Menos, menos...



Minhas impressões sobre o filme Noivas em Guerra: o maior objetivo da vida de uma mulher é achar um marido, sem o qual o valor dela tende a zero. A obsessão domina completamente nossas vidas a ponto de surtarmos se algo ameaça o andamento dos preparativos para o dia em que "nasceremos" (para usar os termos da organizadora de eventos retratada no filme, para quem uma mulher está morta até o dia em que se case). 

Para ser merecedora da sorte suprema de ser escolhida (veja bem, as pessoas não se conhecem e se apaixonam; as mulheres são escolhidas) por um, oh meu deus, homem, é preciso ser linda e acima de tudo magra. Se você quiser agredir uma "amiga" de maneira certeira, envie doces de presente nas semanas que antecedem a cerimônia. Não tem perdão. Aliás, interessante como o filme retrata as "amigas" das noivas: tão logo espalha-se a notícia de que fulana foi premiada com um anel de noivado, todas surtam e começam a comer enlouquecidamente, além de enviar todo tipo de energia negativa para a sortuda. Tipo assim, quem tem amigos é homem. Mulher tem concorrentes neuróticas. 

Segundo a perspectiva do filme, o casamento - veja bem, falo da cerimônia apenas, não da convivência com outra pessoa - é mesmo o ponto alto na vida de qualquer mulher, a ponto de a personagem menos favorecida financeiramente guardar suas economias ao longo de dezesseis anos para o dia de seu cas..., digo, nascimento. 

O engraçado é que os homens são meros coadjuvantes no filme, mas ainda assim tudo gira em torno deles! Não sei quanto a vocês, mas achei meio irritante ver aquelas mulheres agindo como se ser conduzida a um altar fosse a coisa mais importante desse mundo. É comédia, sei, mas não me fez rir. Argh, eca. 

A única coisa boa foi ter assistido ao filme ao lado do meu marido, hohoho.

10 comentários:

Angela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lud disse...

Ritinha (posso ficar íntima?),

também não gostei do filme. Tenho percebido que ultimamente as comédias românticas vêm reduzindo as mulheres a palermas obcecadas em alcançar/manter uma bela aparência e em agarrar um homem. Não acho engraçado, e também não sei quem acha. Se eu fosse um pré-adolescente impressionável eu ia criar uma grande resistência a me envolver com essas loucas, as mulheres.

Há alguns dias vi um filme antigo, "Sayonara", com o Marlon Brando (jovem à época). Ele é um piloto da força aérea americana que está estacionado no Japão e, embora esteja praticamente noivo da filha de um general, acaba se apaixonando por uma bailarina japonesa.

A quase-noiva é um personagem tão legal. É ela que questiona se o Brando que se casar com ela ou com qualquer mulher como ela (fina, bem-educada, acostumada à vida do exército). É ela que rompe com ele, embora goste do moço. É ela que, quando descobre que o Brando pode ser punido por se envolver com uma japonesa, vai lá avisar. Ela não está no filme para decorar a tela ou fazer intriguinhas: ela tem vida própria.

Eu queria tanto ver mais filmes com mulheres assim.

Anônimo disse...

Oi, cunhada!

Lá venho eu, com mais um daqueles comentários enooooormes, que parecem mesmo carta, certo? Ah, quem mandou blogar? Agora tem que aguentar (rimou, rimou, rimou!!!)...

Tô ligada na película! Vi no cinema tempo atrás (como você sabe, tenho que bater meu ponto lá!). Ahhhh... coitadinha das meninas... Não seja tãããão exigente, Ritinha...kkkkkkkkkk...

Só porque querem NASCER, ser magras e viver felizes para sempre??????????????????? E toda essa apoteose começando por uma festinha básica para a qual se economiza apenas 16 anos???????? Que bobagem...

Hum, se bem me lembro, uma delas ainda trocou de noivo no final. Viu, como nem tudo é (im)perfeito?

Noivo banana, lata do lixo: moral melhor, só nas fábulas de Esopo. O mundo ainda não está perdido, apesar dos enlatados americanos!

