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O Tâmisa, com o Parlamento à direita, visto da cápsula da London Eye

O post de hoje será dividido em capítulos (complexo, né?), porque hoje pegamos pesado. Não havia quem pudesse nos deter e fomos pro mundo com gosto. Como hoje não tínhamos aula, planejamos pular cedo da cama  (também costumamos pular cedo da cama nos dias de aula, registre-se) e sair de casa por volta das nove horas, fazer o passeio na London Eye pela manhã e visitar a St. Paul's Cathedral à tarde. Não fizemos nada disso. Quer dizer, fizemos, mas mudamos a ordem dos fatores. 

Acordamos tarde, que delícia - até as pipocas, digo, as crianças dormiram muito e por volta das dez e meia da manhã estávamos às voltas com o café da manhã, vejam vocês. Ainda nos mantínhamos fiéis aos planos, quando a Mila mandou uma mensagem dizendo que a St. Paul's fechava para visitações às 16:00h. Como tudo nessa cidade fica muito longe e levando em conta de que nosso comboio (composto de duas crianças, uma senhora minha sogra, dois tagarelas e um carrinho de bebê) se desloca a passos lentos beirando o lentíssimo, resolvemos ir de vez para a St. Paul's e deixar o restante do dia rolar à toa. 

Conseguimos sair de casa às 11:30h, praticamente conformados com a ideia de que tudo que faríamos seria mesmo visitar a Catedral. E já estava de bom tamanho, já que, para minha sogra, esse seria um dos pontos altos da nossa viagem. Então fomos.

Parte I - St. Paul's Cathedral - e haja perna


A Catedral de St. Paul, que atualmente ostenta o segundo maior domo do mundo (o da Basílica de São Pedro, em Roma, é o maior), existe desde 604 (não é 1604, é 604 mesmo), mas foi praticamente destruída do grande incêndio de Londres, em 1666. Já falei um pouco dela nesse post, que escrevi quando a Mila começou a trabalhar na Catedral. Pois bem, também já falei pra vocês que minha sogra é fã incondicional da Princesa Diana. O que não falei é que ela é também uma pessoa muito religiosa. Então juntem um mais um e fica fácil deduzir o motivo de a visita à St. Paul's ser tão especial para ela. E ela, de fato, ficou felicíssima por receber a eucaristia na igreja onde a Princesa se casou, lá nos anos 80. 

Para mim, assim como para o Ulisses, a visita valeu pelo deslumbre inevitável diante de tanta beleza. Não sou religiosa, não tenho lá muita simpatia pela Igreja Católica, mas os monumentos arquitetônicos erguidos por eles ao longo dos séculos são, inegavelmente, obras de arte [a leitora Dani observou que a família real britânica é anglicana e que St. Paul's também é uma igreja anglicana, e não católica. Tá certo. Mas, no fim das contas, tanto católicos quanto anglicanos são grupos cristãos que vêm do mesmo tronco. Não entendo muito do assunto, mas me parece que as diferenças entre as duas religiões são mais estruturais que filosóficas. Dani, obrigada pela correção. A beleza é a mesma!]. Já para as crianças a escalada rumo ao domo foi o grande barato. Então todo mundo ficou feliz e com a batata da perna mais grossa. Porque, amigos, haja escada. 

Assim que chegamos à Catedral, fomos recebidos pela Mila que gentilmente interrompeu seu trabalho para nos mostrar a impressionante nave central da igreja (não é permitido filmar ou fotografar lá dentro, humpf). Arthur e Amanda já tinham "explorado" o pátio externo e se comportaram muitíssimo bem no interior do monumento, mantendo a voz baixa (olha só!) e caminhando sem correr (impressionante!). D. Tereza, minha sogra, foi logo entrando na fila da comunhão (havia uma missa sendo celebrada, já no seu finalzinho) e foi  lá conversar com seus santos. A Mila, que não está nesse trololó todo que nós estamos, voltou ao trabalho. E aí começamos a escalada. 


