Hampton Court - labirintos, flores e casamentos


Um castelo e uma árvore esquisita.

Em primeiro lugar, preciso agradecer as mensagens carinhosas que vocês deixaram no post anterior. Como boa mãe coruja, adorei. E o aniversariante também, naturalmente, que ficou ainda mais fofo. 

Para o dia do Arthur escolhemos um passeio pelo palácio de Hampton Court, ex-morada do Rei Henry VIII, um dos reis mais controversos da longa história real inglesa. 

Para Arthur foi uma visita a um castelo enorme, com jardins bons para umas corridinhas, alamedas para o patinete e um labirinto sob medida para um bom esconde-esconde. Para nós, foi tudo isso e mais um pouco de aula de história. E comida ruim, bem ruim.

Hampton Court fica a sudoeste de Londres e para lá seguimos de trem depois de ir no metrô nosso de cada dia até Wimbledon. Foi a primeira viagem de trem das crianças e elas curtiram do jeito delas, fazendo uma baguncinha. Coisa leve.

De aniversário na estação.

No trem, de aniversário.

Hampton Court é enorme. A visita divide-se, basicamente, em duas etapas distintas: interior do palácio e os jardins que o cercam. Nós começamos pelo restaurante, já que chegamos por lá bem na hora do almoço (hoje não tivemos aula, tá?). Cantamos parabéns para o Arthur, que dividiu seu bolinho com a Amanda (ela comeu tudo, na verdade), depois do pior almoço que tivemos desde que chegamos aqui. Batata sem sal, peixe sem sal, frango sem sal, salada dura (isso mesmo, leiam de novo), tudo sem gosto. O suco de garrafinha tava bom, e o Ulisses também não reclamou da sopa de espinafre dele. Mas a gente veio aqui pra comer ou pra passear, né? Então.

O bolinho de aniversário.

Com a barriga cheia de coisa sem graça, fomos direto para o labirinto. A brincadeira é divertida, sim, mas com duas crianças de dois e quatro, oops, cinco anos, a emoção ganha pontos na escala, porque ninguém quer perder as crianças, certo? Mas isso é problema dos adultos porque, uma vez lá dentro, Arthur e Amanda correram. E correram e dobraram as muitas curvas fechadíssimas do labirinto, seguindo o nariz de cada um, enquanto Ulisses corria atrás dos dois, eu empurrava nosso inseparável carrinho de bebê (já falei que foi o item mais útil que trouxemos na bagagem?) e D. Tereza me seguia rindo de tudo. Rodamos, rodamos, chamamos as crianças que quase perdemos, rodamos mais. Paramos, fotografamos, rodamos mais até que Ulisses e Arthur acharam a saída. Foi o melhor momento do dia para o Arthur que rapidinho esqueceu do almoço horroroso e parou de reclamar. Adoramos o labirinto. 


"Achamos a saída!"

De lá fomos apreciar os muitos jardins que cercam o enorme palácio. São cerca de dez ambientes diferentes, com arbustos, gramados, árvores, flores de todas as cores e todos os tamanhos, fontes, lagos, estátuas, vasos e o que mais couber em um jardim. Quarenta e seis jardineiros cuidam de tudo e não é difícil tirar o chapéu para eles. Os jardins, assim como o próprio palácio, foram modificados ao longo dos séculos de acordo com o gosto dos moradores da vez. Um lugar reservado para caminhadas em família poderia, anos depois, ser transformado em uma coleção de plantas exóticas para uma outra rainha. Para nós, de sangue vermelho, é um show de beleza.









A florzinha Amanda e sua supermáquina de bolhas.


Ao fundo, uma carruagem finge que os tempos são outros.

Com Amanda adormecida no carrinho (viu só, tô falando), encarregamo-nos de conhecer o interior do palácio. Aprendemos que antes de ser palácio, o lugar onde hoje está Hampton Court foi a sede de um priorado que se encarregava de arrecadar fundos para as cruzadas à Terra Santa, nos idos anos do século XIV. No século XV, o lugar foi adquirido por um membro da corte de Henry VII (não do VIII, desse ainda falaremos) e só aí o palácio começou a ser construído. No início do século seguinte, um camarada chamado Wolsey comprou Hampton Court (era um pobre, já viu, né?). Wolsey era extremamente poderoso, político célebre e cardeal (imaginem) e deu o castelo de presente para o então rei Henry VIII (agora sim), de quem era uma espécie de administrador. É, minha gente, o homem dava castelos de presente, tadinho. 

A ponte que cruzamos a pé para chegar ao palácio.

O palácio visto da ponte.

Acesso principal.

