Victoria & Albert ou o errado que deu certo


Lustre do hall de entrada do Victoria & Albert Museum

Ontem voltamos ao Science Museum com a intenção de assistir a um filme na sala IMAX do museu. Foi nossa terceira tentativa. Na primeira, desistimos já na fila para compra do ingresso porque queríamos ver outro filme; na segunda vez, chegamos ao museu bem na hora em que a polícia tinha evacuado o prédio, sabe-se lá por quê; e ontem as salas IMAX estavam fechadas para um "evento corporativo". 

Suspiros. Paciência. Bem, como já estávamos ali do lado do Victoria & Albert Museum, resolvemos dar uma chance ao museu para o qual Ulisses tinha torcido o nariz. Como o Victoria & Albert é um museu especializado em artes decorativas, Ulisses julgou que não se interessaria muito pelas exposições. Mas o museu estava tão pertinho e o IMAX estava fechado mesmo.. vamos dar uma olhada? Vamos. Tá. Uma hora depois, Ulisses declarou que o V&A era seu museu favorito da cidade. Olha só.

Um dos "problemas" do V&A é que o prédio concorre com as exposições pela atenção dos visitantes. E, olha, a briga é boa. O prédio é deslumbrante. E suas coleções abrangem desde objetos milenares a móveis ultramodernos, vindas de todas as partes do mundo. A questão é: para onde olhar? 

Pode-se optar por qualquer direção: teto, colunas, paredes, escadas, tudo é ricamente adornado. Se o prédio, de seis andares, estivesse completamente vazio, sem qualquer exposição, já valeria uma visita. Mas, naturalmente, não está. Fundado no século XIX, continua aumentando suas coleções aparentemente infinitas e encantando com sua grandiosidade. 


Jardim aberto no centro do prédio.



Salão do café - pausa para um lanche, não para o requinte.

Fomos ao V&A dois dias seguidos. Não vimos tudo, claro, mas conseguimos dar uma boa olhada em parte de algumas coleções. Começamos pela ala dedicada ao mundo islâmico, à China e ao Japão. Armaduras de samurais, utensílios domésticos e estátuas budistas contam séculos de estilos de vida tão diversos quanto somos capazes de imaginar. Tecidos feitos a mão, tapetes persas imensos e vasos decorados ilustram variadas formas de expressão estética e não nos deixam esquecer até onde pode ir o talento humano para as artes. 

Armaduras de samurais.

Mesinha para um lanche básico na Turquia do século XVI.

Depois migramos para as alas dedicadas às esculturas medievais e renascentista. Bem ao lado, há duas salas repletas de reproduções em gesso de obras consagradas de diversas épocas, como o David de Michelangelo, por exemplo. Ficamos impressionados com o gigantismo de duas colunas (reproduções em gesso, cujos originais em pedra encontram-se em Roma), não só pelo tamanho, mas por sua beleza e pela riqueza dos detalhes nelas esculpidos que ilustram a história de certa campanha pelo poder lá no século II. Ou seja, antes de ontem. 


Com o museu prestes a fechar, passeamos rapidamente por algumas galerias com exposições de cerâmicas e porcelanas, demos uma espiadela na galeria de vidro e fomos embora. Hoje voltamos. Pratarias, vitrais, mosaicos, azulejos, pinturas, gravuras (Dali, Andy Warhol, Turner), moda, decoração... Nem chegamos perto de ver tudo. Há várias exposições pelas quais nem passamos: uma dedicada a Grace Kelly, uma sobre a história dos Quilts na vida britânica, outra sobre arquitetura. O prédio do V&A realmente parece um labirinto sem fim. Nossa admiração é igualmente infinita. Ainda bem que o IMAX estava fechado.

Objetos das civilizações pré-hispânicas, Peru.

Azulejos portugueses.


Choir screen holandês, destinado a separar o público dos membros do clero nas igrejas. Século XVII.

Prato italiano do século XVI.

Porcelana francesa...

... não é um mimo?

Salão da biblioteca do museu.

Mesa italiana pela qual me apaixonei. Não é pintura...


...é micro mosaico de vidro. E meu queixo no chão.

Chá? 

É maravilhoso ver a diversidade de formas que a imaginação humana consegue criar. Igualmente admiráveis são o talento e o esforço necessários à execução de trabalhos delicadíssimos - na seção de pratarias, tivemos acesso a uma miniaula sobre o encantador trabalho dos silversmiths, artesãos que moldam pratos, bandejas, potes, chaleiras como se fossem joias. E eu fico ali, admirando e lembrando que mal consigo desenhar uma flor. De quatro pétalas. Tortas. 

Aí Amanda fez xixi na calça e fomos pra casa. Com a cabeça cheia de arte e várias peças de roupa para lavar. Não é incrível a diversidade da vida?

9 comentários:

Livia Luzete disse...

Querida, meu queixo também foi ao chão.
Beijokas e lindo fim de semana.

Paulo disse...

Always lurking, occasionally commenting, mas sempre por aqui, tá? Muito bom ler o seu carnet de voyages. Continua escrevendo que eu continuo lendo. xoxo

Ana Flavia disse...

Terceiro queixo também caído aqui!E a reviravolta do museu no conceito do Ulisses? De virar o nariz pra pedir bis! Gente que espetáculo de museu.

Obrigada pela generosidade de compartilhar tudinho conosco com tantas fotinhas especiais.

bjO

Nardele disse...

Nossa, Rita! Quanta coisa linda! Todos os queixos caídos! Tinha babador na sala?

Sim, é incrível a diversidade da vida! Viva!

Beijo!!

Rita disse...

Livia, oi! Final de semana bom pra você também, querida.

Oi, Paulo! Tudo bem? Sei que você anda por aqui e fico muito feliz. Não deixe de dar seus pitacos sempre bem vindos. Beijão.

Ana, lindo, né? Preciso voltar aos museus do Rio para ver objetos que contam um pouco do nosso passado também. Estou no clima das velharias, já viu, né?

Nardele, bom saber que vocês compartilham no quesito queda de queixo e que não sou a única deslumbrada do pedaço.

Beijos, pessoas!

Daniela disse...

Lindo. Sem mais!

Rita disse...

Oi, Dani. Não é? Você não pode deixar de conferir, anota aí.

Bjs
Rita

Angela disse...

Deslumbrante, o predio e o conteudo! E o querido Ulisses mesmo quando tenta se fechar, so se abre nao eh? Lembrei da nossa ida, com o roqueiro, a opera ihih. Beijao!!!

Rita disse...

Oi, Anginha. Lembrei muito de vocẽ lá, diante das relíquias de maias e incas; lembrei de mim, verde de enjoo no hotel (grávida do Arthur), deixando de te acompanhar na imperdível exposição arqueológica em NY - senti-me em falta contigo naquele dia. Mas na próxima vez, prometo que te faço companhia!

Beijão,
Rita

 
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