Trânsito, imortalidade e borboletas


Com a volta às aulas, meu intervalo de almoço perdeu uma hora. Hoje descobri que o trânsito no trajeto para a nova escola do Arthur não é lento. É tartarugante. Lesmoso. Lentíssimo. Mas ele ficou bem e tá valendo. O trânsito é ruim, mas a escola parece ser boa. A conferir.

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E eis que finalmente o vento soprou forte e a temperatura saiu da casa dos 40 - já estava ficando sem graça. Tudo é mesmo relativo e agora acho 32 graus o maior fresquinho. Agora é torcer para não chover na proporção do calor dos últimos dias. Sabe como é Floripa, né?

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Vi na TV que a ciência caminha a passos largos rumo à imortalidade do homem. Dúvida: e a imortalidade do planeta? Sim, porque se não vamos mais morrer, essa casa tem de durar bem, né não? Ainda acho esse papo muito esquisito. Ninguém vai morrer, ou só os escolhidos? Quem escolhe? Ah, é pra todo mundo? Mas, onde, minha gente? On-de?

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E aí me lembrei de um livro do Saramago, As Intermitências da Morte. Lá, a Morte tira férias em um determinado país e o caos toma conta do lugar. Na imaginação do Saramago, não morrer gerou até contrabando de moribundos que eram "extraviados" na clandestinidade para finalmente morrer fora das fronteiras do país de imortais. É que ninguém mais morria, mas continuava doente... E aí fico pensando: se a ciência de fato chegar lá, a gente deixa de morrer, mas continua egoísta, consumista e arrogante? Porque se mesmo sabendo que vai morrer, o ser humano não raro se esquece de olhar para o outro, imagine-o sabedor de sua condição de imortal: não seria um adiar sem fim, um tal de "amanhã melhoro" eterno? 


E antes que alguém me chame de amarga azarenta, recito: "É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas", by Exupéry. Porque não é preciso ser Miss para lembrar d'O Pequeno Príncipe. Mais docinho que O Pequeno Príncipe? Não precisa, certo?

4 comentários:

Tata disse...

saramago, exupèry, tudo de uma vez só. uff. deixa eu ir ali respirar e já volto. ;-)

Rita disse...

:-)
O Saramago... Há poucas semanas terminei a leitura de mais um dele, O Evangelho. Gosto da ironia, da temática, das estripulias com a linguagem. Um banquete.

Beijos e obrigada pela visita, sempre. Acompanho o Bicho Solto sempre com um sorriso no rosto diante de seus textos irretocáveis.

Rita

Nardele disse...

Hoje tô na maratona de comentários... também, tanto tempo longe, estou me deliciando com tantos posts novos! :-)

Acho que a gente já comentou sobre "As Intermitências...", né? Pois eu também adorei. Saramago é sempre assim, irônico e preciso. Mas o que me motivou mais a comentar foi justamente o finalzinho. Podem me chamar de que for (só quem não leu acha bobo), mas O Pequeno Príncipe é um dos meus livros prediletos. Perdi a conta de quantas vezes eu já li. E sempre tem algo diferente. Tenho em português e em francês, esse eu ganhei de um casal de ouvintes que passou a lua-de-mel em Paris, que chique, hein!? Esse em francês é o máximo. Tem dois livrinhos, dentro de uma capinha. O da história, e um caderninho de aquarelas, os rascunhos, algumas anotações de Exupéry, uma lindeza. Outro dia ganhei de presente um conjuntinho de louças (caneca, pires e cumbuquinha de sopa) do Pequeno Príncipe. Meu sobrinho Esteban é a cara dele. Só falta pedir pra desenhar um carneiro! Mas em uma coisa a semelhança é total: ele também nunca desiste de uma pergunta depois que fez.

;-)

Rita disse...

Nardele,

quando eu tinha 2 anos (isso ainda vai virar post, pode esperar) eu era A CARA do pequeno príncipe. Eu tinha um cabelo amarelo de cachinhos curtinho como o dele, os olhos azuis e toda aquela carinha, juro por deus. Aí um dia minha mae me botou pra desfilar, tipo desfile de 7 de setembro, em cima de um carro. Eu tinha de ficar em pé, mas morri de medo e nao fiquei. Daí ela me prometeu uma boneca. Assim que o carro parou, quando o desfile tinha terminado, eu fiquei de pé e pedi a boneca...

Bjs!!

 
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