Bichos presos, patinetes & reencontros


Casal de araras olhando com inveja para mim e Ulisses enquanto passávamos, livres, em frente à casa delas.

Aí ontem fomos ao London Zoo. Pronto, agora não resta mais dúvida, eu não gosto de zoológico. Não adianta. Fico incomodada em ver aqueles bichos todos presos para satisfazer nossa curiosidade. Ninguém precisa ver um elefante ao vivo, precisa? Pensa bem, eu já respeitava os elefantes antes de conhecê-los pessoalmente. E gosto muito mais de vê-los correndo pesadamente pela TV do que morgando preguiçosamente nos zoológicos. E deve ser um barato fazer um safari! Mas não gosto de zoológico.

Lembro que ver os bichos presos foi a parte que não gostei nas duas deliciosas vezes em que fomos ao Beto Carrero, em Santa Catarina. Nunca vou esquecer o hipopótamo imenso e solitário em um laguinho só pra ele. E ontem foi bom sair com as crianças, obviamente, e elas adoram ver bicho e tal, mas, ai, que agonia. Vejo, mato a curiosidade e, um segundo depois, sinto-me uma tola. Porque o coitado do bicho tá ali, confinado - não adiantam as áreas "grandes" destinadas a eles; são infinitamente menores do que o tantão de espaço que eles teriam se estivessem soltos. 

Aí fico tentando adivinhar a história do tigre de Sumatra. Era uma das atrações que eu queria ver, confesso. Eu tinha lido que ele era enorme e coisa e tal. Aí vi. É enorme. É lindo. Impressionante. Preso. E como ele foi parar ali, gente? Quem trouxe? Como capturou? E o stress do bicho? Ah, não é assim? Ele já nasceu em cativeiro destinado a um zoológico? Hum... Whatever, ainda não gosto. Uma coisa é manter alguns exemplares em cativeiro para estimular a reprodução e tentar salvar a espécie; e soltar os bichos em seu habitat depois. E com certeza o London Zoo serve a pesquisadores e cientistas, mas... ah, sei lá, viu. Prefiro os jardins.

Aí fomos para a ala dos bichinhos besourentos. E o zoológico tem barata exposta como se fosse algo que alguém quer ver. Tá bom. Bem, gostei de ver o imenso escorpião, esse sim, pode ficar lá bem presinho. E também conheci a senhora aranha tarântula mexicana, arriba arriba, que come pássaros! Uau. Pode ficar lá quietinha também. Mas aí passo pelas araras e por uns pássaros enooooooormes, aves de caça, como um abutre, acho, enorme, gigantesco, para sempre confinado em um viveiro que não o permite alçar os voos para os quais suas asas poderosas (que ele nem sabe como bater ali dentro, tadinho) foram feitas. Ah, não dá. 

Mas nem tudo foi reclamação. Para chegar ao London Zoo, caminhamos ao longo do Regent's Park com suas tulipas e centenas de pessoas curtindo o dia mais quente da primavera até então. Gente andando de bicicleta, batendo papo, lagarteando na grama, lendo à sombra das árvores, passeando pra lá e pra cá. E nós lá, caminhando rumo à bicharada estressada. Quer dizer, nem todo mundo ia assim, caminhando, simplesmente, porque o Arthur agora anda a bordo de seu patinete envenenado, presente da vovó. E a Amanda quer um também. Tá certo, né? Preciso achar uma loja de joelheiras.



Um dia depois, com as pernas doloridas de tanta caminhada, paciência. Lá fomos nós pro mundo outra vez (nada de fumaça por aqui, mãe). O domingo foi ainda mais quente que o sabadão. Dessa vez, voltamos ao Kensington Gardens, para levar as crianças a um dos parques infantis da área, o Diana Princess of Wales Memorial Playground. A visita a esse parque estava no topo da nossa lista de prioridades, porque o lugar tem como tema a história do Peter Pan. E não sei se vocês lembram, mas o Arthur é fã do menino que não queria crescer. 

O parque tem balanços e escorregadores, mas sua grande atração é o grande galeão dos piratas, "ancorado" em uma pequena enseada, onde a criançada pode deixar a energia subir a níveis impressionantes. E deixar os pais loucos. Porque o que aquele parque modernésimo do Holland Park tem de seguro, esse tem de radical. E haja adrenalina. O navio tem um fosso onde as crianças podem pular para meter a mão na areia; ou para onde as crianças podem despencar e enfiar o nariz na areia. Porque lá não tem essa coisa de piso de borracha e cerquinha protetora, bah! Nananina. O negócio lá é pra criança "braba". E é óbvio que o Arthur e a Amanda adoraram. E, ei, onde está o Arthur? Dá uma olhada lá no alto, camisa vermelha. Viu? Pois é, o negócio foi forte. 


Mas o parque foi só o cenário para o melhor do dia. Hoje encontramos a Mila, o Colin e seus adoráveis filhotes, Enzo e Maya. Doze anos atrás, quando caminhávamos pelos parques de Londres, sentávamos na grama para papear por horas, esquecidas de tudo. Hoje, nem uma foto do reencontro conseguimos fazer. Conversamos aos pouquinhos, entre um pulo e um susto, entre uma cavada na areia e um empurrão no balanço. Mas adorei. Adorei ver minha amiga toda feliz, com seu mesmo sorriso aberto e olhar intenso, mãezona de sua cria linda, feliz com seu companheiro que um dia olhou pra ela num pub e caiu de amores. E eu estava lá pra ver o início de tudo, então sou meio madrinha, sabe? 

