Um museu pra chamar de seu




Salão central do Natural History Museum: vazio assim, nem em sonho.

Sono. Lembranças do show. Metrô lotado. Wuthering Heights. Aula: collocation, dictation, conversation. Comprinhas. Corre, corre para comprar ingressos para o musical The Lion King. No teatro, fila zero. E, estranhamente, as ruas do centro comercial da cidade estavam calmas, sem multidões nas calçadas ou cruzamentos. Humm... E as lojas não estavam lotadas. Hummm.... Metrô lotado, humpf. Fome. Casa. Almoço restô dontê. Mundo.

E aí resolvemos retornar ao Natural History Museum porque dinossauro é legal, mas a baleia é maior e nós só tínhamos visitado a ala dos dinos em nosso primeiro passeio. Ótimo programa para as crianças, que gostam dos bichos e se divertem com os muitos itens interativos das exposições. E, de brinde, o museu estava incrivelmente... vazio. Hummm... Bem, tínhamos ouvido rumores de que a cidade estava mesmo mais tranquila devido aos muitos voos que deixaram de chegar aqui por causa da famosa volcanic ash. Mas só hoje tivemos uma noção mais aproximada do impacto causado pela interrupção dos serviços aéreos sobre o turismo local. E não deve ter sido pequeno.

Para nós, restou fazer a limonada. Normalmente, há filas em todas as atrações turísticas de Londres. E os museus costumam bater recordes nesse quesito. Então entrar no Natural History sem enfrentar fila, ter os ambientes do museu quase completamente vazios e poder se dar ao luxo de se deter diante das exposições o tempo que quiser... ah, não tem preço. É claro que lamentamos todo os transtornos que afetaram milhões de pessoas e geraram prejuízos absurdos para países e empresas, mas ah, o museu vazio. 

Minha trupe e a baleia azul, deeeesse tamanho.

Arthur, faz cara de lagarto!

Arthur, faz cara de tartaruga!

Explorando, bagunçando, mexendo, fuçando. Pode, pode, sim.

Os pequenos se esbaldaram e nós podíamos deixá-los mais soltos, sem a neura de perdê-los de vista a qualquer momento. Ficamos no museu até nos expulsarem de lá.

No final da tarde, pegamos o metrô, lotado, para Covent Garden. Eu tinha passado por lá de manhã, quando fui comprar o ingresso para The Lion King e, de relance, tinha visto uma creperia. Foi o que bastou para passar a tarde sonhando com crepes enquanto as crianças examinavam aranhas e ursos. Por pouco não perdemos a viagem, pois chegamos à creperia no exato momento em que os funcionários anunciaram o encerramento dos trabalhos, mas foram gentis o suficiente para nos atender.

Os crepes estavam lindos. Ulisses, que é uma pessoa, pediu um salgado. As quatro formigas que o acompanhavam pediram crepe de chocolate preto com morango, êêêêê!! Honestamente? Estavam bons, e eu teria pedido outro se a cozinha da creperia ainda estivesse aberta. Mas não chegam aos pés do crepe servido na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte. Alguém para me dar um apoio aqui, alguém, alguém? Amanda discorda, claro. Nunca foi a Pipa, né? Reforçando: tava muito bom. Mas já vi melhores, oh my God, quão esnobe pode ser uma formiga?



E assim, cheios de crepe, fizemos um passeio preguiçoso pelas ruazinhas simpáticas de Covent Garden. A praça central do bairro, que séculos atrás foi ponto de comércio de produtos agrícolas e depois mercado atacadista, é um dos lugares mais procurados por turistas que vão em busca de agito, lojinhas legais e comida boa. Hoje, tudo era tranquilidade. Eu gosto do ar descontraído, dos artistas de rua sempre presentes e dos músicos que se apresentam no pátio central em troca de moedas. Não é raro almoçar ao som de um quarteto de cordas tocando Vivaldi ou Mozart ou, como hoje pela manhã, de um tenor cantando uma peça qualquer de ópera. Na primavera e no verão as mesas dos restaurantes invadem a praça e as ruas, e todo dia tem cara de sábado. 




Covent Garden paga o preço de ter se tornado clichẽ e há quem torça o nariz para seu burburinho. Mas eu sou facinha e adoro a mistureba e a personalidade colorida do bairro. Covent Garden tem cheiros, sabores, cores. É de pegar, comer, cheirar, olhar. Eu queria fotografar as barraquinhas, mas tudo já estava fechando. Eu queria fotografar a multidão que lota a praça, mas hoje tinha pouca gente. Eu queria fotografar os músicos, mas eles já tinham ido embora. E eu deveria ter regulado o flash da câmera, mas nem liguei. As fotos estão ruins, mas o passeio foi bom. Palavra.

2 comentários:

Renata disse...

Oi Rita,

Que saudades das viagens daquele tempo :o) O crepe de Pipa é realmente inesquecível, tanto no sabor quanto no ambiente, mas o seu crepe foi no Convent Garden! Apesar de ser difícil competir com Pipa, podemos dar um desconto... Beijos

Rita disse...

Oi, Renata! Ah, nem me fale daquelas viagens! Teve uma em que fui sem voz, estava com laringite. Pus o remédio na bolsa e, dois dias depois, estava até cantando. ;-) Muito obrigada pelo apoio no importante quesito crepe mais gostoso.

Beijão!
Rita

 
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