Demi plié



Quando eu era criança, entre outras coisas, queria ser bailarina. Não havia academia de dança onde eu morava, então quando digo que “queria ser bailarina” refiro-me a uma vontadezinha que eu cultivava dentro de mim, mas que, de tão inatingível, aprendi a chamar de outra coisa. Então hoje sei que queria dançar, mas, naquela época, o sentimento era algo bem mais abstrato - algo como voar, por exemplo; do tipo: seria legal ter asas, né? Assim. As chances de me tornar uma bailarina ou de criar asas eram mais ou menos as mesmas.

Querer dançar não foi uma daquelas vontades que passam quando a gente cresce, não; com a dança, o desejo da infância ganhou, na fase adulta, contornos mais claros, e o que antes era só um devaneio infantil virou frustração. E não sei direito porque nunca procurei uma academia de dança quando era mais nova, já adulta, mas desconfio que grana curta teve algum papel nessa história. Até que um dia me matriculei numa academia de dança, já aqui em Floripa. Dancei por uns dois anos, acho, e foi uma delícia. Frequentava um grupo bom, adorava minha professora, dava minhas piruetas e me entregava com vontade aos meus "momentos Debora Colker" (ai, forcei bem agora, mas vocês vão ser legais e fingir que não perceberam). Aí a academia fechou, a professora foi embora e minha carreira brilhante acabou como começou. Zuuum.

Eu continuei apaixonada pela dança, ainda é uma forma de arte que me atrai muito, para desespero do Ulisses que já se viu na plateia do Festival de Dança de Joinville ao meu lado, durante horas, tadinho. Eu gosto de tudo, do clássico à dança de rua, do moderníssimo às apresentações infantis da escola do meu filho. Não me sinto mais frustrada por não ganhar a vida bailando por aí, mas admiro a não mais poder cada vez que vejo um bom espetáculo de dança e percebo o domínio que os grandes bailarinos têm do corpo. Babo, perco a fala, acho que são anjos, um deslumbre.

Aí agora Amandinha quer dançar. Dá piruetas pela sala e quanto mais desengonçada, mais linda. Diz que é bailarina e me pergunta se vou levá-la para a academia (mencionei casualmente que a levaria e foi tudo de que ela precisou) “hoje, mamãe?”, a fofa. Eu ainda não achei uma academia com um horário viável, mas preciso resolver logo isso. E antes que me acusem de transferir meus sonhos para minha filha, já grito que ela só vai fazer as aulas se de fato gostar. Mas, ai, eu vou torcer com força, porque borboletear pela casa a deixa ainda mais adorável e já me vejo babando ali no cantinho da academia, admirando a professora que ganha a vida dançando e a minha fadinha com pés de anjo. E mesmo que ela nunca venha a dançar “de verdade”, vai ser sempre minha primeira bailarina. Do jeitinho que ela já é, bem ali, no tapete da nossa sala.

10 comentários:

Pérola disse...

Eu quis muito ser bailarina...Fiz algumas aulas e fui para as famosas aulas de jazz dos início dos anos 90 motivada a "Flashdance"...rsrs
Sempre adorei dançar!!! Acho uma forma de expressão linda...Quem sabe um dos meus aqui tb não se encantam? rs
By the way vc viu a série do Discovery Kids - Angelina Ballerina? Super fofa!
Beijinhos querida!

Borboletas nos Olhos disse...

"Fiz balé" por cinco anos na infância...mas em termos de graciosidade, sou uma negação. Desastrada até fazer medo. Mas me fez (junto com outras coisitas) livre e despreocupada com opiniões alheias. Eu danço. E gosto. E isso me faz feliz demais. Assim, só posso pensar que sorte a da Amandinha.

Angela disse...

