"Sozinha, mamãe"


Não sei quando a minha filha de dois anos vai perceber que pode contar com a gente. Ela até aceita um ou outro agrado, quando quer, mas, no geral, ainda não se deu conta de que aceitar ajuda não necessariamente ameaça sua independência.

Como boa parte das crianças de dois anos e meio de idade, Amanda já tem muita autonomia. Come sozinha, corre destemida a velocidades insuspeitas para alguém com menos de um metro, conversa e se faz entender, usa o banheiro, escolhe os brinquedos, monta quebra-cabeças, folheia livrinhos, dá opinião (essa busa não, mamãe, essa aqui), liga e desliga DVD players, TVs, aparelhos de ar. E tudo ótimo. A questão é o excesso de autonomia que ela acredita ter e que a leva a rejeitar ajuda em momentos em que uma mãozinha seria muito bem vinda.

É muito bom vê-la tão independente, claro. Mas andar de mãos dadas em algumas situações, além de prático, é mais seguro. Mas ela não quer saber disso. E colo é algo raro, claro. Porque ela não veio ao mundo pra ficar no colo. Amanda quer subir a escada (a rolante também), descer a escada, escalar o corrimão da escada, escalar o armário, subir na cadeira (no cadeirão, que ainda usa, também), descer do banco alto, entrar e sair do carro, abrir, fechar, trancar e destrancar portas, quaisquer portas, lavar o pé, escovar o dente, servir a farofa, nadar, tudo sozinha.

E por mais que eu admire sua independência, há vezes em que sou obrigada a pegar firme e ameaçar interromper o passeio caso ela não aceite o colo para subir a escada rolante; ou dizer que estou vendo uma supercacaca no dente para que ela me deixe escová-los sem grandes berreiros (porque se não deixar, vai com berreiro mesmo); ou pô-la de castigo por ela ter escalado pela milionésima vez uma banqueta alta e sem nenhuma estabilidade. Tuuudo normal. Mas, ah, eu queria que ela aceitasse uma ajudinha de vez em quando, ah queria. Sem criar caso, só pra variar. É que tanta independência não veio sozinha. O pacote inclui ainda um gênio forte e uma acentuada disposição para confrontações. E dois pulmões fortes. Bem fortes.

Oi, mãe, tudo bem? É, eu sei. Mundo redondo, né? Ô coisa.

9 comentários:

Anônimo disse...

Ai, ai! Essa é das minhas! Nada de criar dependências na menina! Interdependência, sim!! Eu acho que um dia ainda votarei nessa sua filha pra presidenta!Será que viverei tanto tempo?
abs,

Nakereba

Angela disse...

Rita, quase tudo que voce descreveu ai sao tipicos de Max, com excecao do genio forte que isse ele nao tem nem um pouco. Em compensacaaaaao... Julia, com um ano de dade, sobe escada, desce escada, abre e fecha gavetas, armarios e portas (ai meu coracao), ja arrancou a colher da minha mao para comer sozinha, ja gritou comigo quando cortei a comida em pedacos pois ela quer pegar inteiro e dar mordidas, quer beber em copo aberto, limpa a boca com o guardanapo, atende o telefone celular sem bateria, tira a roupa sozinha (com excecao de ziperes e botoes), carrega coisas maiores do que ela, empurra Max, eh uma lista sem fim de coisas que nao lembro Max fazer nessa idade. O genio? Eh um Genio. Obstinada, quando quer tem que ser, nao tem quem a distraia e ela nao esquece dos seus objetivos, braba, ja comunica a maior parte do que ela quer atraves de gestos e gritos, roda a mao nas coisas que damos a ela se nao forem o que ela pediu, e tem pulmoes que sai de baixo. Desde bebe eh assim, com uma semana de idade ela gritou comigo (nao grito de choro de bebe, grito de raiva/bronca) quando a movi para trocar de lado durante a amamentacao. Pete estava com a gente e nao acreditou. Menina, eh uma loucura, quase todos os dias eu e ele comentamos e tememos o que esta para vir. Como eh mesmo que terminou The taming of the Shrew?

Kaka disse...

Adoro meninas assim...decididas e pronta para novas descobertas. Os adultos tem a mania de querer descobrir tudo primeiro e ás vezes encontram uma menina assim, determinada a descobrir sem interferência dos adultos, para os pais é um pouco assustador porém se fecharmos o ângulo da observação podemos observar quantas descobertas nós adultos atrapalhamos por nossos excessos, receios e medos...Estive me uma festinha de aniversário estes dias e tinha uma pequena tentando tirar a bolinha que havia caido na lateral, a menina criou várias hipóteses para tirar a bolinha, quando estava quase conseguindo a babá foi lá e pá, pegou a bolinha...não me controlei e falei poxa! ela estava quase conseguindo. A menina olhou para ela e desatou a chorar.Conversamos e a babá pediu desculpas, colocou a bolinha no lugar e a menina se superou tirou a bolinha em menos tempo do que o início da brincadeira! Parabéns!

Vivien Morgato : disse...

