Lá da Escócia



Vez ou outra o Ulisses me aparece com umas bandinhas que não sei onde ele acha. De repente, lá está ele cantarolando uma ou outra canção que nunca vi mais verde. 

- De quem é essa música?, pergunto, a desinformada.
- Ah, né legal? É de uma bandinha que descobri.
- Hum.

O próximo passo é tocar as tais musiquinhas no violão, assim como quem não quer nada. Aí vou ouvindo, começo a me acostumar e, quando menos espero, lá está a tal bandinha no som do carro. Às vezes confundo com canções que o próprio Ulisses compõe e falo, desorientada: 

- Ué, esse cara tá cantando sua música?!
- Haha, antes fosse...

Pois bem, foi mais ou menos assim que conheci Idlewild, banda escocesa cheia de bons acordes. O fato de que ouço suas canções saídas da boca do Ulisses com mais frequência do que ouço os CDs da banda gerou uma identificação peculiar em minha cabeça. As músicas do Idlewild, para mim, são canções do Ulisses. É mais do que quando a gente diz "meu, essa música é a sua cara!", entendem? É como se fosse tudo uma coisa só.

Daí que em março Ulisses anunciou que o Idlewild tocaria em Londres, em abril. Limitei-me a perguntar "já comprou os ingressos?", porque perguntar "a gente vai?" seria desnecessário. E hoje fomos. 

Adorei o show, por diversas razões. Primeiro pelo lugar, o HMV Forum, que parece abandonado, meio acabadão, pequeno (portanto sem multidões) e com cara de assombrado. Para completar, a fachada do prédio está em reformas, o que deu de vez um ar de que estávamos entrando em um armazém, e não em uma casa de shows. Bom. Deve ser meu lado adolescente, deixa. Em segundo lugar porque a banda é boa demais. Mas, principalmente, porque eu sabia o quanto o Ulisses estava feliz por estar ali. Ele adora a banda e foi tudo de bom acompanhá-lo e vê-lo cantar "suas" músicas junto com os caras. 

O grupo me surpreendeu (a maioria das canções era desconhecida para mim) com sons fortes e guitarras selvagens, absolutamente maravilhosas, além de ter me seduzido de vez com uma performance relaxada e sem afetações, em que a música comandou a cena, como tinha de ser. Adorei ouvir as canções "do Ulisses" e ele cantou junto o tempo todo, feliz da vida. E agora sou oficialmente uma fã. Da banda, digo. Do Ulisses, sempre, oooohhhhh.

Pois então fica a dica. Experimentem. Tem sabor de coisa boa e serve bem para aquecer noites geladas (temperatura: 6 graus; sensação térmica: 3 graus; guitarras do Idlewild: 50 graus). E a noite foi assim: mãos frias, corações quentes.


     "Songs when the truth are all dedicated to you
     In this invisible world I choose to live in
     And if you believe that now I understand
     Why words mean so much to you (...)"

E para cantar aos berros:

     "Siiiing a soong about myself, 
     keep singing a song about myself
     Not some invisibleeeeee woooooorld" 

3 comentários:

caso me esqueçam - luci disse...

normalmente eu teria procurado alguma coisa no youtube. porque normalmente eu teria um computador com saida de som (eh! eu sou a unica pessoa no mundo que tem um pc sem saida de som).

eu sofro.

Karen S. disse...

Eu adoro essa banda... tenho uns amigos que estão sempre indo pra europa e sempre trazem uns sons diferentes....
Mto boa a banda...

Rita disse...

Lu, querida, não sofra. Fujo da "obrigação tecnológica", sabe? A gente tem de ter, tem de saber, tem de usar... blah! É bom, mas dá preguiça. ;-) Qualquer hora dessas, você cruza com a banda. Deixa anotado.

Karen, obrigada pela visita, venha sempre, a estrada é sua. Idlewild tá valendo, né? É bom mesmo. E os caras são animadíssimos, precisa ver!

Beijocas!
Rita

 
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