Desenhos, cinema, elefantes, macaroons


Homework + rede caída + falta de tempo = blog ao relento. 

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Sabe quando nos deparamos com uma pintura que admiramos e ficamos ali tentando imaginar como alguém consegue pintar algo tão impressionante a partir de uma tela branca? Ou como consegue esculpir em um pedaço de mármore uma figura humana com detalhes tão precisos? Eu sempre me pergunto como alguém consegue pegar um pincel e transformar o vazio plano da tela em uma cena com profundidade e luz. Luz. Eles pintam a luz. Eu sei: estudo, técnica, treino. Mas estou falando do que está além disso, da genialidade. Com prática, cuidado e dedicação, muita gente consegue escrever bons textos, mas daí a ser uma Lispector vai uma distância grande, certo? 

Hall central do British Museum

Ontem voltamos ao British Museum para ver de perto desenhos de alguns nomes da Renascença Italiana. Uma exibição que estará em cartaz até julho mostra uma série de estudos de nomes como Leonardo Da Vinci, Botticelli, Raphael e Michelangelo, entre outros. É uma excelente oportunidade para dar uma espiada por sobre os ombros de alguns dos maiores artistas da humanidade e bisbilhotar seus "rascunhos". (Claro que estou brincando ao chamar o que vimos ontem de "rascunho"; é quase um insulto, afinal, para os artistas daquela época, o ato de desenhar já era visto como o pai de outras artes, como a pintura, escultura e arquitetura. Então eles não estavam exatamente "rascunhando"...)

Infelizmente não pude fotografar nada de nada, mas pela foto (mal tirada) do panfleto aí em cima, acredito que vocês conseguem ter uma noção do que está em exposição. Mas se eu achava que conseguiria observar com clareza o traço de um Raphael da vida e perceber ali o nascimento daquelas figuras (e então dizer: "ah, olha só, ele começava esboçando isso e depois isso"), tive de me contentar com mais deslumbre. Diante dos desenhos que serviram de base para pinturas e esculturas consagradas, fiquei quase tão embasbacada como se estivesse diante das obras finais. Ô coisa, viu. :-/

Tuuudo bem, ninguém está reclamando. Finda a exposição (que não foi a favorita das crianças - não havia nada interativo, os desenhos estavam expostos sob meia luz e o tamanho não ajudava em nada para chamar a atenção dos pequenos), fomos dar uma espiada na região do museu, Bloomsbury. Queríamos ver um tal de Coram's Field, um playground mantido por uma fundação (que quase nos levou a alugar um apartamento por lá; as crianças teriam um parque para brincar bem perto de casa, o que acabou acontecendo de qualquer jeito aqui em Kensington, com o Holland Park logo ali), mas acabamos descobrindo um pouco mais. 

Bloomsbury é um bairro verde. Tem praças bem cuidadas que os moradores utilizam como pista de corrida e academia ao ar livre. Sob um frio congelante, vimos alguns corajosos dando suas corridinhas e fazendo seus abdominais, assim como se fossem dar um mergulho no mar depois. 




Um pouco antes de acharmos Coram's Fields (que já estava fechado), demos de cara com uma galeria de lojas, restaurantes e cafés, margeando prédios que nos pareceram residenciais, e com um simpático mercado de rua em sua ala central. Lamentei o fato de minha sogra não estar conosco (optou por ficar em casa, descansando um pouco), porque é bem o tipo de lugar que ela curtiria bem. E recitamos o mantra: voltaremos aqui. 




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Hoje passamos a manhã na escola, almoçamos em casa (delícia de almoço preparado por Ulisses, em dia inspirado - comemos a batata mais gostosa da conexão Brasil-Inglaterra e saboreamos um peixe divino) e depois fomos, teimosos que somos, tentar mais uma vez assistir a uma sessão do IMAX. E conseguimos, ÊÊÊÊ!!!!!!!!! Fogos de artifício por favor. Para quem não vem acompanhando nossa saga, foram três tentativas que incluíram até museu evacuado. Mas hoje chegamos, compramos o ingresso e entramos (não foi assiiiim tão simples, porque tivemos de ver outro filme, já que o que queríamos já tinha passado mais cedo, mas tá valendo). Durante a sessão, o Arthur, tadinho, chegava a tirar os óculos 3D para dar uma aliviada na sensação de que os bichos estavam mesmo prestes a nos tocar. E a Amanda tentou pegar várias vezes objetos em cena, a bonitinha... Gostamos bem. Finalmente. 

E já que estávamos por ali e o vento resolveu dar uma trégua, saímos caminhando pela Brompton Road, rua dos grandes museus (História Natural, Ciência - onde fica a sala do IMAX - e o Victoria & Albert). Pelo caminho, elefantes. A London Elephant Parade, com seus 260 elefantes pintados por vários artistas e designers, espalhou os simpáticos gordinhos pela cidade para levantar fundos voltados à preservação do elefante asiático e também auxiliar na manutenção de várias entidades britânicas envolvidas com a conservação de espécies. Todos os elefantes ficarão pelas ruas até o verão londrino e serão leiloados. A criançada adora. Uns fofos. 

Detalhe da enorme e linda fachada do Victoria & Albert Museum.

Café esperando os clientes na tarde gelada. Aposto que eles estavam nas mesas de dentro.

Elefantes na frente do museu...


... e na calçada da Harrods.


Encerramos nosso dia comemorando nossa ida ao IMAX (não foi fácil, putz) com deliciosos macaroons. Para fazer a Amanda parar de comer, dissemos a ela que sua barriga já estava colorida demais. Ela levantou a blusa várias vezes para conferir. Não se convenceu, mas parou de comer. :-)



Bem, a bochecha ficou bem colorida...


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