Pequena enquete inquietante

 


Outro dia fiquei de papo com minha amiga Rê e comentamos sobre algumas situações em que as mulheres, ao invés de serem vistas como sujeitos atuantes em um determinado ambiente, são vistas como parte integrante dele. Assim como um vaso. Daí resolvi fazer uma pequena enquete para saber se outros leitores e leitoras compartilham dessa impressão. É, na verdade, um rascunho de enquete, uma pequena brincadeira, então usem o formulário de comentários mesmo, tá? Vamos a ela.
 
***

Em qual das situações descritas abaixo você, leitora, acha que figuramos como seres pensantes e atuantes na transformação do mundo? Ao leitor homem, pergunto: em qual das situações descritas abaixo você enxerga as mulheres como pessoas que dividem, em iguais condições, o mundo com você?
 

a) Nos salões de automóveis: mulheres em trajes sensuais "enfeitam o ambiente" e perpetuam o binômio machista mulher/carrão;

b) Nos sorteios de loterias transmitidos pela TV: modelos femininas sorridentes se balançam enquanto o apresentador lê os números das bolinhas;

c) No comercial de chinelos: homens avaliam quantos pares do produto são necessários para nos calar diante de suas condutas supostamente reprováveis;

d) Nos boxes da Fórmula 1: enquanto os homens se divertem e enriquecem, modelos femininas "enfeitam o ambiente";
 
e) No programa de auditório: mulheres dançam ao fundo, em trajes minúsculos, "enfeitando o ambiente";
 
f) A matéria de capa de uma revista, celebrando certo esportista famoso, anuncia: "ele é dono de uma gorda conta bancária e de um mulherão";

g) No comercial de cerveja... sem mais.
 
 
Dê seu voto. ;-)

12 comentários:

Angela disse...

Na situacao B, na situacao B!! Eheh brincadeirinha.
Sabes que agora fiquei curiosa para saber o como os mocinhos "enfeites de ambiente" se sentem? Vou ter que perguntar aos bonitoes que ficam na entrada das lojas da Abercrombie & Fitch so de jeans e sem camisa. Infelizmente, isso so acontece na epoca natalina. Por sinal, mais uma desigualdade entre os universo masculino e feminino...

dannah5 disse...

Olha, nao faço ideia, na verdade mulher fica de vaso em varias situações, uma vez me senti papel de parede em meio a uma discussao de familia na casa de uma amiga, todo mundo começou a brigar em japones e ignoraram minha existencia!hehe Nao foi agradavel...

Sabe, infelizmente na maioria dessas situações eu culpo um pouco a mulher tbm, q se sujeita a ficar assim, como objeto decorativo, muitas sonham com isso. Eh bem triste ver alguem se sujeitar a isso como carreira, ate pq sabemos que muitas acabam sendo "escorts" bem carinhas depois de um tempo.

Se tem uma coisa q nao sonho pras minhas meninas, eh serem artistas ou modelos, fico bem feliz se elas forem geeks! hahaha

Beijocas

Rita disse...

Anginha: é, os homens-enfeites também estão por aí, mas em quantidade bem menor. O engraçado é que quando os vejo em situações como a que você descreveu também me sinto insultada, do tipo "tá pensando que sou idiota e vou comprar alguma coisa porque sua imagem de homem-objeto está vinculada ao produto?" Ou seja, não tem jeito, acho de muito mau gosto mesmo. Mas é preciso dizer que, apesar de minha visão pouco amigável em relação a essa exploração toda, entendo que essas pessoas estão trabalhando e que têm o direito de fazer com o corpo delas o que bem entenderem. Eu me me preocupo com as consequências no imaginário coletivo, sabe, de sermos frequentemente associadas à função de enfeitar o caminho dos outros ao invés de caminhar junto. Mas cada um é cada um.

Rita disse...

Dannah, mais ou menos na mesma linha do que escrevi para a Anginha, respeito a profissõe de modelo e acho alguns trabalhos fotográficos verdadeiras obras de arte. Atrizes então! Eu adoraria seguir uma carreira artística, se tivesse talento para tal. O problema, no meu ponto de vista, não está nas profissões em si, mas no repetido tratamento dado à mulher como se ela fosse algo puramente "comerciável". Por aí.

