O Oscar, uma enfermeira ruim e um Coelho confuso


Com dez filmes concorrendo ao prêmio de melhor do ano, e eu tendo assistido a apenas dois deles, não deveria abrir minha boca para dizer um "a" sobre as vontades da Academia este ano. Mas sabe como é que é, só de brincadeirinha, pode. 

Até ontem, os "votos" aqui de casa eram para o único filme selecionado que tínhamos visto, Avatar. Melhor filme, maquiagem, efeitos, defeitos, aliens gracinhas, melhor floresta. Imbatível. Aí  ontem fomos à locadora (Arthur locou Toy Story 2) e nós, assim do nada, catamos Distrito 9 na prateleira. Pronto, findou-se a unanimidade.

Avatar continua o mais lindo e azul. Ponto parágrafo.

Distrito 9 é mais "realista", se é que esse termo pode ser usado quando se fala de filmes de ficção científica. Pandora brilha e tem chuvinha encantadora de sementinhas incandescentes, mas a favela de Distrito 9 vai mais forte no nosso estômago. (Falando em estômago, ao contrário de Avatar, que pretendo rever muitas vezes, jamais assistirei Distrito novamente, assim, bem a la Scarlet. Porque todo aquele sofrimento e toda aquela angústia não precisam ser experimentados duas vezes, vocês hão de concordar.) 

Foi muito bom ter visto a história dos Prawns que desembarcaram na África do Sul e foram logo transformados em favelados, porque, no fim das contas, se Avatar não levar o prêmio (que, afinal, é só uma invenção para vender mais filmes) por causa de Distrito, não vou ficar com raivinha do tipo "não é possível!". Porque é possível, sim. Distrito é um filmaço, mas sem afagos. Tudo dói. E digam-me se as cenas dos alienígenas catadores de lixo não nos parece tão desconfortavelmente familiares, causando aquela vergonha horrorosa por conseguirmos ignorar boa parte de nosso mundo com tanto conforto? Sabe o que filme faz? Olha nos nossos olhos e pergunta: e se o jogo virasse e você mudasse de lado? Hã?

Não deve ser à toa que os Na'vis nos deixam com vontade de "quero mais": Avatar é docinho. Quanto a Distrito, suspendi a respiração no primeiro terço do filme e acho que só respirei de novo quando tudo acabou.

Agora, se nenhum dos dois ganhar, aí vou fazer bico. De brincadeirinha, mas vou.

* * *

Tá, esse era o post que estava na minha cabeça, mas vou fazer um adendo para registrar fatos relevantes do dia (vocês sabem, relevante para meia dúzia de pessoas, mas ainda assim).


Em primeiro lugar, hoje foi um dia importante na saga Dentes do Ulisses. Meu marido encontra-se neste momento (noite de sexta-feira) deitado em cama esplêndida, recuperando-se de uma cirurgia para correção das gengivas e das raízes de alguns dentes. Acho que é isso, alguma coisa nesse sentido: corrigir a gengiva para abrigar a raiz, ou cortar a raiz por causa da gengiva, ou as duas coisas juntas de uma vez só ao mesmo tempo. 

Coitado. Boca inchada, gengiva costurada, cara pálida, só líquidos e cremosos, não caminha, não pega em peso, não conversa muito, um comprimido, outro comprimido, não fala, não ri, não não não. Eu, enquanto enfermeira, sou ótima costureira: fui acompanhá-lo ao consultório do cirurgião-dentista e, nervosa demais para ficar na sala de espera, resolvi bater perna na rua ao lado, aproveitar para ir ver umas coisas para a viagem. Aí volto ao consultório duas horas depois (a cirurgia, segundo me disse a assistente do dentista, duraria cerca de duas horas e meia) e o convalescente já estava lá, tadinho, compressa na boca, sentadinho, esperando por mim que iria trazê-lo para casa, de cortar coração, vejam que megera. Ele lá me esperando e eu caminhando na calçada. Aff. Mas prometo fazer sopinha. Amanhã, porque hoje o grogue só dorme. 



E em segundo lugar, compramos as passagens. Agora preciso convencer o Arthur a não se preocupar, o Coelho da Páscoa vai achá-lo onde ele estiver. 

4 comentários:

Angela disse...

Ave, aquela bendita cirurgia... Pete fez no fim do ano passado, uma semana antes do feriado de acao de gracas (o da comilanca sem fim...). Achei uma brutalidade, e ele tambem. Tinha conversado por cima com o dentista mas nao tinha se inteirado sobre como se dava o procedimento. Ele descreveu e eu quase desmaiei. Boa sorte para Ulisses e voces, o negocio eh desagradavel e de cara assim parece que nao vai ficar bom nunca mas daqui ha uma semana vai estar bem melhor sim. Beijao!!

Rita disse...

Oi, Anginha!

Menina, o Ulisses tá otimo hoje (sábado). Sem inchaço, sem dor e muito pouco incômodo. Chega a ser perigoso, porque o repouso dele tá muito furado. Mas tá passando fome, né... só sopinha, iogurtes e sorvetes não seguram não... Mas amanhã acho que ele já vai encarar um macarrão. Tá sendo bem mais light do que esperávamos, êba!

Beijitos,
Rita

Nardele disse...

Poxa, que bom! Depois conta como ficou, tá? Tem transtorno agora, mas depois fica tuuudo bem!

Sobre os filmes, eu não vi Distrito 9. Mas vi Avatar e outros da categoria melhor filme, como Amor sem Escalas, Up - Altas Aventuras, Bastardos Inglórios e Guerra ao Terror. Eu acho que Guerra ao Terror leva! É um filmaço, um filmíssimo. Bem duro também, e super tenso, chocante, mas é maravilhoso e extremamente bem feito! mas ainda quero ver todos os outros, mesmo não sendo pra amanhã.

;-)

Rita disse...

Oi, Nardele. Estou morrendo de vontade de assistir Guerra ao Terror também! Mas agora só depois, hehe. Ah, vi Up também. Mas Up concorre a melhor filme? Putz, não é melhor animação? Ai, tô por fora..

Bjs
Rita

 
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