O caminho e a canção



Durante a semana percebemos com prazer que o trânsito para a nova escola do Arthur até que não é assim tão tenebroso. Deve ter sido a síndrome do primeiro dia de aula somado ao fato de que a cidade ainda está bem lotada nesse período que antecede o carnaval. Sorte minha, porque hoje precisei ir à escola duas vezes no início da tarde já que eu não sabia (não podia adivinhar) que a criançada teria banho de mangueira como uma das atividades do dia. Por alguma razão o aviso não foi colocado na mochila do Arthur e então tive de voltar correndo em casa e retornar à escola com o "material" da "aula de mangueira": sunga, toalha e protetor. Tudo bem, acontece.

Então fui, voltei, fui de novo e voltei outra vez. E enquanto eu colocava o kit verão na mochila dele, num cantinho próximo à porta da sala para não atrapalhar a aula, observei meu menino na rodinha de alunos uniformizados formada no chão da sala. Foi uma olhadinha assim rapidinha, não esqueçamos a hora, e nós, eu e meu marido, não queríamos mesmo tirar a "concentração" da criançada. Então não nos demoramos quase nada. Mas foi o suficiente.

Foi o que bastou para eu comparar o Arthur de quase cinco anos de idade àquele menininho-bebê que eu já deixei na escolinha tantas vezes. A imagem colou na minha mente e, já no carro, com um suspiro profundo, percebi que ele, caramba, tá crescendo muito. Eu sei, dã. Mas alguma coisa na maneira como ele estava sentado naquela rodinha, algo na sua postura, no seu olhar, no seu meio sorriso; no fato de que ele não disparou para nossos braços como certamente o faria se chegássemos à sala em qualquer momento do dia quando ele tinha dois anos; alguma coisa na forma como os dedinhos de suas mãos se tocavam, braços apoiados sobre as pernas cruzadas em "perninha de índio"; um pouco de cada um desses pequenos sinais me mostrou num relance que meu filhote caminha saltitante por sua estrada, rumo ao mundo dele, ao muro do futuro.

Momentos antes, enquanto eu explicava à professora que eu iria voando em casa buscar o kit verão, ele já tinha entrado na sala de aula e pegado seu livrinho favorito desses dias. E o deixei lá, bem acomodado em uma mesinha, livrinho aberto, percorrendo as frases com os dedos-guias, desvendando essas tais misteriosas letrinhas. Seus amigos e coleguinhas também exploravam brinquedos e livrinhos pela sala e mais tarde todas essas fotografias mentais ficaram flutuando pela minha cabeça, enquanto um sorriso boboca repuxava minha boca. Eles são umas coisinhas. Às vezes pestes, claro, mas infância é hora de ser peste, nem que seja de vez em quando, é ou não é?

Bom, para embalar de vez meus devaneios corujófilos, o Jack Johnson (é, de novo, deixa), cujo CD colou para sempre em nosso carro, cantarolou uma cançãozinha delícia. Porque essa é uma das diferenças entre o Jack Johnson e a minha pessoa: diante de cenas ou lembranças cute-cute da infância, eu escrevo um post chocho; já ele, dá licença, compõe uma canção bacana. Mas aí pelo menos eu posso juntar os dois.

E aqui está, para Arthur, Gabriel e Helena, companheiros de "estudos" e, agora, de banhos de mangueira.
 

We're Going To Be Friends

Fall is here, hear the yell
Back to school, ring the bell
Brand new shoes, walking blues
Climb the fence, books and pens
I can tell that we are gonna be friends
Yes I can tell that we are gonna be friends

Walk with me, Suzy Lee
Through the park and by the tree
We can rest upon the ground
And look at all the bugs we've found
Safely walk to school without a sound
We safely walk to school without a sound

Well here we are no one else
We walk to school all by ourselves
There's dirt on our uniforms
From chasing all the ants and worms
We clean up and now it's time to learn
We clean up and now it's time to learn

Numbers letters, learn to spell
Nouns and books and show and tell
Play time we will throw the ball
Then back to class through the hall
The teacher marks our height against the wall
The teacher marks our height against the wall

     And we don't notice any time pass
     'cause we don't notice anything
     And we sit side by side in every class
     The teacher thinks that I sound funny
     But she likes it when you sing
     Tonight I'll dream in my bed
     While silly thoughts run through my head
     Of the bugs and alphabet
     And when I wake tomorrow I'll bet
     That you and I will walk together again
     'cause I can tell that we are gonna be friends
     Yes, I can tell that we are gonna be friends


     E a gente nem nota o tempo passar
     Porque a gente não percebe nada
     E sentamos lado a lado todo dia
     (...)
     À noite vou sonhar
     E pensamentos bobos vão passar pela minha cabeça
     Besouros e alfabeto
     E quando acordar amanhã
     Aposto que vamos caminhar juntos outra vez
     Porque eu sei que seremos amigos
     Sim, eu sei que seremos amigos


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