Maya e Amanda no balança, Colin fornecendo o combustível

Feliz

Parceiros, Arthur e Enzo

Em um parque tão radical, o susto do dia poderia ter vindo de um tombo ou torcida de pé, mas não, emoção pouca é bobagem. Enquanto a Mila me ajudava a tirar a Amanda do navio, Maya sumiu. Assim, puf. Por cerca de quatro minutos (quatro séculos), percorremos o parque aos berros de Maya! Mayaaaaaaaaa! Maaaaaaaaaaayaaaaaa! E ela lá, no escorregador, nem aí pra nós. Ufa.

Lambuzados de areia, seguimos Arthur e Enzo em seus patinetes até o restaurante mais próximo para, de novo, mal conseguirmos conversar no meio de tanta criança e falação. Mas brindamos aos últimos doze anos que foram tão cheios de vida para nós duas e que nos trouxeram aqui hoje para festejar nossa amizade e nossas famílias.

Depois de nos despedirmos da trupe da Mila, voltamos para o parque (é, meu povo, vou voltar para o Brasil com as pernas saradíssimas de tanta caminhada!). Mas pegamos mais leve e ficamos de preguicinha nos jardins da casa da Diana, para alegria da minha querida sogra que é fã incondicional da princesa. Enquanto Amanda dormia no carrinho, eis que finalmente tivemos esquilos alimentados. Vários vieram comer nas mãozinhas do Arthur que ficou todo bobo. 


Minha sogra, no jardim do Kensington Palace

Detalhe do jardim


Voltamos para casa de ônibus lotado, obrigada. À noite, três adultos se arrastavam pela casa preparando o jantar e dando banhos em duas pipocas espoletas que pareciam ter acabado de acordar. Alguém explica de onde vem tanta energia? 


4 comentários:

larissa disse...

Rita, até agora adorei todos os lugares que vocês visitaram, as fotos e tudo mais, fiquei com inveja da dona Tereza, eu também ou fã da princesa, beijos!
Verônica

Angela disse...

Que docura de reencontro, delicia poder sentir a presenca fisica de todos depois de tantos anos heim? Eu reencontrei com umas amigas aqui depois de uns dez anos depois que voltei para aqui e vez ou outra nos reencontramos. Da ultima vez, no ano passado, o reencontro foi por tres dias em uma reserva florestal. Eu estava com os dois, duas tinham um cada, outra tinha um e tava gravida. Ninguem conseguia falar com ninguem, so brincar com as criancas alheias e cuidamos delas em conjunto. Duas estao gravidas novamente, uma de gemeos. Da proxima vez serao nove criancas! Bater papo nao batemos, nem bateremos, mas nao ha coisa melhor! Que Arthur e Amandinha solidifique as suas novas amizades e aproveitem ainda mais com os novo companheirinhos!!

Caso me esqueçam disse...

nossa! eu passo dois segundos longe desse blog e, quando vejo, voce tah em londres! UAUUUU! li muitos posts! vi muitas fotos e adorei tudo, tudo! fiquei muito empolgada, parecia mais que era eu quem tava nas fotos hahaha eh porque quando a gente tah desse lado (do atlantico) e ve uma outra realidade, eh mesmo empolgante. e sei que as fotos, mesmo as mais bonitas, nao fazem justica à beleza real. mas ainda assim me empolguei! principalmente com o museu (nao sei se eh minha veia historiadora ou de curiosa. alias, nao sei onde começa uma e termina outra).

mas o que eu mais gostei mesmo foi a forma de tu narrar as (re)descobertas. gosto da coisa leve, do respeito à cultura alheia. poucas coisas me irritam tanto quanto alguem que soh tem coisas preonceituosas a dizer quando conhece um lugar novo. detesto quando tem gente que vem aqui pra "confirmar" que frances eh mal humorado, eh mal educado e fede. bla. odeio esses cliches. gostei da narracao leve e desenrolada. gostei das impressoes. gostei muito. soh fiquei meio angustiada com o caso da antena no ouvido (meu deus!) mas passou, neh? :)

ah, eh muito bonitinha sua relacao com tua mae. a minha nem sabe da existencia do meu blog. mais bon...

que legal! curta muito mesmo! dessa vez nao tem como eu perder mais nada porque eu lembrei de adicionar teu blog aos favoritos. tava na hora.

bom, eh isso! boa viagem! :)
beijo!

Rita disse...

Oi, Verônica!!! Minha mensageira! Tudo bem? Até que enfim você dá as caras por aqui, né? Obrigada pelo comentário, volte sempre e fique à vontade. Nem tenho como agradecer sua gentileza em imprimir os posts para levar pra minha mãe.. afe! Vê se convence tua amiga a comprar um outro computador com uma impressora decente, pelo amor de Deus...

Beijão!

Anginha, e não é assim. Hoje a Mila ligou e meio que combinamos uma saída "a duas" para pôr o papo em dia. Vamos ver se rola. :-)

Caso me esqueçam, que honra! Muito obrigada por seu comentário supergentil. Fiquei toda fofa porque adoro seu blog e tenho seus posts em alta conta. Tem mais seda aí pra gente rasgar? :-D
Estamos adorando nossa curta estada (são só dois meses), e acho que estamos conseguindo aproveitar direitinho. Há muito pra se ver e fazer ainda, mas vamos indo. Valeu pela companhia, fica aí! (Estou na torcida pelo lance do emprego!!)
Beijos!

Fui, pessoas.
Rita

 
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