Muito doido



"Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta"

Hoje mergulhamos no mundo da arte contemporânea. E a canção Bienal, de Zeca Baleiro, nunca fez tanto sentido, ;-).


Foi um passeio tudo de bom, um deleite para os olhos e muito, muito estranhamento. Fosse eu uma entendida do mundo das artes, escreveria aqui sobre a força da obra de Pollock ou Francis Bacon. Mas vocês não têm essa sorte e me limito a dizer que babei diante de algumas maravilhas da pintura, gostei de algumas montagens, humm, inusitadas e não faço a menor ideia do que se passa na cabeça de alguns artistas. Mas tudo bem, eu não faço a menor ideia do que se passa na minha cabeça, às vezes. :-)

Nossa visita à galeria de arte Tate Modern foi bem divertida. Para chegar lá voltamos ao bairro da St. Paul's Cathedral e então cruzamos a Millenium Bridge, ponte exclusiva para pedestres inaugurada em 2000 como parte da comemoração pela virada do milênio. O frio estava de rachar e em poucos minutos eu não sentia mais meus dedos (tirei as luvas para manusear a câmera e pensei que fosse congelar - não se preocupe, mãe, as crianças estavam bem agasalhadas). Mas a travessia é relativamente rápida e logo chegamos ao prédio onde outrora funcionava uma estação de força, hoje palco de Picassos, Dalis, Mirós e seus discípulos. 

Pois bem. Arte contemporânea é, para mim, um mundo estranho. Não entendo muito do babado, então evito emitir juízo de valor. Mas até o ponto em que arte é algo para ser apreciado, permito-me gostar ou não, certo? E nem sempre gosto do que entendo, nem sempre rejeito o que me é impenetrável. Um quadro, uma escultura, uma montagem, o que for, não precisa necessariamente fazer sentido para mim para que eu caia de amores. Da mesma forma, algo óbvio e de mensagem clara pode não me agradar. É quase sempre uma relação de apreciação diante da beleza ou arrebatamento diante da força. Olho e a coisa me ganha. Ou não. Então. 

Picasso, maravilhoso (vi vários Picassos para os quais disse no, thanks).

Não sei qual será a relação dos meus filhos com as artes, mas hoje eles fizeram muitas "anotações" (vide fotos) e esboçaram seus rabiscos. Na ala interativa da galeria, qualquer um pode soltar o lápis, esboçar seu desenho e depositá-lo em uma urna. A galeria então elege os que vão para um pequeno mural. Só esse mural já vale uma espiadinha e Amanda e Arthur deram sua contribuição, claro... :-)




Amanda, anotando suas impressões.

E, vira e mexe, lá vinham os Zeca Baleiro feelings:




Okay, não vou mais reclamar que tenho muita roupa pra passar. 

E, vira e mexe, só encantamento (fotos sem flash, tá pessoas?):





Quando a galeria fechou (conseguimos ver tudo que queríamos!), demos alguns passinhos até o  teatro vizinho. Por causa da hora, sabíamos que não conseguiríamos fazer uma visita pelo interior do teatro, mas só dar uma espiadela já me bastava, por hoje. Trata-se do Shakespeare's Globe, que reproduz a estrutura do teatro onde muitas das peças do bardo estrearam em sua época. Todos os anos, de abril a outubro, são encenadas peças de Shakespeare para uma plateia que precisa se acomodar no teatro circular, o que inclui muita gente de pé a céu aberto no centro da estrutura, à moda da época elisabetana. Em cartaz, atualmente, Henry IV. Se conseguirmos ingressos, conto a vocês depois. 


O teatro estava fechado, mas o café contíguo estava aberto. Entramos, saboreamos nossos chocolates quentes com nosso lindo bolo de cenoura e voltamos para o gelo da ponte. 

Nosso delicioso carrot cake; ao fundo, Arthur tomando chocolate quente de canudo. 

Agora, no interior quentinho de nosso apartamento, ainda consigo sentir o vento petrificante entrando no meu pescoço. Se ninguém ficar com nariz entupido hoje à noite, encaramos até o Everest. Sem luvas. Alguém avisa ao clima que já é maio, por favor. 

***

Arthur: "Não sei pra quê um museu tão grande com tanta coisa maluca dentro, né mãe?

***

E para quem gosta de unanimidade, em frente à St. Paul's lá estavam elas, indiferentes ao frio.



7 comentários:

Nardele disse...

Aaaai, que lindo! Tô falando do Athur tomando o chocolatinho quente dele! Mas todo o resto também, eu me sinto de modo parecido, às vezes eu não capto nada da obra, mas acho tão linda! E pronto, simples assim! Estou babando com as fotos e os relatos. Keep updating!

Angela disse...

Hhuumm nesses dias precisava do meu saudoso Tio Eladio, que contava tudo sobre o artista e a arte e trazia sentido para toda essa maluquice! Concordo com a sua postura de poder gostar e apreciar tambem o que nao entendemos, por sinal um dos museus que mais me surpreendi na vida foi mesmo o museu de Dali la na pequena Figueres!!!
Mas como sempre, a cereja do bolo ficou com as criancas, rabiscando e "filosofando"...

Luciane Curitiba disse...

Hahahahahaha. . pequeno e sábio Arthur!! As fotos estão lindas, viu?!!Bjos!

Vivien Morgato : disse...

Não sei o que gosto mais...se das exposições - adoro estranhamentos..rsr- se do seu texto ou da frase do Arthur...rs

Dani disse...

Ai, eu adorei que na Tate tinha uns banquinhos portáteis pra gente poder sentar e apreciar as obras (que turista cansa, né?). Ir com criança num lugar assim deve ser um barato!
Tá uma delícia a sua viagem =)

Rita disse...

Oi, Nardele! Obrigada pela companhia; sente aí, querida, que tem mais. :-)

Anginha, pensei sim no seu tio, viu? Sempre que você fala dele, menciona a ligação dele com as artes. Impossível não lembrar.

Luciane, também adoro a espontaneidade das crianças. E de maluquice a Tate tá cheia, vamos combinar. Maluquice artística, mas ainda assim maluquice, hehehe.

Vivien, posso votar na frase do Arthur? Pau a pau com a exposição. Bjs!

Dani, ir com crianças a um museu ou galeria é um desafio. Exige paciência, algum planejamento e boa vontade. Mas a recompensa tem sido infinitamente superior às nossas expectativas. Meu filho vive pedindo para voltar aos museus. Por ele, iríamos mais vezes. É como um grande playground... Beijos e obrigada pela visita! Venha sempre!

Rita

Clarissa Borges disse...

Olá,

Vim parar no seu blog por uma pesquisa de imagens que estou fazendo sobre arte e maternidade...enfim, a imagem que me fez clicar foi a primeira delas neste post. Uma ENORME vagina vermelha!
Já procurei na Tate, no google, mas não consigo a referência do artista ou título desse trabalho!!!

Vc se lembra? Pode me ajudar?

Desculpe o incomodo!

Abraços Clarissa Borges

 
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