A mudança


Hall de entrada. Entramos.

Quero contar uma historinha pra vocês, sobre o apartamento que alugamos para nossa temporada de dois meses. Os motivos que nos levaram a escolher o imóvel, entre os muitos que olhamos pela internet, foram: localização - próximo à escola onde estamos fazendo nosso curso; preço - cabia no nosso orçamento; o proprietário - ganhou nossa confiança com uma negociação clara e sem enrolação (não precisamos adiantar nada, só pagamos quando recebemos as chaves); e, finalmente, o fato de a Mila ter visitado o lugar e ter dado seu aval. O apartamento simples que encontramos quando chegamos, com 3 quartos e mal decorado, bateu exatamente com o que estávamos esperando, com exceção da sala que achávamos que seria ainda menor. Algumas coisinhas nos incomodavam, como camas muito baixas e o fato de só dispormos de uma panela e nenhum espelho (havia apenas os dos armários dos banheiros). Tudo bem, se fosse assim tão caótico, teríamos comprado outras panelas, né? Mas isso não importa mais. Porque ontem mudamos de apartamento. 

Na primeira semana de nossa estada em Londres, recebemos do proprietário a notícia de que teríamos que desocupar o apartamento no final de abril porque ele o tinha vendido. No primeiro momento achei que não desocuparíamos nada, afinal tínhamos um contrato de aluguel que nos garantia o direito de ficar no lugar até o final de maio. Mas o proprietário, até então muito gentil e profissional, explicou, entre muitos pedidos de desculpas, que não poderia ter recusado uma proposta acima do preço de mercado e que se viu forçado a ceder às exigências do comprador que, por sua vez, precisaria do apartamento no início do mês de maio. 

Naturalmente, ficamos indignados, estressados e preocupados. Mas ele logo nos garantiu que ele se encarregaria de procurar um outro lugar para nós, em condições semelhantes ou melhores que as do apartamento em que estávamos, que nos ajudaria com a mudança (de malas) e que faria o possível para tornar nosso transtorno o menor possível, bla bla bla. Bem, dissemos o óbvio, que não moveríamos um dedo para procurar nada, que fazíamos questão de permanecer no bairro por causa da escola (na verdade, a escola também mudou de endereço, mas isso é outra história) e que só sairíamos de lá depois de aprovar o novo lugar. Dito isso, colocamos o problema na geladeira e tocamos nosso curso, nossos passeios, nossa vidinha. Aí o vulcão se mexeu, os aeroportos fecharam e o Sr. Proprietário Furão ficou no Paquistão, onde estava visitando a família, e adiou a mudança por mais um tempinho. A gente nem tchun

Até que essa semana fomos apresentados ao novo apartamento que, olha só, fica no prédio ao lado do antigo. E ontem nos mudamos, de malas, sacolas e edredons. Apesar de não ter sido exatamente uma mudança, a movimentação não foi livre de stress. Algum elo da corrente Sr. Furão/moça da limpeza/antigo dono do apartamento novo ficou frouxo e não sei bem quem não entendeu quem, mas o fato é que na tarde em que mudaríamos o apartamento novo ainda não estava limpo. Resumidamente, na mesma tarde: o Sr. Furão esvaziou o apartamento onde estávamos, retirando toda a mobília, a antiga moradora do apartamento novo se mandou, a moça da limpeza fez a limpeza e nós carregamos nossas malas pela calçada (dispensei a ajuda do Sr. Furão). Tudo ao mesmo tempo agora de uma vez só. Claro que foi cansativo, porque, não esqueçamos, temos duas crianças sem botão de pause. Então ficamos exaustos e com dores nas costas, mas tudo bem. 

Nosso lar pelas próximas três semanas. O carrinho de bebê é nossa contribuição para a decoração.

O lado bom, aliás, ótimo, é que, para manter sua palavra, o Sr. Furão Nem Tão Furão Assim nos manteve no mesmo bairro. E ele não deve ter tido muitas opções porque acabou alugando um lugar que custa o dobro do preço que pagamos (problema dele, a mudança não nos custou um centavo a mais) por uma razão muito simples: o apartamento é infinitamente melhor. É um pouco maior, mas muito mais confortável, bem decoradinho e bastante aconchegante. 


A cozinha é grande e cheia de panelas, há espelhos enormes por toda a casa e as camas não nos causam mais dor nas costas (forrar um cama muito baixa é algo terrível, gente, que coisa!). Eu gostaria de ter fotografado o primeiro apartamento para que vocês pudessem comparar os dois. Até cheguei a pegar a câmera para fazer isso, mas não sabia para onde apontar: o sofá horrendo? A cadeira quebrada? As camas horrorosas? Deixei pra lá. Não fazia mesmo muita diferença, o lugar estava nos servindo muitíssimo bem e era muito bem localizado. Mas mudamos para melhor e não vamos reclamar também.

Nossa contribuição para esse recanto: o aspirador de pó e um esfregão no canto da parede.

O antigo morador do nosso novo endereço, ou seja lá quem tiver sido o responsável pela decoração, deve ter um pé na China, porque há motivos chineses em cada recanto da casa. Há vários objetos de vime (há um leve cheiro de palha no ar), baús e muitos abajures. As janelas (limpas) são amplas e agora temos uma boa vista para uma rua bem arborizada. 




Uma cozinha cheia de panelas penduradas para o Ulisses bater a cabeça.

O cansaço e o stress da minimudança já estão dando lugar ao nosso astral de sempre e hoje, no finzinho da tarde, fizemos um breve passeio pelo mercado de Portobello Road, em Notting Hill. Como já era tarde, muitos comerciantes já estavam recolhendo suas barracas e várias lojas estavam fechando suas portas. Mas nem chegamos a reclamar muito, já que o vento gelado nos mandaria para casa de qualquer jeito. Entramos em um café, fizemos um lanchinho bom e logo tomamos o caminho de volta, observando lojinhas de quinquilharias, sebos e casas de chá. 

Rua de Notting Hill, a caminho de Portobello Road.


Mimos.

Compras? Um irresistível par de presilhas para a Amanda, só para não passar em branco. E voltamos para a casa que será nossa morada pelas próximas três semanas. Se nada de novo acontecer, né? 

Pronto, contei. 

4 comentários:

Paulo disse...

Puxa, Rita. Que bom que deu tudo certo!

Rita disse...

Obrigada, Paulo. Deu mesmo, estamos bem satisfeitos, ainda mais hoje que o aquecedor voltou a funcionar - as temperaturas despencaram e ninguém consegue guardar casacos e luvas..

:-/

Beijos!
Rita

Angela disse...

Achei o apartamento super charmosissimo e acolhedor! A blessing is disguise... :)

Rita disse...

Estamos adorando também,Anginha.

 
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