Mais cigarra, menos formiga



Tchan-ans! Tive uma revelação! Tudo bem, é uma coisa meio óbvia, mas veio como um insight, assim de repente, no carro, voltando da padaria. Eu não estava refletindo sobre nada, a ideia simplesmente me atropelou, então chamo de revelação. Não vai mudar o rumo do mundo, mas o pensamento repentino me fez parar para considerar seriamente uma certa mudança de atitude. Portanto ponha aí uma música de fundo, daquelas que tocam quando o mistério do filme é revelado: perfeccionismo faz mal à saúde.

Eu avisei que não era nada demais, vocês que fizeram drama.

Bom, continuando. Assim, do nada, dei-me conta de que boa parte das pessoas com sérios problemas de saúde que conheço têm sido, ao longo da vida, pessoas muito ahn, digamos, certinhas, por falta de termo melhor. E digo "boa parte", e não "todas", para permitir certa margem de segurança e nela incluir aquelas pessoas com saúde precária cuja relação com o perfeccionismo desconheço. Mas é, na verdade, "boa parte" tendendo a "todas".

Por outro lado, várias pessoas com mais de cinquenta anos que conheço e que considero mais tranquilas, aquelas que tendem a levar a vida um pouco mais "na flauta", gozam de condições de saúde que, se não são ideais, deixam no chinelo o pessoal do outro grupo.

Eu não sei se estou falando balela, se cientificamente meu argumento se desmonta após meio contrargumento. Mas desconfio que exista uma ponta de sentido em minha recente epifania.

Na dúvida, estou pensando seriamente em pegar mais leve e me policiar (mas não muito) naqueles momentos em que um detalhe absolutamente irrelevante para o andamento do mundo ameaçar roubar minha energia. Desconfio que minha mãe vai falar algo do tipo "mais???", como se eu já fosse a pessoa mais relaxada do mundo só porque esqueço os aniversários dos familiares e nunca sei onde estão as chaves. Mas reforço que é isso mesmo, pretendo relaxar cada vez mais porque no final das contas o tempo passa muito rápido e nunca sabemos onde a vida vai desembocar. E trabalho é bom, mas não é tudo, dinheiro é bom, mas não é tudo, _______ é bom, mas não é tudo - preencha o espaço em branco com o termo que você preferir, porque seja o quer for, não é tudo.

Dito isso, deixo a busca pela perfeição para quem acreditar que precisa dela. Vou em busca de um pouco mais de desordem. Se eu falhar? Tudo bem, sem stress.

***

Interlúdio

Hoje passei alguns breves momentos na companhia de duas colegas da época do mestrado. Chamá-las de colegas ainda hoje deve soar como um insulto para elas que, ao contrário de mim, continuam com suas vidas acadêmicas bombando, multiplicando neurônios e conhecimento, enquanto tento a duras penas manter vivos meus seis neurônios que ainda não sucumbiram à rotina da repetição. Mas, população de neurônios à parte, foi uma delícia ver uma delas toda sorrisos com seu bebezinho de um mês de vida, uma garota gulosa e fofucha que ainda vai encher a vida da sua orgulhosa mamãe muito mais do que ela suspeita. Eu adorei o reencontro e espero que ele se torne frequente. Além do prazer da companhia, quem sabe não recupero uns neuroniozinhos assim... por osmose. Quem sabe? ;-)

Ru, um beijo pra você, não suma.
Parabéns, Magali!

3 comentários:

Daniela disse...

Concordo com tudo.

Eu aprendi (estou aprendendo, é um aprendizado difícil, lento, com recaídas) a não ser tão perfeccionista.

Mas precisei ter uma depressão PUNK pra aprender.

Iara disse...

Olha, meu pai tem uma saúde excelente aos 64 anos, e quase nada o abala nessa vida. Descobri com ele que muito, mais muito pouca coisa merece assim tanta preocupação. E não tem absolutamente nada a ver com a acomodação, que meu pai é guerreiro que só, mas com a percepção de que na vida a gente faz o melhor que dá, mas muita coisa não está na nossa mão. E fazendo isso, ele é um cara tranquilo, feliz, e se formando em Ciências Sociais esse ano - prestou vestibular aos 60 anos.

Putz! Será que dá pra aprender por osmoze? Eu sequer fiz mestrado, parei na graduação mesmo, e tenho aí umas amizades beeeeem sofisticadas intelectualmente. Morro de medo de não dar conta de conversar com elas um dia - minto, eu sei que conversar eu vou conseguir, mas entender os artigos publicados eu já não tenho tanta certeza...

Rita disse...

Olá, Dani e Iara!

Pois é, os relatos de vocês duas só corroboram minha suspeita... tomara que a gente consiga então tocar a vida com leveza e chegar lá nos 80 bombando!

Beijos grandes, obrigada pelas visitas!

Rita

 
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