Na Torre



Hoje o dia foi de aula de História, soldadinhos quase de chumbo e fish and chips

Fomos à London Tower, um lugar recheado de história pra contar acumulada ao longo de mais de 900 anos de terror e ganância. A Torre de Londres, cujas primeiras estruturas foram erguidas por volta de 1070, é um complexo de antigas masmorras e celas, onde, durante muitos anos, os desafetos do Império Britânico amargavam o destino nada fácil reservado aos que ousavam discordar da realeza. Hoje tem status de museu e tesouro cultural, além de servir como cofre para as joias da Coroa - boa parte da riquíssima parafernália usada nos cerimoniais reais, como coroas, cetros e anéis, fica trancafiada lá. Mas vamos por partes (sem qualquer trocadilho infame em memória dos decapitados de outrora).

Para o Arthur, o passeio valeu pelos guardinhas que ficam plantados, coitados, nas entradas principais do complexo. Encantou-se com os soldadinhos de chumbo de verdade e não foi fácil persuadi-lo a seguir em frente e visitar outras partes da Torre. Queria ficar ali, admirando aquele boneco-gente, aguardando ansiosamente o momento em que o dedicado soldado mexeria as pernas e trocaria a arma de lado. Foi, de longe, o ponto alto do passeio para ele. 



Para Amanda, o mundo é um lugar com normas a burlar. E ela quer subir, pular e atravessar onde não pode. E foi isso que ela fez. Um lugar cheio de sinais "no entry" é mesmo perfeito para uma alma ousada como a dela. Além de, claro, arrancar florzinhas dos canteiros que não podem ser tocados. Eu tento, gente, juro. 

É só se afastar para bater a foto, ela aproveita e sai correndo.

Para os outros quatro membros do grupo, adultos que se preocupam com coisas mais chatas como a origem das coisas ou o porquê de tanta pompa, o passeio foi um misto de aula de História com questionamentos menos aprazíveis do que pisar na grama ou olhar o guarda piscar, mas fazer o quê. Eu não conseguia não pensar na improvável riqueza de quem cavou e encontrou cada um dos mais de 2.800 diamantes da Coroa imperial do Estado, usada pela Rainha em suas cerimônias no Parlamento ou onde quer que seja. Como o Dudu bem observou, não é de todo improvável que parte de todo aquele ouro usado para ornar cornetas, taças, pratos, espadas e as muitas jóias reais, tenha saído de solo sul-americano, já que Portugal, que meteu a mão em nossas reservas, e Inglaterra tinham lá suas alianças... vai saber. Enfim, divagações. O fato é que toda aquela pompa me parece absurdamente deslocada de tudo, independente da origem do (muito) ouro e das pedras. Mas eu não sou inglesa, e costumo respeitar as culturas e lugares que visito. Não faço chacota, mas acho esquisito. Pronto falei. 

De qualquer maneira, diamantes eternos à parte, há outras facetas do poder ilustradas nas várias exibições disponíveis na Torre. Destaque para o terrível desaparecimento dos dois príncipes filhos do Rei Edward IV, que foram mandados para a Torre pelo próprio tio após a morte de Edward. O famigerado, que respondia pelo nome de Richard, assumiu o trono, já que as crianças herdeiras nunca mais foram vistas. Desapareceram como fumaça. Dois esqueletos foram encontrados nas proximidades da Torre muitos anos depois. Ui. Não é o Rei Leão, versão  inglesa para humanos? Quase, né?




A linda capela. Porque, né, só rezando mesmo para conseguir cortar as cabeças.

Pois bem, mergulhados de História inglesa até o pescoço, nada mais nos restava a não ser comer como eles. E fomos ao fish and chips. Amanda comeu as chips, eu comi o fish. A gororoba verde quase não identificada é purê de cogumelos (update: mushy peas, segundo a leitora Ana; provavelmente é isso mesmo, daí o gosto de nada. Ervilhas não são lá a coisa mais cheia de sabor do mundo). A julgar pela cor, cogumelos estragados. A julgar pelo sabor, cogumelos inexistentes (ervilhas, ervilhas). Mas o ketchup tava bom. 

