ulisses?
- Nada, mãe. Fui tomar água.
- Ah, vamos lá, eu pego pra você.
- Não precisa, mãe, já tomei.
- Ué (acho que foi “uai” - minha sogra é mineira), e quem te ajudou?
- Vovó pegou pra mim.
- ... !!! ... Que vovó??

É que a vovó do Ulisses já tinha morrido há um tempinho. :-O
Ele ainda se lembra do vestido “preto brilhoso” que ela usava quando deu água pra ele.

***

Já passa da meia-noite, melhor ir dormir. Uuhhhhh... :-)

19 comentários:

Luz! disse...

Rita, é meia-noite e bem na hora de dormir fui ler seu post...

resultado: tô sozinha no quarto e olhando pros lados! :/

rsrs

(tô rindo mas é verdade! à noite eu fico medrosa!)

Luz! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Borboletas nos Olhos disse...

Mas será possível que você tem mil e uma formas de encantar? parece a Sherazade e suas mil e uma noites são de singela beleza e cotidianidade (existe essa palavra?). Adorei o místico e inquietante post...

Patricia Scarpin disse...

Ai, Rita, tô com medo dos seus causos. :)

Segunda-feira apareceu uma borboleta voando dentro do meu carro, do nada (nunca abro os vidros, não sei como ela entrou). E algo muito bom aconteceu - será coincidência? :)

Beijo, querida!

Veronica Serey disse...

Tudo de bom!!! Como também era bem comum a falta de energia em Campina na mesma época....viagem no tempo....e nas estórias. Bom demais amiga.
Verônica
Ps. não deixo de te seguir não,viu?
Beijo

Anônimo disse...

Oi Rita!

Acho que fiquei cética, do tipo ver para crer. Na verdade, simpatizo com o espiritismo, mas prefiro a projeciologia. Hoje, já duvido de muita coisa, mas continuo acreditando que há um propósito maior, quem sabe uma razão pela qual estamos aqui nesse planeta.

Abraços

Regi

Claudia Serey Guerrero disse...

Vixe que na primeira estoria me deu um arrepiooooo, adoro!!! meu pai um dia tava dormindo no quarto, acordou e pensou...vou botar essa lagartixa que ta na porta da cozinha pra fora logo, antes que Claudia (eu era peqeuna hein, mas tinha fobia de lagartixa hihih) venha chorando dizendo que tem uma lagartixa.. ele foi, e botou a lagartixa pra fora.. depois percebeu...como é que ele sabia que ela tava ai???? hihihi
beijinhos, Claudia

Nakereba disse...

Oi Rita,

Lendo sempre, mas sem tempo de comentar e quando escrevo um comentário e vou publicá-lo dá erro!!!Tô de bico, agora!! Resumindo: não sei se foi a viagem, mas lendo este e outros posts pós-viagem sinto uma energia diferente no blog. Muito bom!

Abraço

Luciane Curitiba disse...

Oi Rita, ainda bem que li o post de dia. . .hihihihi. Sobre a história do Ulisses, aconteceu algo muito parecido com uma amigona minha. Ela era criança e estava internada, ao seu lado estava um menino cuja avó cuidava dele de dia. À noite a minha amiga via uma outra mulher, mais jovem, cuidando dele enquanto ele dormia. No dia seguinte ela perguntou à avó do menino quem era aquela mulher que vinha cuidar dele à noite e a velhinha disse que não sabia quem era, pois não havia quem ficasse com ele à noite. Algum tempo depois ela (a amiga)ficou sabendo que o menino era órfão de pai e mãe, morava somente com a avó. Diz que ninguém no hospital soube explicar quem era a mulher, pois no quarto estavam somente minha amiga, a mãe dela e o menino. Uuuiiii, que arrepio!!

Luciane Curitiba disse...

