Happy days




Não basta ser feliz, é preciso reconhecer a felicidade. 

Certo dia, durante o curso de Letras, eu caminhava por uma passarela que conduzia à biblioteca do campus, conversando com algumas colegas de curso, pilha de livros e apostilas na mão, cabeça meio baixa, observando a calçada onde pisávamos e pisávamos e pisávamos, quando, em certo momento, não sei por quê, levantei o olhar e observei um grupo de estudantes que vinha na direção contrária. Nunca vou saber quem eram os outros, mas um deles me chamou a atenção instantaneamente. Era alto, muito bonito, roupas de grunge e um cabelo longo maravilhoso preso em um rabo de cavalo. Olhei o tanto que pude naquele breve momento em que nossos caminhos se cruzaram e logo depois comentei com minhas amigas que eu certamente tinha acabado de ver o menino mais bonito da faculdade. 

Nas semanas que se seguiram, viciei-me em uma nova brincadeira: tentar adivinhar se aquele era um dia em que encontraria o moço bonito novamente.  Procurava na biblioteca, nos corredores, no estacionamento, nos pontos de ônibus, nos quiosques e barraquinhas de lanches,. E, quando o via, o dia era um dia bom. Quando não, era sem graça, mas sempre tinha o dia seguinte. E assim, olhando de longe, admirando a beleza e pressentindo a essência, apaixonei-me. Violentamente. 

Um dia, a Seleção Brasileira de Futebol venceu e era copa. E foi a melhor festa de comemoração de semifinal da história, pelo menos da minha história, porque o rapaz alto estava lá. E dançou comigo. Assim, sem falar nada, simplesmente se aproximou e segurou minha mão e me fez dar uma simples voltinha enquanto meu coração, esse sim, dançava aos pulos atrapalhados e confusos e para todo o sempre irremediáveis. E minha vida mudou.

Muita coisa aconteceu nos anos que se seguiram àquela festa que para mim teve muito pouco a ver com futebol. Algum tempo depois, quando namorava o rapaz alto e bonito, eu já tinha aprendido, com grata alegria, que ele era uma pessoa boa, dessas que a gente queria ver povoando o mundo e só dessas. Não demorou muito para perceber a preciosidade daquela alma que, nunca vou saber por qual razão, passou a fazer parte da minha vida. E aí é que está o que quero dizer. Naquele tempo, em que vivia os primeiros anos de minha história de amor, havia dias em que sentia uma alegria melancólica, porque, apesar de estar com ele, já pressentia a separação. E nesses dias, meu olhar se perdia nas imagens à minha frente e eu pensava como seria maravilhoso, quase sobrenatural, se aquela separação pressentida nunca acontecesse, como eu seria... feliz, em quaisquer circunstâncias.

A vida é estranha, às vezes, e a separação aconteceu.

Mas o rapaz bonito um dia voltou. E construímos o segundo capítulo de uma história sem a qual nem consigo entender minha caminhada no mundo, sem a qual minha estrada seria confusa, com atalhos errados. E lembro nitidamente que um dos maiores desejos que eu tinha naquela época em que o amor nascia forte no meu peito era de dividir a vida com o rapaz alto de cabelo comprido, era ter coisas em comum, uma rotina, problemas para resolver, planos juntos, segredos, códigos, risadas. Eu queria estar com ele, simplesmente. 

E agora que estou e tenho estado por já tantos anos bons, quero registrar que sei que sou feliz. Porque de nada adiantaria ter o sol e nem se dar conta disso. Mas eu sei e quero dizer. 

Ulisses, meu amor. Só isso. Mas o bom é que posso dizer todo dia, o dia inteiro, se quiser. E era isso que eu queria.


***

E isso me passou pela cabeça hoje porque você me apresentou aquela banda nova no som do carro. É que eu pensava, naquele tempo: putz, e ficar com ele ainda tem a vantagem de conhecer um monte de banda boa... ;-P

12 comentários:

Iara disse...

Que linda ahistória de vocês. A minha é menos romântica, sabe? Mas somos felizes, ô se somos. Todo o resto é acessório, né?

Anônimo disse...

Linda e emocinante a história de vocês! Como já falei outras vezes, daria um belo filme de amor. É maravilhoso vocês dois estarem juntos, caminharem juntos. Para sempre.
Abraços para você e Ulisses,
Ju

190604 disse...

Oi Rita, eu sempre to lendo esse blog.. é uma injeção de arte no meio do nosso dia.
mas bem que vc podia falar algo sobre as bandas novas que descobriu rsrsrs, assim de um jeito de crônica mas que a gente ia procurar no youtube pra descobrir tbem... bye

Daniela disse...

Lindo. Só isso.

Luciane - Curitiba disse...