Fala aí, se vocês não estão loucos para provar um pouquinho? Não sobrou nada. Quer dizer, o verdinho ficou no prato. Só um pouquinho, mas ficou.

Com a barriga cheia, pro bem ou pro mal, fomos esticar as pernas ao longo do Tâmisa e admirar a London Bridge, em todo seu esplendor. Assim, pra esquecer horror e pompa. Beleza, só beleza (as fotos embaçadas são fruto das mãozinhas engorduradas do Arthur manuseando a câmera durante o almoço). 



O final da tarde ainda teve passeio por Piccadilly - êta, povo bem disposto!

Encerrei o longo dia levando os meninos (os grandes) para um breve passeio pela área da cidade onde morei em 1998, Fulham. Lá, entrei em uma cabine telefônica para ouvir a voz daquela que eu adoraria que fosse o sétimo membro do grupo. Conversei com minha mãe que tem acompanhado cada linha desses posts e aproveitei para ficar sabendo das novidades de lá. Ela, claro, tratou logo de perguntar que tanta andança é essa e vocês não estudam não e não fala assim da princesa Diana e cuidado com os erros de português e etc. etc. etc.  Não falou para pôr o casaco nem tomar leite, mas chegou perto. Pode falar, mãe. Tô ouvindo tudo. Saudades, viu?

7 comentários:

Ana disse...

Olá Rita, que divertido o dia de vcs e que bom que pegaram um final de semana com muito sol.

Não sei como vc está fazendo para ligar p/ o BR, talvez já tenha encontrado uma maneira econômica, caso contrário: eu uso o serviço da "telediscount": basta discar 0844 462 9595 antes do número desejado, a ligação fica em 2p/minuto (ou seja, quase de graça). Tem um número de acesso para celular 0911 922 95 95 (13p minuto). Vou deixar o link no campo da url caso queiram ligar para algum outro país podem ver os números de acesso.

A gororoba verde parece "mushy peas", se for o caso explica não ter gosto de cogumelo :)

Uma ótima semana de muito estudo e diversão p/ vcs, bjo!

Rita disse...

Oi, Ana, provavelmente isso mesmo, mushy peas (já fiz o update lá). Bem, seja como for, tem gosto de nada, concorda? E valeu pela dica, vou recorrer ao telediscount em minha próxima ligação. Obrigada!
Beijinho,
Rita

larissa disse...

Tô acompanhando tudo, viu. Tudo lindo.

Daniela disse...

Vc não faz idéia de como eu curto relatos de viagem. Tô adorando tudo e esperando meu post (Oi,Rita...hahaha), pq eu tenho muita dificuldade de escrever email, nem te conto. Mas relaxe e tenha pressa, escreva qdo der.

Super beijo pra todo mundo aí.

Nina Vieira disse...

Londres é um lugar incrivel que armazena historias diversas. Aprecio mais as do tempo da regência. Quem me dera visitar museus ou casas mencionadas nos livros de Jane Austen!

Angela disse...

Continuo achando tudo lindo, as fotos embacadas ficaram parecendo efeitos especiais magicos, e tou curtindo as fotos das criancas de montao!
Receba minha solidariedade virtual a respeito da Amanda, Max eh assim e Ju ta indo na mesma direcao. Pega super mal para mim por que meu esforco disciplinar e tentativa de educacao fica super suspeita, por serem os dois. Juro que tento tambem!!! Mas tambem confesso que as vezes canso de tentar... :( Beijinhos!

Rita disse...

Larissa, oba!

Dani, "seu" post virá em breve!!

Nina, vocẽ visitará, sim, pode ficar tranquila!

Anginha, sigo tentando controlar o que dá, mas eles são mesmo umas pipocas. Pego firme, mas nem sempre me saio como gostaria. Vide próximo post...

Beijocas,

Rita

 
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