Ei, lembrei de outra, essa aconteceu comigo. Estava em casa dando banho na Leticia e vi que alguém estava espiando na porta q estava entreaberta. Achei que fosse meu marido, pois estava no horário dele chegar do trabalho. Em seguida olhei de novo e não vi ninguém. Ok! Terminei o banho e o chamei para me ajudar, mas vi somente a sombra dele passando pela porta e saindo do quarto. Chamei, chamei e chamei de novo!! Fiquei intrigada com a "surdez" do marido e fui conferir onde ele estava, mas ele NÃO estava. A porta da sala estava trancada com a chave e minha filha mais velha estava na casa da minha mãe. É ou não é de arrepiar?? Bjokas!

Rita disse...

Boo! Oi, pessoas.

Luz, não me aguentei quando vi você hoje no twitter reclamando que tinha sonhado com o José Serra! Senti-me absolutamente culpada! Foi mal aí! Hahahaha!
Bj!

Oi, Borboleta. :** Bjinho procê, viu?

Patrícia, essa borboletinha CERTAMENTE trouxe muita coisa boa... depois cê me conta. ;-)

Verônicaaaaaaaaaa! Putz, agora tomei susto de verdade!! Caramba, há quantos milhões de anos você não pinta por aqui! Que delícia! Obrigada pela visita "falada". Beijos em todos vocês! Saudades..

Oi, Regi! Nesse mundo tão maluco não sei mais no que acreditar, viu? E não conheço a tal projeciologia, mas vou pesquisar! Obrigada pela visita, viu? Venha sempre!

Claudinha... o amigo da primeira história é o Vlad. Será que ele lembra disso? Vou dar um jeito de saber. :-) Putz, mas seu pai é o maior sensitivo de lagartixas de que eu já ouvi falar nesse e noutros mundos.. ui. Que coisa... :-)

Oi, Nakereba. Olha, esses comentários são mesmo loucos. Quer dizer, os formulários de comentários. Ontem, o post "A cama" estava com 5 comentários, mas no homepage aparecia 0. Hoje voltou ao normal. Recomendo sempre dar um Ctrl C básico antes de enviar o comentário, para tentar em seguida se não der certo na primeira vez... comigo funciona. Ah, e obrigada pelo elogio. Fico feliz que você esteja gostando. Sente aí, converse mais. Conte um causo. :-) Bj!

Nooossa, Luciane! Esse do hospital é dos bons, hein! E, vem cá, num tinha um ladrão na sua casa não?? Aí não dá medo, dá pânico!! Credo, toc toc toc.

Beijos, pessoas. Tomara que a lista de "causos" continue crescendo... ADOOOORO!!!

Boo!!
Fui
Rita

Luciane Curitiba disse...

Oi Rita, bom dia!! Não era ladrão não, fia. Moro em apartamento e a porta estava trancada. Mas eu juuuro que vi a tal da sombra, credo!! Segundo a minha cunhada, q é espírita, quem estava lá era o meu falecido sogro. Segundo ela diz, ele nos acompanha. Se é verdade, não sei. . .só sei que foi assim. . .rssss.

Rita disse...

Oi, Lu. Aaaaah, bom, se era seu sogro, então tá tudo certo. :-D

Bj!
Rita

Angela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Angela disse...

UAU... lembrei da tabua wigi de Claudia e Dalton... Nunca recebemos nenhum visitante mas rendeu muito medo... Da nossa visita a cartoamante, e de uma das tres coisas que nunca vao sair da minha memoria: ela dizendo que o homem da minha vida morava em um lugar com muita muita agua, nao como um lago, mas como o mar. Com praia... orla... mas nao era o mar. Ela nao sabia definir o que era. E olha eu aqui morando beira dos grandes lagos :)

Tambem acreditei em muitas coisas. Meu pai nao acreditava em nada. Eu acabei me tornando o completo oposto: acredito em TUDO. Acredito que a resposta para os grandes misterios da humanidade esta distribuido em dados espalhados por todas as religioes e ciencias. E que para conseguir chegar a respostas mais rapidamente, experts de milhares de religioes e ciencias precisam se unir e mapear o negocio todo. Tambem acredito que nossos cerebros sao hardwired para nao entender como algo pode ser criado do nada, que para entender como o universo/vida comecou (quem pos aqueles atomos iniciais ali para colidirem no big bang?) o cerebro tem que ser livre dessa limitacao (devido a um "defeito de fabricacao"), e os que possuem um cerebro desses deve entender e saber muita coisa louca. Devem estar internados. Provavelmente dopados.