Rita, fiz bale classico quando era nova e parei por que a professora fechou as portas depois de ter a segunda filha. Amava as aulas, as piruetas, as apresentacoes no teatro municipal, as "fantasias", as sapatilhas de ponta que so mais velha descobri nao eram apropriadas para a nossa idade, tudo! Eu e Roseane, a primeira amiga da minha vida, filha da minha professora de piano e do meu pediatra, eramos as lideres (ahah) e nos duas sempre dancavamos na frente, e a galera acompanhava os movimentos e o ritmo atras. Um dia deu um branco e esqueci da sequencia, Rose deve ter ficado tao surpresa que esqueceu tambem, inventei a danca, Rose antenadissima seguiu com milisegundos de atraso, e a turma toda doida atras tentando seguir a coreografia improvisada. Dizem os espectadores que foi uma comedia. Ai meus atropelos... Espero que consigas matricular a Amanda, eh uma das coisas que a pessoa toma gosto e continua, se puder, a vida toda! Beijao!!!

Juliana disse...

ih, vc vem falando, em sequencia das minhas " dores infantis". Passei a infancia inteira ouvindo que era desleixada e desengonçada! :/

uma das coisas de que não esqueço é ter ouvido que era " grande demais" pra ser bailarina.

Já adolescente, conheci biodança e fui muito feliz!!!

Luciane Curitiba disse...

Ahhh. . .o ballet (suspiros)!! Coloquei uma sapatilha nos pés com 3 anos de idade e aposentei a sapatilha de ponta aos 18 anos. Foram 15 anos de dedicação, superação, apresentações, ensaios, suor, risada, viagens, maquiagem, choro, olho de peixe, paetês, bolhas, gel no cabelo e fru-frus, ai que saudade!! Tomara que a Amandinha goste, viu? Agora até pude imaginar uma fotinho dela vestida de fru fru cor-de-rosa. Bjoca e vc e na mini-quase-quem-sabe-tomara-bailarina!

Rita disse...

Oi, Pérola, querida! Menina, de onde você acha que vem esse papo todo da Amanda dançar?? Angelina, com certeza! Ela adora e sai dando as piruetas e tombando no tapete. :-) Beijos!

Borboleta, hahaha, morri de rir como "fiz balé". :-D Dançar é tudo de bom, concordo. E do jeito que for. Bj!

Anginha, li teu comentário lembrando do papo do cara da escada, que vocês "acharam" por trás do palco, lembra? :-D

Juliana, eu só dancei "profissionalmente" - hahahahaha, que cara de pau - depois de "grande". Fui muito feliz também. :-P

Ah, Luciane, você fez o que eu gostaria de ter feito. :-) Vamos esperar pra ver o que vai ser da minha libélula borboletante. Beijos!

Beijos, dançarinas!
Rita

Caso me esqueçam disse...

eh, incentiva mesmo, rita! se nao der, tudo bem, oras! quando eu tinha 6 anos, eu dançava jazz. tinha uma academia nos fundos da minha escola escola. eu adorava! juro que ate hoje eu lembro dos primeiros passos da coreografia hehehehe dai que a gente tava se preparando pra se apresentar, mas minha mae, desde o inicio nao tava afim de me levar pra apresentacao final. resultado: treinei durante meses com minhas amigas e acabei nao indo. fiquei superfrustrada. minha mae nao chegou nem a comprar a roupinha do espetaculo (vinho com uma listrinha branca de lado) =~

com pai e mae batendo palma, a gente vai mais longe.

Rita disse...

Oi, Luci! Que pena de você não ter ido na apresentação!!! Poxa... :-(

Vamos ver onde isso vai levar. Eu quero muito vê-la na academia com a turminha de pititicas como ela. E tô pagando pra vê-la obedecendo a professora... :-P

Bj
Rita

Anônimo disse...

A melhor forma pra incentivar uma criança no ballet é dar uma Angelina Ballerina. Essa ratinha adora ballet e as meninas amam a Angelina Ballerina.
Esse orkut: LiNiLou belas artes.
Tem as Agelina Ballerina perfeita, é muito bonita

Rita disse...

Anônimo, a minha pequena nem precisa mais de incentivo, viu? Já gosta bem. :-P

 
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