É aqui, mas já fechou


Obs. Para entender minha fala direcionada à Marcinha neste post, vide comentários no post "Árvores". Beijos, Marcinha!

Porta da entrada da Temple Church. Hoje não deu.

Hoje decidimos ir conhecer a Temple Church. Não, esperem um pouco. Antes devo dizer que tivemos aula pela manhã (viu, Marcinha?). Aí, depoooois, só à tarde, decidimos ir conhecer a Temple Church. Então. 

Depois de ter passado a manhã inteira estudando (não é demais dizer), pegamos o metrô, como de praxe, e fomos todos serelepes lá para as bandas da área da cidade conhecida como Inns of Court e seu vizinho Temple. Basicamente, essas áreas formam o reduto dos profissionais da área jurídica da cidade. Tribunais e escritórios de advocacia funcionam em prédios do século XV e pessoas falando em seus modernos aparelhos celulares desfilam o tempo todo por ruas cheias de história pra contar. No meio de todo o burburinho está a Temple Church, igreja erguida pelos Cavaleiros Templários, há cerca de oito séculos. 

Imagino que, em outras épocas, minha mãe gostaria de ter passeado por essas paragens. Durante muito tempo em minha infância, ela era "a advogada" da cidade. Pelo menos era tratada assim por muitos amigos, conhecidos e clientes. E em minha cabecinha de menina eu a via como alguém "importante", alguém que as pessoas consultavam quando queriam se divorciar ou resolver uma pendenga financeira, oh God. Com o tempo aprendi que ela tinha estudado muito e dado duro, fazendo faculdade quando eu e meu irmão já enchiam sua vida de uma forma que só hoje entendo de verdade e, acima de tudo, trilhado seu caminho profissional com retidão e disciplina irretocáveis. No final das contas, vi mesmo o quão "importante" ela realmente era, mas não por ser "a advogada" respeitada que foi durante tantos anos, mas pelo coração enorme que ela tem e terá sempre. E que não se aposenta nunca.

Mas divago, ó céus. Eu dizia que tínhamos ido à Inns of Court. Pois bem, passear por essa área da cidade é um pouco como viajar no tempo. Muitas das construções da região se mantiveram de pé após o Grande Incêndio de 1666 e, portanto, a cidade ali tem ares de séculos há muito passados. Há também construções mais recentes datadas do século XIX, mas para mim tudo parece velho como o tempo. Claro que vou achar tudo novinho se um dia visitar o Egito, mas por enquanto vou me deslumbrando. Adoro uma velharia. Fico imaginando a vida seguindo, as gerações se sucedendo e aqueles monumentos ali, impassíveis, vendo tudo. Ou não. Também vimos marcos de edifícios destruídos por bombardeios da Segunda Guerra, bem ao lado da Temple Church. Parece, então, que a lendária igreja escapou por pouco de ter sido também destruída.

Dragão que marcava, em outros tempos, a fronteira oeste de Londres.

Portão de acesso aos tribunais que se concentram em antigos edifícios da área.



Os Cavaleiros Templários ergueram a Temple no século XIII. Segundo li, a Ordem manteve sua "sede" no lugar até ser extinta, no século XIV. O interior da igreja tem as famosas efígies de vários cavaleiros templários (que ficaram ainda mais famosas depois do sucesso do livro O Código Da Vinci) que nós não vimos porque, não sei se contei, chegamos lá sete minutos depois de a igreja ter fechado, sorry. Só me restou tentar fotografar a fachada (acreditem, não é tarefa fácil, pois a Temple está cercada de enormes edifícios bem próximos a ela) e tentar conter Arthur e Amanda que corriam e andavam de patinete no pátio onde os Cavaleiros se reuniam para traçar planos de proteção dos peregrinos de seu tempo. Tarefa ainda mais difícil do que fotografar a igreja. 

Vai, gente, faz um esforço: ela está aí, atrás da árvore. Viram?

Tentativa número 2: o topo da fachada. A igreja é redonda, dá pra perceber?

Lá no meio do pátio, um monumento com um Templário montando um cavalo. No detalhe, aqui embaixo, um Cavaleiro Patinetário do Século XXI. :-)

Bom, mas nada nos abala e quem não tem Temple, vai de Westminster Abbey, porque hoje a gente queria mesmo era ver coisa velha. E, como já tínhamos estudado a manhã inteira, sabe Marcinha, resolvemos voltar ao St. James's Park e fazer uma caminhadinha até a Abadia (olha, só agora me toquei que foi exatamente o que o Robert Langdon fez no Código, ao perceber que nenhum cavaleiro estava de fato enterrado na Temple - nossa, que informação importante, sigamos). E fomos. Ainda bem que essa fachada foi fácil de fotografar porque, de novo, a Abadia já estava fechada. Sorry. 

Entrada principal da Abadia. As partes mais antigas do prédio datam do século XI.

Fachada oeste da Abadia, erguida no século XVIII (a gente volta lá depois e aí falo mais dela - um dos monumentos de que mais gosto na cidade).

Ou seja, hoje fizemos nada com coisa nenhuma, porque tudo já estava fechado. Mas mesmo assim consegui fazer um post sobre isso. Agora vou estudar. Viu, Marcinha?


9 comentários:

larissa disse...

