Vem das avós


Uma... rosalice?

Meu nome é Ritalice.
Até hoje, acreditem, a frase acima me soa estranha, porque não gosto do meu nome. Boa parte de vocês deve estar dizendo: também, não é pra menos! Alguns poucos devem estar pensando: podia ser pior. E minha mãe deve estar magoadíssima. Então é bom esclarecer logo: mãe, isso não tem NADA a ver com você, tá? O fato de termos gostos diferentes para nomes não quer dizer que eu não goste de você. Eu ADORO você. Mas não gosto do meu nome, tá certo? Beleza.
Como eu ia dizendo, acho meu nome muito feio. Pra começar, não é um nome assim, digamos, normal, do tipo dos nomes que existem por aí: Ana, Maria, Luciana, Isabel. Não, Ritalice é um nome inventado pela minha mãe (e por uma tia, parece) para unir Rita (avó materna) e Alice (avó paterna). Meigo, eu sei, entendo a homenagem, mas acho a sonoridade horrível. Durante toda minha infância lidei com a tristeza de achar que meu nome soava como “vitalina” ou “vitalícia”. Mas isso nem chegava a ser um problema. Chato mesmo é ter de explicar como se escreve meu nome TODAS as vezes que alguém precisa escrevê-lo, como quando marco uma consulta por telefone, por exemplo. É, na massacrante maioria das vezes, mais ou menos assim:
- Bla bla bla bla, médico tal, hora tal.
- Certo. Qual o seu nome, por favor?
-Ritalice.
- Ritaaa.. li...ne.
- Não, não, RitaliCÊ.
- Ah, desculpe, senhora. Ritaaa..Ali..
-Não, não é Rita Alice. É tudo junto.
-Ah! ... Com dois “as”?
-Não. É Ritalice, com um “a” só. Tudo junto.
-Ah... que diferente. Tá. Ritalice do quê?
- Bla bla bla...
Na quarta linha do diálogo acima cabem as variações Ritalícia, Ritalínea e por aí vai.  E não posso culpar nenhuma dessas pessoas, poxa. Quantas Ritalices vocês conhecem, na boa? É um nome que ninguém nunca ouviu na vida, até cruzar meu caminho. E há quem ache isso o máximo, a tal exclusividade e tal, mas, na boa, estou dispensando. Porque às vezes cansa, juro. Eu não estou falando de exceções, do tipo “acontece às vezes”; não, acontece sempre, eu sempre preciso soletrar e isso é chato.
Finalmente, há os que nunca aprendem. Então para alguns colegas sou Ritalícia, para outros sou Rita Alice. Só depois que veem meu nome escrito, viro Ritalice. Mas sou rápida no gatilho e sempre ajudo: “Só Rita tá bom. Todo mundo me chama de Rita”, e ganho olhares aliviados.
A solução veio ali pelo início da adolescência, quando passei a me apresentar como Rita. Claro que sempre havia os professores e suas horrendas chamadas para acabar com a minha festa, mas a grande maioria dos amigos acabava aderindo ao prático Rita. Com exceção de uma amiga da época da oitava série, que insiste em me chamar de Ritalice, todos meus amigos preferem o atalho. 
Não sei se acontece em outras regiões do Brasil, mas no Nordeste nomes compostos são muito comuns. Neste exato momento lembro rapidamente de dez primos com nomes compostos. Fulano Beltrano, nunca apenas Fulano. E minha mãe (que, não esqueçam, eu adoro) achou pouco e resolveu inovar. A consequência direta disso é minha predileção por nomes curtos. Não gosto de nomes compostos (queridos amigos de nomes compostos, eu adoro vocês), prefiro os simples, curtos, fáceis, óbvios.
Quando engravidei do meu primeiro filho, sabia que seu nome não teria mais de seis letras, que seria, no máximo, um Felipe da vida. Assim, bem direto: Felipe. Lindo, né? No dia em que pronunciei Arthur, Felipe virou Arthur, porque simplesmente adorei falar o nome dele, adoro a sonoridade: Ar-thur. Claro, eu não contava com o “é com h?”,  e espero que ele me perdoe (mãe, eu perdoei já, adoro você).
Na segunda gravidez, radicalizei e anunciei: vai se chamar Bia. Ai, acho lindo: Bia. Falem vocês, vejam que bom falar: Bia. Mas a onda de protestos foi tsunâmica: “mas Bia é apelido!” E depois que a terceira pessoa falou: “ai, que lindo, adoro o nome Beatriz” e eu me vi repetindo “não vai ser Beatriz, vai ser Bia, só”, pensei na minha filha e suspirei: não, ninguém merece. E de novo, quando pronunciei Amanda, tive certeza, tinha achado. Amanda é forte, direto, simples, bonito. Para mim, claro. Espero que ela concorde.
O irônico é que foi Shakespeare, logo ele, senhor das palavras, quem imortalizou a insignificância dos nomes em si: uma rosa, com qualquer outro nome, ainda teria o mesmo perfume, não é o que diz a Julieta? Ou seria o Romeu? Whatever. O fato é que não sei se eu seria outra com outro nome; talvez fosse, nunca vou saber. E hoje em dia, apesar de continuar achando Ritalice algo esquisito que rima com tagarelice (olha, tudo a ver comigo!), não me incomodo muito com isso. Rita me resolve, fica tudo certo. Mas o assunto ainda rende um post.