Por falar em uniao de religioes e ciencias, quando era pequena li um livro chamado "E assim dizia a Biblia". Sobre explicacoes arqueologicas a respeito dos varios fenomenos descritos na Biblia. Nessas ultimas semanas no History Channel esta passando uma serie maravilhosa sobre visitas alienigenas a terra, desde antes, durante e apos tempos biblicos. Uma versao em esteroides de "Eram os deuses astronautas?", que me encantou tambem quando era pequena. Me encantava tambem as aulas de Graca, a minha professora de historia da oitava serie que questionava o construcao das piramides pelos humanos e tal.

Entao, viajei na maionese, o comentario ta pra la de longo, mas vamos aos causos. Quando meu pai faleceu, ele deixou o que acredito ter sido o bilhete mais importante da sua vida no seu escritorio. Sabiamos que existia e tinhamos procurado, eu e minha irma, a cidade inteira por quase uma semana. Certa manha foi uma barulheira sem fim no escritorio dele. Haviam varias pessoas comigo na casa, inclusive Pete, que houviram a balburdia. Nao havia ninguem no escritorio, nem janela aberta, nem vento. Procuramos entre os milhares (literalmente) de livros no escritorio e a nota estava la. Vixe painho, oh homem persistente e aguniado. Ta bom, achamos a nota, agora podes descansar em paz.

Angela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rita disse...

Oi, Anginha! Bem sei da tua história de filha de ateu que insistia em se batizar para não ser chamada de pagã na escola! :-D Uma graça.

Uau, essa do bilhete tá boa messssmo. Caramba. Bem, eu sou assim, vou indo. Às vezes mais pra cá do que pra lá, mas não tenho convicção absoluta de nada. Acredito no amor ao próximo como fator imprescindível à vida. Quanto às questões místicas... olha, nem aposto que sim nem que não. Histórias como a do bilhete, o copo d'água da vovó do Ulisses, alguns sonhos, o próprio questionamento em torno do Big Bang (talvez um dia a Ciência chegue lá), tudo me deixa em estado de alerta. Mente aberta, coração leve. Estou no mundo e isso é algo maravilhoso, mas não sei o porquê e nem o que vem depois. Por enquanto, vou curtindo a dúvida, que também é deliciosa! Adoro a ideia de que há algo por trás de tudo, um razão para cada passo... mas o mundo é tão absurdo que basta uma olhada no jornal do dia para achar que nossa nau está mesmo à deriva. Mas essa história tem muitos capítulos, vamos em frente.

Bjs!
Rita

Jussara disse...

oi, Rita,
Sei que estou super atrasada, mas queria comentar mesmo assim. Ainda bem que aqui ainda não é meia-noite :D.
Que histórias legais. Vc teve uma premonição, depois estava fora do corpo quando viu o carro do seu tio (não foi sonho) e provavelmente foi mesmo a vó do seu marido que o ajudou. Eu acredito em vida após a morte e em premonições, então, pra mim são coisas naturais. Mas pela forma como vc contou ficou bem emocionante.

PS: leio sempre, mas fico com preguiça de comentar.

Rita disse...

Oi, Jussara! Não se preocupe com o "atraso", gosto dos comentários em posts antigos - eles me fazem voltar e repetir risadas, às vezes. :-) Bom, já acreditei em tudo isso, viu? No episódio do sonho com o carro do meu primo o troço foi tão forte que durante muito tempo tive certeza de ter saído de meu corpo. Quem sabe.. e a história da vovó do Ulisses é mesmo intrigante, admito.

beijo pra você, venha sempre, sua preguiçosa de comentar! :-P

Rita

 
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