Rita, adorei o estilão dela.;0)
Com Daniel eu descobri um truque: como ele sempre queria correr na frente, cada vez que eu dizia "estátua" ele parava ( nas posições mais insólitas, claro).
Outro dia a gente estava andando e eu fui na frente, sem ouvir o que ele dizia, meio distraída.
E o moleque, com seus 17 anos, nem esperou pra me sacanear:
"estátua, mãe...rs"

Rita disse...

Óia, como a teimosia da Amandinha fez sucesso, hehehe. Então, eu poderia dizer "ah, vocês não têm de domar a fera!!" Mas não digo, não. Eu admiro pra caramba também.

Nakereba, olha, pra presidenta, não sei; mas pra prebirrenta, é ela. Vixe, nunca vi...

E aí, Anginha, tá obedecendo a Júlia direitinho? Anda na linha, hein!


Kaka, ah eu tento bem não me atravessar na frente deles; no caso da Amanda é mais fácil porque ela não deixa mesmo...

Jarid, Jarid, o mundo é redondo, querida, espera aí... ainda vou babar com outros transtorninhos indianos, ah vou... ;-)

Vivien, ela é uma graça, você precisa ver. Tão senhora de si, um barato. Vou tentar o 'estátua' no próximo shopping. Porque "não pode correr" não tá funcionando muito bem. :-)

Beijocas, pessoas boas!

Rita

Anônimo disse...

Menina, imagino voce ai com Amanda, pois Raquel é desse jeito, e com genio fortissimo. Chego a me preocupar. Engracado essa da farofa, pois Raquel tb quer servir a farofa, ainda hj no almoco foi ela a servir, a questao é que ela gosta, e quer colocar um monte. Agora a escada rolante, nao tem jeito, nao quer colo, ja tem um tempo que ela ja vai apenas com eu ou o pai pegando na mao, morro de medo. E ela ainda fica sem querer deixar pegar na mao, pode?? Mas, pegamos, claro. Com relacao a nadar, ela nao nada, mas ela pensa que nada, e detalhe, nao quer a boia, nao quer que peguemos na mao, eh um Deus nos acuda. Ela simplesmente vai para a borda da piscina e: "é um, dos, tês e ja" dai pulo, pode? Toma um monte de agua, fico ate preocupada com a quantidade de agua que ela ingere.
Amandinha, voce, Raquel e Julia precisam se encontrar. Angela nao se preocupa que Amanda e Raquel cuidam de Julia, isso se Juju quiser. E a farofa, quem serve? par, impar.
beijos Amandinha super, super,
Ju

Anônimo disse...

Oi, Rita...

Querida cunhada,


Esse texto vai ficar meio capenga: o teclado não está aceitando exclamação, interrogação e alguns outros sinais, inclusive os parênteses - eita, esqueci se é parênteses ou parêntesis. Nada não, tô aceitando minhas imperfeições linguísticas, kkk.

Sendo assim, conto com 'sua astúcia' - qualquer semelhança com o chapolin colorado será mera coincidência - para me fazer entender.

Já fazia um tempão que não vinha por aqui. Tem uns textos que, confesso, pulo, pela falta do tempo mesmo - tô no intervalo de um plantãozinho básico. Mas quando você fala da Amanda é um negócio bacana... Cara,'essa busa não'...

Ritinha. Eu queria. Eu me esforço para resistir. Mas não resisto. Nem vou dizer mais nada... Mas pergunta prá minha mãe. A sua sogra, aquela que te deu o Ulisses e as flores vermelhas. Leva a mal não, mas acho que ela te deu um pouco mais.

Segura essa menina, Rita. Pode crer: vai ter horas que você não aguentará a chateação...kkkkk.... Falo por mim. E, pelo que vejo, por ela também. kkkkk

Beijos, muitos. Saudades, mais ainda - eu queria exclamação, mas não deu. Também queria parênteses, ou parêntesis - esqueci -, mas tão em falta.

AMO VOCÊS...

Livia Luzete disse...

Rita, é lindo de ler, mas no dia-a-dia sei que cansa. Te entendo e muito. A Flora que hoje tem 10 anos e está mais digamos...respeitadora dos códigos sociais também foi super independente como a Amanda!! A minha fórmula foi ser mão firme e as vezes até meio madrasta. Deixava subir...para cair. Resolveu?...não totalmente, mas demorava para a acontecer a próxima tentativa. A Flora veio para desestruturar a linda idéia que eu tive com o Pietro, de maternidade serena: sem conflitos, sem birra,sem brigas, sem castigos.
Beijo e bom fim de semana.

Rita disse...

Oi, Ju. Juju + Raquel + Amanda = mães descabeladas. A conferir.

Oi, Lilian. Olha, não sei como se faz para "segurar" a Amanda. A gente tenta. Depois te conto onde deu.

Livia, tudo bem? É, minha filha... o trem é forte! Hehehe... ainda bem que ela tem também seus momentos doçura e uma carinha absolutamente irresistível. E,cá pra nós, vejo teimosia mais como qualidade que defeito, viu? Tem muita coisa boa na minha vida que veio com a teimosia. Claro, a vida ensina também que existe a teimosia burra. Mas ela vai perceber a diferença, com certeza.

Beijinhos!
Rita

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }