Salva pelo governo japonês



Assim, bem fininha.

Após o jantar, crianças brincando na sala. Na cozinha rolava um papo animadíssimo:

Ele: - Acho que sua percepção está um pouco equivocada: geralmente as pessoas fazem escolhas individuais; falham por falhas individuais ou têm mérito por boas escolhas pessoais.

Eu: - Sim, mas não podemos deixar de considerar o papel da sociedade em nossas escolhas. Muitas vezes achamos que nossas escolhas são individuais e não são, são meros reflexos de tradições sociais... e essas tais tradições, via de regra, pesam muito mais sobre as mulheres.

Ele: - Não acho, no meu grupo de amigos a visão sobre isso é bem definida: mulheres escolhem, mulheres rompem relações...

Eu: - O grupo de vocês não é parâmetro...

Ele: - Ora, na boa, o peso das tais expectativas sociais é igual para homens e mulheres...

Eu: - Não, não é, vai por mim. O lance do casamento, por exemplo... Mas podemos continuar esse papo depois? Quero ver o Jornal.

Ele: - Tá, tudo bem.

Chamada no Jornal: "A seguir: o governo japonês quer transformar em lei novo limite para o tamanho da cintura das mulheres japonesas."

Eu: - HAHAHAHAHAHAHA!!!!! VIU?

Ele: - Putz, esse raio desse governo japonês tinha de acabar com meia hora de argumentação... é brincadeira, viu!

Eu: - Hihihihi!!

***

No fim, tratava-se de uma medida visando à saúde da população e à diminuição no já baixo índice de obesidade entre os japoneses. E há, sim, limites previstos para a cintura dos homens também. Mas são, pelo que a reportagem mostrou, recomendações médicas. No caso do novo índice para a cintura feminina, o governo quer transformar a coisa em lei. Ah, que seja, recomendação médica ou lei, eu já tinha dado boas gargalhadas e saído triunfante da discussão. Arigatô, Japon!!


2 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Bom, assim ficou claro pra ele que vivemos em uma sociedade LIIIIVRE....hehehehehehhehe

Rita disse...

Ah, Vivien, rimos um monte, viu? O Ulisses foge bem do padrão mais machista em vigor por aí, então acho que às vezes ele pensa que a maioria pensa como ele.. quem dera.

Beijos!
Rita

 
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