13 comentários:

Paula Betzold disse...

Oi!! Achei muito engraçado seu post... mas olha, Ritalice é legal.. como vc falou podia ser pior...
Pelo menos vc deu um jeitinho e achou um jeito de conviver e ser feliz com seu nome!

beijos

Angela disse...

Eu detestava meu nome na infancia, sempre achei muito "grande" (de muita presenca sonora, nao longo...). Hoje em dia meu sobrenome eh que eh uma baita dor de cabeca. Ja Ritalice para mim pode nao ser pratico mas feio nao pode ser. Por que o nome Rita eh bonito, e Alice eh lindo de doer. Por sinal Alice estava na lista de nomes para minha pequena, que devido a alguns atropelos acabou meio que sendo nomeada pelo pai ... Ja sei! posso comecar a te chamar de Alice? ihihih :)

Isa disse...

Adorei o post, mas continuarei te chamando de Rita mesmo....mais prático...
Pensando bem, até que Ritalice é mais original e imagino que tua mãe só chamava pelo nome 'completo' qdo tinhas aprontado alguma...do tipo. Ritaliceeeeeeeeeee.
Bjão

Borboletas nos Olhos disse...

Um post tão divertido e que lindo jeito de dizer: "mãe, eu te amo, erros e acertos não são levados em consideração neste sentir". Gostei muito, assim como gostei muito da visita, obrigada.

Amanda disse...

Eu gosto de Amanda, mas meu pai tbm quis inovar e colocou um "Amanda Christina", com aga e tudo! Poxa, pai, Amanda so tava bom (te adoro, pai!).

Claudia Serey Guerrero disse...

Rita,

eu digo a mesma coisa, espero que Henri me perdoe... olha so, qdo fomos colocar o sobrenome dele, aqui na França é de praxe (assim como no Brasil), esquecer do sobrenome da mãe e colocar so o do pai... ja no Chile :) a gente coloca os dois.. e ai disse a Mathieu, gostaria de colocar os dois nele: o meu (SEREY) e o dele (DETRAUX) assim ele seria Henri Pierre Serey Detraux (um segundo ou mais nomes proprios sao tambem obrigatorios, mas nao usados no dia a dia... dessa forma ele seria conhecido como Henri Serey Detraux.. achei lindo :)
Bem, Mathieu foi fazer o registro dele e voltou meio preocupado... ele disse que o sobrenome ficou ligado, pois aqui consideram um so sobrenome mas é composto.. eu disse tam nada não...fica bonito! Ai depois ele disse mais com 2 hifens!!! o que???? isso mesmo! aqui qdo se quer usar os dois sobrenomes fica: com 2 hifens (--). Ou seja ficou.. HENRI SEREY--DETRAUX. Espero que ele me perdoe :) E haja confusao para dizer isso para as pessoas viu.. imagina so! Beijinhos, Claudia

Juliana disse...