Rita,
Só lembrando que estamos acompanhando tudo, viu? diariamente, e me deliciando com os cenários deslumbrantes. Muita história e arquitetura. Foi ótimo ver o caminho de Robert Langdon traçado por vocês.
Bjos!

Angela disse...

Iupi!!! Estou de volta! Tenho lido os posts todos os dias e me torturado com a falta de tempo para te mandar umas linhazinhas! Semana passada foram longos dias de trabalho, finde foi de hospedes ilustres mas no sabado a noite a farra foi cancelada pois fiquei doentona, para so hoje resurgir. Olha quase todo dia vejo tudo e penso "foi meu dia favorito" por alguns segundos e ai lembro dos outros e no final todos os dias tem sido meus favoritos. Morri de rir com as fotos "ruins" do Convent Garden, por ter lido seu comentario quando ainda estava no meio do meu deslumbre... achei tudo lindo. Apesar de ter fobia de rodas-gigantes adoraria ir na London Eye (e ate esperar as 2 horas tranquila, so nao com as minhas criancas :O ) pois acho que ela eh tao gigante que nao me sentiria em uma delas, e que vistona da cidade... E adorei as fotos das catedrais, das quais nao me canso nunca. Imagino que curticao essa primavera, aqui parece que estamos cerca de uma semana ou duas atras de voces, as flores das arvores ainda nao comecaram a cair e as tulipas chegaram a muito pouco. As folhas das arvores chegam mesmo rapidinho e outro dia acordamos e durante a noite o marrom tinha dado lugar ao verde. A graca das estacoes... mas apesar de tudo, nao trocaria suas belezas pelo gostoso verao eterno de onde crescemos :) Beijos grandes! Estou adorando a viajem! Na volta nao se esquece de voar so seis horinhas e passar por aqui ok? ;)

Daniela disse...

hohohohoho

Sua série de posts me fez ter vontade de publicar no blog os diários que eu escrevia pra família e alguns amigos na minha temporada madrileña. E em um desses emails falo rapidamente dos templários. Como, a despeito do nome, não eram emails diários e sim mensais ou quinzenais, pecam talvez pela falta de riqueza de detalhes que sobra nos seus (ADORO) e também não vem adornados com essas fotos lindas...

Mas o que eu queria dizer mesmo é que lendo os diários ontem à noite eu tive essa impressão: vão pensar "a que hs essa menina estudava?" hohohohoho

Beijão!

Anônimo disse...

Adoro o cavaleiro patinetário do sec XXI saudades!
Beijos kaka

Marcia disse...

Querida Rita,

Eu sei que você é uma mulher séria e estudiosa, mas eu não resisti a te provocar com a expressão mais manjada do mundo: "é prá inglês ver" porque achei divertido...
Estou adorando curtir sua viagem e as aventuras das crianças.
Conta mais, conta mais...

Agora, se você resolver falar das aulas até a sua mãe vai querer ler porque você torna até a leitura do diário oficial um assunto interessante.
Mulher talentosa.

Beijo,
da sua fã

Ana Flavia disse...

To adorando sua história aí em Londres. Tao lindo, lírico.
Acompanho e gosto muito do seu blog. Te dei um selinho do Prêmio Dardos, está lá na minha pagina!
Bom fim de semana =D

Rita disse...

Oi, Larissa. Eu fiquei pensando como ele conseguiu ir tão rapidinho de um lugar para outro... ;-D
Beijos e obrigada pela companhia!

Anginha! Diz aí! Ficou boa? Hope so.
Pois é, também não me canso das catedrais. Pareço uma peregrina... mas só pareço... Com certeza voltaremos à Abadia, porque o histórico dela merece a visita e nunca vou esquecer de como fiquei boquiaberta qdo entrei lá pela primeira vez. Mal posso esperar para mostrá-la à minha sogra. Qto à London Eye, não parece mesmo que estamos em uma roda-gigante. A cabine é imensa, comporta confortavelmente 25 pessoas. Mas fiquei muito grata pela sorte de escapar da fila!
Beijos!

Dani, agora você dê seu jeito e publique os tais diários porque quero ler tudinho! Morro de vontade de conhecer Madri e Barcelona e conto com você para atiçar a vontade ainda mais! E como andam os planos para o curso de inglês?
Beijocas!

Oi, Kaka! Não é o máximo esse cavaleiro? Não tem as honras dos antigos templários, mas tem muito mais charme. Quer dizer, eu acho, né.. beijos, querida!

Oi, Marcinha! Adorei a brincadeira, não se preocupe. E fiz questão de usá-la como gancho para deixar claro pra todo mundo que passar por aqui que "nóis goza, mas nóis rala", em bom latim. ;-P Beijos e obrigada pelo carinho!

Ana Flavia, que honra! Adorei o presente, muuuuito obrigada, viu? Vou correndo ver seu blog. Beijão!
Rita

Daniela disse...

Rita, acabei publicando tudinho. Eu podia esperar pra não encher meus leitores com 14 posts pra ler né? Nao, não podia....rsss...eu tenho algo de TOC, só ia sossegar qdo publicasse tudo.

Os planos pro curso de inglês andam de vento em popa. Vou precisar da ajudinha de vocês em breve. Mando um email falando. Na outra semana, pq essa é de fechar notas e tô no olho do furacão. Beijão!

Rita disse...

Oi, Dani, vou lá ler tudo!
Bjs
Rita

 
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