Arthur e Amanda no pátio da Catedral

Quem visita a St. Paul's é convidado a ver o mundo lá de cima. A subida divide-se em três etapas e soma 528 degraus. Primeiro são 257 até a Whispering Gallery (a acústica permite que se ouça um sussurro pronunciado do outro lado da Galeria, a 32 metros de distância); em seguida, mais 119 degraus até a Stone Gallery, de onde se vê a cidade estendida lá embaixo; por fim, mas 152 até a Golden Gallery, acima do domo. Ufa. E cada degrau vale a pena. 

Eu e minha sogra, na Golden Gallery. Com pernas fortes e espírito leve, lá estava ela.

As crianças, descansando antes de subir a etapa final, rumo à Golden Gallery

Com minha sogra subindo serelepe, o Arthur mandando ver e o Ulisses levando a Amanda, botei meu melhor sorriso e subi dizendo que tava fácil. Porque, né? Então. Foi sopa. Lá de cima, fotografamos a cidade, incluindo a London Eye, onde estaríamos dali a algumas horas.

À esquerda, a gigantesca London Eye

Depois da descida (e não faltava santo pra ajudar, pois então), encontramos a Mila novamente e visitamos a Cripta da Catedral, onde os restos mortais de um tantão de gente estão "guardados". Há ainda uma capela onde, segundo a Mila, são celebrados muitos casamentos. Nota: quer casar lá? Pode, mas na capela. Na nave principal, só a família real e outros "escolhidos", sabe como é que é. 

Mila e eu, na capela, ao lado do túmulo do William Blake


E aí nossos estômagos desobedeceram a lei do silêncio e berraram alto. Seguimos a dica da Mila e atravessamos a rua rumo a um restaurante italiano. E: thank you, Mila! A comida estava deliciosa, o ambiente é bem agradável, o atendimento foi excelente e eu nunca mais vou esquecer o sorvete da sobremesa. De novo, tivemos "sorte", já que o garçom informou que, em dias de movimento normal, teríamos enfrentado fila na porta. Hoje, escolhemos a mesa. O vulcão, o vulcão. Ah, mas o verdadeiro vulcão era a minha boca, depois de comer o delicioso linguini com frutos do mar super/mega/hiper spicy. (Tudo bem, apimentado para os meus padrões, já que não costumo comer pimenta; Ulisses provou e disse que estava "normal"; sei, mas tomou água, eu vi). Então. Bom, recomendo, anota aí: Strada. Endereço: ali, do outro lado da rua.


Linguini vulcão


De barriga cheia, queríamos brincar de subir de novo. E lá fomos nós para a London Eye.

Parte II - London Eye, suave

Pegamos o metrô direto para a estação de Westminster e atravessamos a Westminster Bridge, com o Parlamento imponente ao nosso lado. Mostrei ao Arthur o relógio "do Peter Pan" e caminhamos sem pressa sobre o Tâmisa, admirando a tarde azul nessa cidade que, anote-se, não nos deu mais do que um tarde de chuvinha fina até agora. 



É preciso falar da fila para andar na London Eye, a segunda roda-gigante mais alta do mundo, segundo me disseram (há outra mais alta, na China, acho), com 135 metros de altura. Em nossa primeira semana aqui, fomos ao London Aquarium, que fica ali do ladinho, e pudemos ter uma ideia do tamanho da espera para ver Londres lá de cima. É algo realmente impressionante. Existe até ingresso para furar a fila. Isso mesmo. Se você quiser esperar menos, pode pagar mais caro e entrar por outra fila menor. Mesmo assim, é preciso paciência. Funciona assim: o sujeito chega e entra na fila para comprar o ingresso. Demora, mas não muito. Com o ingresso na mão, aí você vai láááááááá pro final da fila par entrar em uma das cápsulas da roda-gigante. E aí sim, o troço é feio. A fila é enorme, mesmo, e você pode ficar horas plantado lá. O Dudu, meu cunhado, ficou, encarou a espera e fez seu passeio antes de voltar para o Brasil. Nós adiamos, já que no dia do Aquarium, as crianças já demonstravam cansaço depois de ver tanto peixe e tubarão. E fomos adiando, com preguiça de enfrentar a superfila. 