Rita, eu gostei do Ritalice.
Sabe o que logo me veio à cabeça? " Ah, parece nome de personagem do Guimarães".

Olhe, eu tenho uma prima que é Amanda Beatriz!! Juntaram a sua amanda com a sua hipotetica bia! rsrsr

bjs

Luciane Curitiba disse...

Ahhhh. . .eu também gosto do Ritalice, viu? O post (não o nome, hein?) rendeu boas risadas. E concordo com a rima "tagarelice". . hohoho. Adoooro a "Ritagarelice", rss.

Rita disse...

Oi, Paula!
Obrigada pelo "poderia ser pior". Hahaha ;-D Mas é bem o que você falou: dei meu jeito e aprendi a conviver com ele. Beijos!

Oi, Anginha! Pode chamar de Alice, sim! Gosto muito! Foi a avó que conheci e com quem tive bons momentos na infância. Além disso, o nome é mesmo bem bonito. Mas não repare se vc chamar e eu não olhar: não vou saber que é comigo, ninguém me chama assim. ;-P

Olha, Isa, minha mãe sempre me chama de Ritalice, acredita? Ela adora, acha lindo, supertudo. *suspiro*... Bj!

Oi, Borboletas! Eu adorei visitar seu blog, vi muita coisa boa lá! Eu que agradeço! Beijão!

Amanda Christina, adoro seu primeiro nome, hehe. Nossa, acho lindo mesmo, gosto tanto de ter escolhido esse nome para minha filha, tanto tanto. Mas mudando de assunto, agora é que a França desanima de vez, hein? Que coisa...
Beijão!

Claudinha (outra que mora na França, Amanda!), oi! Nossa, que saga, hein? Dois hífens... Caramba, nunca vi disso. Achei com a maior cara de escritor famoso: "este ano o prêmio nobel de literatura vai para Monsieur Serey--Detraux por sua obra..." Não é? Bjs!

Ah, Juliana, você foi a minha redenção: personagem do Guimarães! Como não pensei nisso antes? Taí. Vou mudar a história: "É que a minha mãe é fã do Rosa e bla bla bla..." Thanks! Beijos! Ah, e um abraço para a Amanda Beatriz.

Obrigada, Luciane, querida, você é um doce. Estou esperando seu blog... Beijo grande!

Beijos, pessoas!
Rita (só)

Sheila disse...

Querida Rita, me solidarizo com você, pois sou aquela pessoa do nome composto.....vou escrever de uma só vez....

SHEILA RUBIA

Ninguém merece....

Enfim, agora que somos mães sabemos direitinho o que elas estavam pretendendo.

Beijos no coração

larissa disse...

Compartilho inteiramente disso, detesto nomes inventados e enormes, mas estranhamente acho que o seu soa bem. Acho bonito, sério, foi a única justaposição de nomes de avós que deu certo. Eu não vejo problema nenhum com Ritalice.

Vivien Morgato : disse...

Ritinha, eu sou Vivien Christina...o nome veio diretamente de um romance açucarado e péssimo..ahhahahah
Mas só fui chamada assim, com ambos, quando era criança, pra levar bronca.;0)
Acho a combinação feia, nunca uso os dois, mas gosto do contraste: uma cristão e um pagão.;0)

Rita disse...

Oi, Sheila Rubia. Só nos resta brindar. ;-P

Oi, Larissa! Muito obrigada, viu? Vc é MUITO docinha. :-D

Oi, Vivien Christina! Um brinde a você também! ;-)

Beijos pessoas pessoas!
Rita (só)

 
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