O muito velho, o muito novo e o museu que a gente não viu



Face frontal da Abadia de Bath.


Várias pessoas me recomendaram uma visita a Bath, cidade situada a 120 quilômetros de Londres, famosa pelas fontes de águas termais que os romanos aproveitaram em suas conhecidas piscinas públicas nos primeiros séculos da era cristã. A cidade se orgulha de ter sob sua guarda o maior acervo de ruínas romanas da Inglaterra, tesouros que contam um pouco da arquitetura, dos costumes e das crenças da remota época em que os romanos mandavam e desmandavam no mundo – ou pelo menos tentavam bem.


A Abadia, vista de Roman Baths.

O Império caiu, mas os escombros ficaram. E é de fato muito interessante ver um pouco dos alicerces de templos e casas, objetos encontrados em escavações que, acredita-se, eram usados como oferendas para os deuses, pedaços de figuras esculpidas por artesãos do século II, ou ainda canais de escoamento de água que evidenciam a complexidade da engenharia romana. No entanto, muito do que se vê nos Roman Baths (como é chamado o complexo turístico erguido em torno das piscinas) foi, na verdade, construído muito tempo depois, para a exploração comercial das ruínas e piscinas. Então, na verdade, a gente vai lá pelas tais ruínas e piscinas romanas, mas acaba se deparando, também, com colunas e estátuas “em estilo romano” erguidas para embelezar o ambiente e dar uma certa imponência ao lugar. Tudo bem, nada contra a exploração turística, mas é bom ficar atento e prestar bem atenção para não comprar século XIX por século IV.


Acesso para Roman Baths.


Piscina construída pelos romanos; colunas erguidas pelos ingleses, no século XIX.




Arthur e Amanda aprendendo a construir templos.

No mais, Bath é bonitinha. Não é linda de morrer. É legal. Não é maravilhosa. Acho que vocês entenderam. Não nos arrependemos de ter visitado a monocromática Bath (quase tudo é marrom), mas como não vamos viajar muito pelo interior (provavelmente não vamos mais sair de Londres até voar para o Brasil no final do mês), ficamos com a sensação de que poderíamos ter aproveitado melhor nossa escapada. Mas tá valendo. Agora já sei do que falam e posso dar minha opinião. E isso é bom.









Não seria Inglaterra se não tivesse jardins.


***


Quando o domingo chegou, já estávamos com a cabeça voltada para o presente e rumamos para Greenwich. Queríamos dar uma olhada no velho observatório, no National Maritime Museum e passar umas horinhas com Mila & cia (que moram por aquelas bandas – lindas bandas, diga-se de passagem). Deu quase tudo certo, não fosse pela chuva que chegou no final do dia e não permitiu que as crianças se esbaldassem no playground do Greenwich Park. Mesmo assim, o dia foi de diversão pra todo lado, especialmente para elas.

Se o National Maritime Museum é legal, ninguém sabe, ninguém viu, porque quando os filhos de um casal se encontraram com os filhos do outro casal, ninguém teve coragem de interromper a correria no pátio da praça de alimentação do museu. Então, abaixo estão algumas fotos de tudo que a gente viu lá dentro:


Acertando o passo.






Sweet.

Chegou um momento, no entanto, em que tivemos de pedir licença aos pequenos porque tínhamos ingressos para o Planetário do Observatório e não queríamos perder a sessão. Compreensivos, interromperam a correria e o pula-pula e nos separamos (que pena). Os planos incluíam um novo encontro em menos de uma hora, mas a chuva não deixou. Depois da sessão, curtimos o visual maravilhoso do alto da colina onde fica o planetário e, claro, tiramos a sagrada foto com um pé em cada hemisfério do planeta.


Astronomy Centre, onde fica o Planetarium: sede original do Observatório, data de 1890.

Lá dentro. A sessão que assistimos nos brindou com um tour virtual pelo acelerador de partículas do CERN.

Londres, vista lá de cima. As torres altas e supermodernas são de Canary Wharf, complexo comercial da cidade. Prédios luxuosos erguidos na região das famosas docas. Em primeiro plano, a Queen's House, construção do século XVII, casa da rainha Henrietta Maria (quem?).




Nós, grudadinhos em latitude 0, longitude 0.


Arthur, bem no meio do mundo. Amanda, um pouquinho mais pra lá.

Meu filhote, com o coração partido por ter se separado do seu mais novo grande amigo, conduziu o trem de volta para casa. Os modernos trens do Docklands Light Rail, que nos levam do centro de Londres para Greenwich, são automatizados e o Arthur adorou bancar o maquinista. Sentado no primeiro vagão, controlou tudo com seu laptop de papel e não deixou “nenhum trem bater na gente”. Ufa. Parabéns, filho.


6 comentários:

Ana Flavia disse...

Ai, Rita, coisa mais fofuxa esse encontro das crianças. O acerto de passos e o abraço das meninas: so cute!

Beijinhos para todos :)

Rita disse...

Oi, Ana! Lindos, né? Valeu demais, tomara que a gente consiga repetir a dose antes de voltarmos.

Beijos, querida.

Daniela disse...

Toledo tb tem essa característica e no final vc já não sabe o que é original e o que foi feito depois mantendo o mesmo padrão arquitetônico. Nao tira em nada a beleza, mas...

E as crianças muito fofas. Lindo de ver.

Beijos

Anônimo disse...

Bom dia, cunhada, crianças, irmão e MÃÃÃÃE!!!

Para esta última, a bênção!!!!


Atenção, pessoas! Teve o velho, teve o novo, teve o não visto, e a partir de sexta-feira vocês verão...


EU! Quer dizer, A MIM.



Não, não é a Madame Mim (ou seria MIN??? Não lembro). É MIM MESMA, kkkkk... de mala, cuia (não, cuia não, necessaire mesmo) e alguns poucos euros (ainda bem que tenho onde ficar!!!!!!!).

Atenção, pessoas, agora é sério: estarei chegando, se Deus quiser, na tarde de sexta-feira. Tentei mandar e-mail mas o bol deve estar de greve no momento.

Preciso de um e-mail do Uli com o endereço e o telefone da casa, tudo certinho, de preferência já escrito em inglês.. kkkk.... para que o oficial da imigração não me tranque numa salinha apertada atada aos fios da máquina polialgumacoisa a fim de conferir se estou a dizer a verdade para entrar no país.

Quando receber o tal e-mail, devolvo a resposta com o número do vôo e todos os outros detalhes. Ah, e também se não der para ir ao aeroporto não tem zebra, é só dar as dicas de como chego no esconderijo de vocês (que o oficial não escute isso, senão aí é que me leva de verdade para aquela salinha).


Beijos, gentes!

Rita disse...

Oi, Dani. É que fica um pouco aquela sensação de "para inglês ver", sabe? Então me incomoda um pouco. Mas, como você falou, feio não é.

Bjs,
Rita

Rita disse...

Oi, Lilian! Eia, que essa viagem só melhora! Estamos tentando te ligar. Deixe o fone à mão.

Beijocas!
Rita
p.s. Você não morre mais: falamos de você várias vezes hoje à tarde.

 
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