Beijos!

Taise disse...

Eu voto em todas as alternativas,hehe em todas são pares de vasos,hehe, muito boa a comparação! Chegará o dia, espero, em que a intelectualidade das mulheres se sobreponha e desperte mais interesse do que a sua bunda, hehehe, vai depender do que nós mães ensinarmos aos nossos filhos!

Anônimo disse...

Oi, Querida!
que vontade de ler essa enquete no Jornal Nacional ou mesmo em um banquinho em praça pública. Me vem um C H E - G A bem grande na garganta pra berrar toda vez que vejo um comercial de tv com esse estereótipo de mulher objeto. Também já vi modelos homens como mencionado no comentário acima, e fiquei com vergonha por eles, logo me veio na cabeça: "deve estar precisando muito de dinheiro pra fazer esse papelão"

Beijoss

Anônimo disse...

Ai, esqueci de assinar o comentário - rsss
sou eu
Rejane

Rita disse...

Oi, Taise! Pois é, vamos ver aonde essa gurizada vai nos levar. :-)

Rejane, olha aí seu comentário transformado em post. ;-) Obrigada!

Beijinhos!!
Rita

Lud disse...

Oi, Rita!

Acho que a grande questão dos modelos homem-objeto é que isso não prejudica os homens, né? Não está ligado a um histórico de dominação e cidadania de segunda classe. Não reforça um estereótipo. Então é mais ou menos inofensivo. Ao contrário das modelos mulher-objeto. E tem um monte de gente que não consegue entender a diferença. Que acha que no dia que os homens começaram a usar maquiagem também vai ficar tudo bem. Quem dera.

Mas saindo do comentário do comentário e indo pro post: fico pensando se nós, mulheres que achamos que alguma coisa está errada, podemos fazer algo a respeito. Como mandar e-mails pros fabricantes de cerveja/automóvel/chinelo/loteria informando-os, caso eles não tenham percebido, que suas peças publicitárias são babacas e, conseqüentemente, não vamos consumir seus produtos.

Beijos!

Rita disse...

Oi, Lud!

Pois é, a coisa é um pouquinho mais problemática do que homens "conquistando" o "direito" de se vender como objetos. Concordo. Quanto ao boicote, tanto mais poderoso quanto mais mercado a mulherada conquistar. Porque de repente deixa de ser interessante mostrar mulheres seminuas para vender carro para mulheres, né? Deve ser por isso que acho esses apelos tão sem noção. Em que mundo esse povo vive? Por outro lado, vira e mexe, leio umas coisas tão machistas por aí que, no momento seguinte, penso: em que mundo eu vivo... Vamos pra frente.

Beijos!
rita

Angela disse...

Sei que estou divergindo (?) levemente do seu tema com o qual concordo plenamente, dificil nao concordar. Mas uma observacao da minha parte, nao sei se devido as diferencas do universo feminino e masculinho, ou devido a diferencas individuais mesmo... Mas sabes que quando vejo os unicos enfeites masculinos (A&F durante o Natal) que rolam por aqui, os categorizo sim como "seres pensantes e atuantes na transformação do mundo e como pessoas que dividem, em iguais condições, o mundo comigo"? Alem de admira-los mais do que os corpanzis das esculturas de Rodin, e sem alguma volupia. E, a tempo, nem um pouco me atraem a comprar os produtos, essa conexao nem me passa a cabeca (apesar de saber que eh esse o objetivo). Ah, e apesar de eu achar que sabem que estao sendo "objetificados" tambem acho que nao sentem a "objetificacao". Estranho, nao eh? Acho que os homens ainda devem estar vindo de Marte e as mulheres de Venus...

Rita disse...

Oi, Ge. Pois é, acho que esse é um ponto interessante mesmo: a objetificação é diferente para homens e mulheres; com certeza por todos os contextos históricos. Acho que você está, de repente, problematizando mais a coisa (e é bom que seja assim), enquanto eu simplesmente importo as reações que tenho em relação à exploração do corpo feminino. Será que me fiz entender? Beijocas!

 
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