O nome



Ontem minha mãe perdeu uma amiga. As duas, minha mãe e sua amiga, trabalharam no mesmo lugar por muitos anos e, em certa época, não era raro vê-las juntas lá em casa, por horas e horas, trocando ideias, rindo, resolvendo, comentando. Mas elas dividiram ao longo da vida outra coisa em comum, além do local de trabalho: o mesmo nome. Então as duas foram, por muitos anos, Bernadete da Prefeitura. Ou Bernadete de Paulo, nome do irmão de uma e também do marido da outra. 

Pois bem. Ontem minha família tomou um susto. É desconfortável escrever sobre o que tomou ares de alívio para nós, porque na verdade sentimos muito pela morte da Bernadete, amiga da minha mãe. Minha mãe está triste, nós nos solidarizamos com ela. E não há absolutamente nada a se comemorar diante da tristeza da família de Bernadete. Mas para nós houve o susto. E depois o alívio.

Eu estava reclamando da sanduicheira da nossa cozinha, que ela não é mais a mesma e tal, quando meu telefone tocou. Do lado de lá, meu padrinho, que vive atualmente em Curitiba, perguntava com voz nervosa e tom desconfiado se eu havia recebido alguma notícia vinda da cidade da minha mãe, no interior da Paraíba. Falei que não, perguntei o que estava acontecendo e ele, carinhoso, desconversou, disse que alguém estava tentando entrar em contato com ele, mas não estava conseguindo, bla bla bla. Tadinho, só depois entendi sua aflição. Disse-lhe que entraria em contato com minha mãe e logo voltaria a ligar, que ele ficasse tranquilo, certamente nada grave havia acontecido com quem quer que fosse da família, pois ninguém havia me ligado. Assim fiz, desliguei o telefone e liguei para minha mãe, que atendeu com voz tristonha e me contou da morte de sua amiga.

Contei a minha mãe sobre o estranho telefonema de meu padrinho e...  somamos um mais um e juntas entendemos o que tinha ocorrido. Algum conhecido ouviu a notícia da morte de "Bernadete da Prefeitura" e avisou nossos parentes distantes. Estava espalhado o rebuliço na família, em vários cantos do Brasil.

Liguei de volta para Curitiba e conversei com minha madrinha, tranquilizei a todos, voltei a falar com minha mãe, tudo esclarecido. Mais tarde, um outro primo ouviu surpreso a voz da minha mãe por telefone e apressou-se em ligar para outra meia-dúzia de pessoas...

Acredito que meu coração retomou o ritmo normal dos batimentos cerca de três horas depois do jantar.

***

À família da Bernadete, nosso abraço e carinho.

2 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Triste, ver as pessoas indo é f***.

Rita disse...

Oi, Vivien.
C'est la vie...

Bjin!
rita

 
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