Até que ontem, diante do Natural History Museum praticamente vazio, caiu a nossa ficha e hoje apostamos que a cidade mais "vazia" poderia significar um tempo de espera bem menor. O que não imaginávamos, realmente, era um tempo de espera igual a zero. Assim que chegamos (já tínhamos os ingressos, comprados no dia da visita ao Aquarium), não havia fila nenhuma, mas a roda-gigante estava parada, por problemas técnicos (ui). Aí torcemos o nariz para nossa aparente falta de sorte até que, um segundo depois, um membro da staff anunciou o reinício dos trabalhos. E quem estava ali na frente formou uma fileca de nada e, puf, meio minuto depois, lá estávamos nós dentro da cápsula. Desculpa aí, Dudu. :-)

Nós, uma intrusa e a cidade lá embaixo.

Amanda, sem medo de altura, e o Tâmisa.

Olha a St. Paul's Cathedral aí, gente (à direita)!




Minha sogra, acenando do solo. Esnobou, não quis ir. Eu acho que ela deve ter achado que seria meio monótono, sem degraus, né?

E, olha, ainda bem que foi assim, sem filas. Porque o passeio é bom, mas se eu tivesse ficado duas horas e meia esperando não sei se teria curtido tanto. Mas não esperei, então foi show. 

***

À noite, fazendo pouco caso do cansaço, estou aqui blogando. O silêncio reina no apartamento e agora vou lá sonhar também. Certamente, vou ver tudo pequenininho, como quem voa.

7 comentários:

Daniela disse...

Ué, a Saint Paul é uma igreja católica? Eu pensava que toda a família real britânica fosse anglicana

Rita disse...

Putz, Dani, agora você me pegou. Perdão pela ignorância, vou me informar e depois ponho uma observação no post. Obrigada pelo comentário!!

Bj, Rita

Anônimo disse...

Oi, Rita.

Por que você não está mais anunciando no FB quando tem post novo? Hmpf! Não é porque eu não gosto de Londres que não vou querer ler seus posts enquanto você estiver aí, né?
Abraços,

Paulo

Sinara disse...

Speechless... Sooooooooo beautiful... Enjoy...
Volto de Floripa dia 22/05... :-(

Tata disse...

delícia, delícia...
as fotos dão uma vontaaade qui cê num sabe... :-)

Vivien Morgato : disse...

Eu estou adorando esses posts.
Eu sabia que os anglicanos tinham preservado a estrutura católica dentro de uma teologia protestante...pelo menos foi o que li e vendo o peixe pelo preço que comprei..rs
Não sabia que tinham santos. Pergunte sobre isso pra mim?? please? (piscando os olhinhos)

O que vc descobrir sobre escolas, estrutura educacional, vida dos estudantes...me conta? ;0)

Rita disse...

Paulo, querido, há séculos não entro no Facebook, sorry. Mal tenho tempo de blogar e dar passadas rapidinhas pelo twitter. Os vários blogs que frequento e nos quais sempre comento estão de lado... buaaa!! Não! Sem reclamações. Não posso fazer tudo, ne? Mas os posts têm sido quase diários, então pode aparecer sempre que der!! Beijos, saudades.

Oi, Si. Que pena que não vamos nos ver, pena mesmo. Quanto tempo vc vai ficar lá?
Ainda outro dia falei de você por aqui, lembrando velhos tempos. Beijinhos!

Tata, querida, eu que nem te falo da vontade de ficar mais tempo por essas bandas, viu? Ô coisa... Beijoca!!

Vivien, oi! Pois é, se a Dani não fala, nem me tocaria que os "reais" daqui são anglicanos, não católicos. Bem, pra mim, whatever... Tenho algumas informações que poderia te passar sobre educação, sim. Quem sabe faço um post sobre o assunto! Se eu desistir de publicar, podemos trocar e-mails, que cê acha?

Beijos, pessoas!

 
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