Mas nem tudo na vida dessa galera era assim um mar de tulipas. Para manter a linhagem no poder, um rei precisava de herdeiros. Herdeiras, não, obrigado, só meninos. O problema é que a primeira esposa de Henry VIII, Katherine (foram seis, vão contando), não conseguiu, durante os vinte anos em que permaneceram casados, gerar um filho homem - até conseguiu, tadinha, mas os bebês morriam logo após o nascimento. Enfim, Henry decidiu se divorciar e Wolsey tentou usar de seu poder para persuadir o papa a conceder o divórcio ao seu querido rei. Nada deu certo, Wolsey caiu em desgraça, foi excomungado e Henry rompeu com a igreja. Livre das amarras da Igreja Católica, Henry descartou a esposa, e passou a viver com Anne Boleyn, cuja sorte foi ainda pior que a de Katherine: foi executada sob acusação de traição e incesto em 1536. Mal morreu, já foi substituída por Jane Seymour que, finalmente, deu a Henry o tão esperado filho. Mas Jane nem viveu o suficiente para ver o batismo de seu rebento. A busca por uma rainha prosseguiu e Henry se casou com e logo se separou de Anne of Cleves. Anne foi substituída pela adolescente Catherine que, também, foi executada sob a acusação de adultério. Vocês gostam muito do Henry, né? Aff... sem comentários. O coisa, quer dizer, o rei ainda se casou mais uma vez, com Kateryn Parr que ficou viúva do dito cujo. Pronto. 

Depois de ler essa historinha no guia do palácio e nas paredes, à medida que avançávamos pelos aposentos e salões reais, vi então que eu estava ali apreciando o que um dia tinha sido a morada de um mulherengo egoísta e sem coração, machista até a última gota de sangue, vaidoso até não mais poder (durante a visita aprendemos sobre as disputas com o Rei da França para ver quem tinha o melhor castelo, as melhores coleções disso e daquilo, eca), entre outras características adoráveis. Humm... interessante. Bom, valeu pela aula de história, porque além de ser cheio de casamentos, o reinado de Henry VIII também foi marcado por acordos políticos que resultaram em um período de paz na Inglaterra, trazendo um florescimento marcante nas artes e no comércio. E valeu também para ver o que já sabemos, que o sangue de todo mundo é vermelho. 



E sempre se pode fechar os olhos para as mazelas humanas e voltá-los para as belezas que almas que habitam a mesma espécie conseguem produzir. Há pinturas que fazem valer a visita (há quadros de Caravaggio, por exemplo), tapeçarias impressionantes, objetos de arte, afrescos, mobília antiga, etc. A arquitetura também impressiona e a verdade é que adoramos estar ali e, durante algumas horas, mergulhar na história outra vez. 

"Vem, Amanda, eu te levo pro castelo".

HAPPY BIRTHDAY, ARTHUR!

12 comentários:

Nakereba disse...

Estou numa correria. Não consegui ler o post, mas queria só dizer que as fotos estão divinas.

Anônimo disse...

Feliz aniversário príncipe Arthur!! Num castelo!? não poderia ser melhor!! Quanta aventura heim!? Que lugar lindo! Aproveita meu amor!!
Mil beijos,
Tia Ju

Rita disse...

Oi, Paulo. Sem pressa. O post fica aí, volte depois e leia sobre o rei levado da breca. Beijos!

Oi, Ju. Viu? Não falei que aproveitamos?

Beijinhos!

Rita

larissa disse...

Ah, tem até aquele filme: A outra. Com essa história desse Rei.
Lindas fotos!

Rita disse...

Oi, Larissa! E aí, como foi o SEU aniversário? ;-) Ah, é? Vou procurar pra ver o filme então. Beijão.
Rita

larissa disse...

Não visitei nenhum castelo como o Arthur, mas foi ótimo também.O título original do filme é The Other Boleyn Girl, com muitas triações, intrigas e tal.
Bjo!

Rita disse...

Ah... meu cunhado me falou desse filme, acho. Vou conferir, vou conferir. Depois te conto se gostei.

Bjs,
Rita
Ah, dá um beijo pelo dia da mães nessa sua mãezona tudo de bom que você tem aí!

Angela disse...

OK, tou ficando um pouco cansada de dizer "Eh lindo!", "deslumbrante!" Ihihih. Entao, nao vou repetir o obvio, porem preciso falar que achei esse labirinto o MAXIMO!!! Que divertido!!! E apesar da foto da familia estar linda, a favorita foi mesmo a ultima, dos dois de maos dadas, lindo!!! deslumbrante.... ooops :D

Claudia Serey Guerrero disse...

Adorei as fotos, o relato, a aula de historia (esse Henry hein, vou ate dar uma olhada no Henri da França para saber se ele foi uma peçinha melhor que esse da Inglaterra:) e concordo com Gelinha... a foto final ta "TRES MIGNONE"! beijinhos... ei Mathieu ta na Inglaterra à trabalho essa semana (mas é em Southampton, ate cogitamos a minha ida com Henri, mas nao deu, ainda mais agora com essa nuvem de cinzas de volta...) ate qdo ficam por ai??

Júnior Flôr disse...

oi Rita, Parabéns pelas fotos e dá um abraço no Ulisses e nas crianças. bjs

Rita disse...

Oh,Claudinha, vc passou por aqui só pra me deixar com água na boca, né? Maldade... Ficaremos aqui até o dia 27!

Beijocas
Rita

Rita disse...

Oi, Jr! Obrigada pela visita! Abraços dados! Dá um beijão no Lucas!

Bj,
Rita

 
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