Oi Rita, sou eu, a Lú, mamãe da Lelê-piratinha.
Quero agradecer-te pela resposta e pelo carinho e dizer que seu blog já foi colocado na minha lista de favoritos. . .ele é mesmo inspirador!! Também tenho uma história linda de amor e agradeço a Deus todos os dias por te me dado o meu "porto seguro"! Há 5 anos atrás (redundância, né?)mandei um e-mail para um grande amigo que casaria dali alguns dias para informá-lo que não poderia ir à cerimônia. Ocorre que o tal e-mail acabou indo para um "Marcus" errado, que prontamente respondeu-me que ele não era o meu amigo noivo e que não morava no RS, mas sim em Curitiba. Achei tão educado que respondi agradecendo a atenção e aproveitei para comentar que a cidade dele (Curitiba) é a minha cidade natal - na época eu morava no interior. Ele, educadíssimo e paciente, respondeu-me novamente e perguntou se poderia adicionar-me no msn. A princípio fiquei desconfiada, não costumo adicionar "estranhos", mas algo em mim dizia que ele era confiável. . .e se não fosse era só excluí-lo da minha lista de contatos, né?!! Papo vai, papo vem, foto vai, foto vem e veio o primeiro telefonema. Ele, tadinho, gaguejava. Alguns meses depois ele perguntou-me se poderia ir para Cascavel, para nos conhecermos. Hesitante, concordei. O resultado? Estamos casados há quatro anos e somos papais da Anna Carolina (11 anos) e da Leticia (2 anos e 2 meses). Às vezes fico olhando-o dormir, numa paz tamanha e então me pego mais apaixonada e feliz . . .sempre mais. . .

Rita disse...

Iara, obrigada. Não existe uma fórmula que funcione com todo mundo, né? Cada um constrói sua felicidade a seu modo. E como disse você lá em seu blog: felicidade é a única coisa realmente urgente. Beijos!

Ju, obrigada! Você sabe bem dessa saga...

190604!! Você por aqui! Olha, dessa vez, a bandinha é a Stars. Não deve ser nova não, já tem vários CDs. Ainda não pesquisei nada sobre eles, mas o som é bem bom - em algumas músicas é eletrônico demais pro meu gosto, mas as vozes dos dois vocalistas (um cara e uma garota) são ótimas, principalmente a dela. Dá um google aí: Stars. E continue passeando por aqui, suas visitas são sempre muito bem vindas. Obrigada!

Daniela, thanks, dear.

Luciane, sua história é de filme também!! YOU'VE GOT MAIL! Você tem o seu próprio Tom Hanks!! Parabéns e obrigada por dividir conosco!

Beijos, pessoas!

Rita

Angela disse...

"Se tiver de ser, sera..." Eu nao costumava dizer isso para as pessoas, ate que voce e Ulisses reaconteceram. Agora sempre digo, e com conviccao. Depois de tantos anos daquela dolorida separacao que lembro tao bem, veio a novidade do reencontro. Lembro claramente das nossas conversas ao telefone, logo depois de se reencontrarem, ele falando para voce nao comprar coisas para a sua casa pois ele ja tinha e voces iam ficar juntos, eu com um pe atras pois tinha presenciado taaaaaanto sofrimento, ele com dois pes na frente. Depois veio a noticia da uniao, transferencia para Floripa, gravidez!, casa nova. E foi notica boa atras da outra, nunca mais parou. Para mim aqui "de fora" eh como um sonho, imagino para voces. Ah, e eh um moco de bom coracao mesmo. Lembro bem do dia que o conheci, em fevereiro de 1991. Nao esqueco a epoca pois foi o dia em que fui executar o meu primeiro programinha em pascal no terminal de mainframe da universidade. Recem ingressa na faculdade, saberia que ia penar como todos os calouros, que eram super mau tratados e um pouco humilhados nos primeiros dias no laboratorio. Eu dei sorte de sentar ao lado dele, na epoca de cabelo curto estilo surfista, headphones no ouvido, ele estava programando e batendo a cabeca ao som de sabe la o que. Tive que pedir ajuda com relacao aos comandos para editar e compilar, que nao eram ensinados na aula de programacao, sabendo que ia ter que passar pela humilhacao mas tinha que completar a tarefa. Para a minha surpresa recebi a resposta em uma voz gentil, muito doce daquele moco super atencioso. De todas as pessoas la, ele era o unico com tal atitude. Sei que nao precisas de confirmacao, mas confirmo mesmo assim, ele eh um em mil! E voce tambem! Parabens voces dois pela linda historia.

IsabelaRosa disse...

Que lindo Rita! Parabéns pela emocionante história.
(até rolou lágrima por aqui)
Já estamos com saudades, quando Londres estiver mais próxima de vocês e longe da gente).
Grande bj,
Isabela

larissa disse...

Lindo mesmo.

Rita disse...

Ois de novo.

Anginha, pois é, faltou contar que você deu a ordem para ele voltar e ele obedeceu: lembra do telefonema na sua feijoada de despedida? ;-) E eu já tinha virado adepta do "se tiver de ser..." depois de vossa senhoria e Pete. Não tem condições.

Isabela, chuif, chuif, bonitinha! Chora não! E não se preocupe que levaremos vocês no coração e dois meses passam em dois piscares de olhos, assim: ;-), ;-) Pronto, já voltamos. Beijos!!

Larissa: não é? Beijinhos...

Inté, povo.
Rita

Dmesquini disse...

Oi de novo, excelente mesmo a stars, musica pra criar um climão, pra ler ou só pra ouvir mesmo (aliás é raro musica só pra ouvir), obrigado pela dica, aliás eu e a aline agradecemos, porque ela ja ta cansada de eu ter de ouvir os velhos cure, beatles, smiths e bossa nova aqui em casa hheheh, bjao

Rita disse...

Oi, Daniel e Aline.

Vai mais uma: Idle Wild. Ulisses adora e anda todo empolgado com a possibilidade de irmos ao show deles em abril. Conhecem? É bem bom.

Abraços, vocês dois!

Rita

 
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