O leque


Detalhes do leque, em seda pura, pintado a mão.

Minha mãe é alérgica a um monte de coisas. O rol é extenso, então nem vou começar, quero falar  apenas de uma fonte de espirros e das famigeradas crises de asma: o ar condicionado e os ventiladores (tudo bem, duas fontes). Para ser mais precisa, há um monte de coisas das quais a minha mãe não gosta e eu com frequência confundo o que é algo de que ela não gosta com algo ao qual ela é alérgica. Acho que ela não gosta de ar condicionado e é alérgica a ventiladores. Ou o contrário. Ou não. Não sei (estou sendo bem precisa). Mas não usa um nem outro, fato. 

Minha mãe mora no interior da Paraíba. Dizem que o interior do sol é mais quente, mas a gente nunca foi lá. Na verdade, sabemos que  há lugares bem mais quentes - o próprio litoral do Estado, com sua fervilhante João Pessoa, costuma ser mais quente. O Saara também tem certa fama de calorento. Ainda assim, as temperaturas em Esperança costumam ser altas na maior parte do ano e não poder usufruir do ar condicionado não é exatamente um coisa legal. 

Então a minha mãe usa leques. Eu acho uma graça, ela fica ali sentada naquele calorão, abanando seus cabelos grisalhos muito fofos com seu leque. Ela é uma pessoa organizadíssima, então o leque está sempre ali no lugarzinho dele, ao lado da poltrona da sala de TV, ao alcance da mão para uma ou duas abanadas refrescantes. Era assim, pelo menos, até o verão passado, quando Amanda rasgou o leque dela. Aff. É claro que a babação com a neta é tamanha que "não tem nada não" foi a frase óbvia. Mas é claro que tem, né? Porque não dá para ligar o ventilador. Então voltei para Floripa com o maior sentimento de culpa.


Alguns meses depois, folheando meu guia de viagem, vi que Londres tem o único Museu do Leque do mundo. Preciso contar o resto? Nunca foi tão fácil escolher um presentinho para minha mãe. Bem, escolher foi a parte fácil, restava ir até o tal museu. E imaginem vocês o entusiasmo do meu grupo diante da proposta "vamos ao Museu do Leque?", porque, né, todo mundo sonha em visitar a National Gallery, o British Museum e o Museu do Leque, oh yes. Mas meus companheiros foram superparceiros e se juntaram a mim na jornada pelas ruas de Greenwich em busca do casarão quase escondido que abriga o Museu. Demoramos tanto para chegar lá que o museu estava fechando quando chegamos. Mas consegui entrar na lojinha e comprar o que queria, um lindo leque para minha mãe. 


Hoje ela recebeu o presentinho (que só pus no correio quando cheguei aqui). O timing não parece muito bom, já que o inverno está logo aí. Mas ela vai mantê-lo ali do ladinho da poltrona dela, à espera dos dias mais quentes. E todos os dias vai olhar para ele e saber que eu caminhei por Greenwich com ela no coração. 

Boas abanadas, mãe.

2 comentários:

Luciane Curitiba disse...

Fofo, lindo, charmoso, um mimo o leque!! Adorei!! Eu não o usaria para abanar já que não tenho problema com meu amigo ventilador, mas o usaria como decoração. E aí, já estão devidamente "descansados"? Bjos e uma ótima semana!!

Rita disse...

Oi, Luciane! Lindo, né? Ela morreu de rir, disse que vai precisar se produzir para poder usar o leque, :-P

Estamos bem descansados, sim, prontos para voltar ao trabalho depois de amanhã. Buáá´aáaaaaaaaaaaaaa!! Oops, quer dizer, que bom, voltar ao trabalho e tals....

Bjs!

Rita

 
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