Ei, beijão, viu? Saudades. Tenho mais coincidências para contar, mas só pessoalmente.

A propósito: como você sabe, eu já nasci. Mas acho que ainda quero casar. De novo. Acho. E, de preferência, magra (pero no mucho... kkkk). Mas prefiro economizar para visitar vocês em Londres. REGISTRE-SE.

Outro beijão!

Lílian.

Rita disse...

Oi, Lud! Fique íntima, por favor. Honra minha. Pois então, cansa né? Não vi o filme com o Brando, mas ficou anotada a dica. Obrigada!

Beijocas!

Lilian, tudo bem por aí? Ah, ando meio cansada dessas ditaduras de aparência e "passos a seguir à risca para ser normal". Blergh! Não que eu não tenha meus próprios rituais e manias, acho mesmo que ninguém escapa. Mas um pouquinho de reflexão não nos faz mal, né? A vida é mais, a vida é mais. E que você nasceu linda e loira já percebemos, poderosa! Quanto à terra da rainha, tudo ainda está no campo do "será?". Enquanto não baterem o martelo lá no serviço, não dou a coisa como certa. Mas vamos em frente... o que tiver de ser...

Beijos!
Rita

Cecilia disse...

Oi Rita!
Agora daqui de mais pertinho (estou em Floripa) to passeando na estrada anil!
Achei hilário o post, no bom sentido, mto sensato. Se antes o filme passou por mim sem fazer uma cosquinha de vontade de assistir, agora mesmo q continuaremos ele lá na prateleira e eu aqui, de preferência pulando o carnaval!

Beijocas
Cecilia (e Lúcia) :)

Rita disse...

Oi, Cecilia (e Lúcia!). Ah, então, na minha modesta opinião, não vale a pena pagar um centavinho por ele não. Se, por acaso, calhar de vocẽ passar pelo canal que estiver exibindo (como aconteceu conosco ontem) e você não tiver nada melhor para fazer... Eu até gosto de ver um filminho sem pretensões de vez em quando, mas aí gosto de me divertir. E com esse não me diverti, só achei bobo mesmo.

Beijos! AH, apareçam para ver os pequenos!!

Rita

Iara disse...

Pois é, eu não vi, porque já imaginava essa premissa. E, meu, como me cansa isso, sabe? Muito antes de ser feminista, eu já achava estranha essa coisa de dizerem que mulheres não são amigas, dessa suposta eterna competição, porque eu tenho amigas maravilhosas, adoradas, pessoas que eu tenho certeza de que só querem o meu bem. E putz, essa coisa do casamento, né? Eu não sou casada "de direito", só "de fato". Às vezes tenho vontade de fazer uma festa e oficializar, às vezes tenho preguiça só de pensar. E, poxa, o mais importante pra mim é o que eu já tenho, um companheiro bacana, com um nível de comprometimento que papel nenhum garante. Então, fica difícil fazer "o pacto" com uma história assim e assistir sem achar tudo ridículo. Tem sessões que só valem mesmo pela companhia, como você lembrou ;-)

Rita disse...

Oi, Iara!

Aqui temos o que chamam de união estável. Eu concordo, é bem estável mesmo, hehe. Acho o nome apropriadíssimo. Também não tivemos cerimônia para selar nada, mas estamos bem amarradinhos. E sabe o que é engraçado: acho legal agora a ideia de uma festa para comemorar o que deu certo, não é não? Óia, que ideia legal! A pensar.

Beijocas!!

Rita

Vivien Morgato : disse...

Esse filme é o ápice desse "movimento"..."tudo pelo casamento", ou melhor, pela cerimônia.
Muitas vezes, em filmes ou séries, vejo a aparecente paranóia de mulheres que começam a planejar a tal cerimônia desde meninas.
Sinceramente?
Aterrorizante.

Rita disse...

Oi, Vivien! É, a coisa é meio fora de foco, né? E é claro que o exagero do filme tem um propóstio cômico e tal, mas tudo é baseado em muitos fatos reais... hehe.

Beijos!

Rita

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }