Deixa que eu pago


Que tal um desses na traseira do carro? 

Hoje no caminho para o trabalho enfrentamos um longo engarrafamento causado por um engavetamento de cinco ou seis veículos. Não nos pareceu algo muito grave, apesar de temermos um pouco pelo motociclista que ainda estava lá, deitado no chão. Vi uma mulher sendo carregada em uma maca, mas ela me pareceu mais assustada que ferida e vários dos envolvidos no acidente me pareceram estar mesmo já avaliando o custo de toda aquela lataria avariada. Melhor assim, espero que minha impressão esteja correta. Mas comenta daqui, comenta dali, torcendo que não houvesse nenhum ferido grave, ficamos tentando imaginar quem pagaria o quê naquela confusão. Vale a lógica de que paga quem bateu atrás? Mas então a coisa ficaria meio no elas por elas... você paga o meu que eu pago o dele que paga o dela que paga o daquele outro e quem freou lá na frente não paga nada? É assim?

Aí me lembrei da lógica torta de um taxista que bateu na traseira do meu carro anos e anos-luz atrás. Naquele dia, a minha freada brusca me impediu de entrar no porta-malas do carro à minha frente que, por sua vez, freou para não atropelar uma pessoa. Nos segundos seguintes, o pedestre seguiu seu caminho cantarolante, a motorista do carro à minha frente xingou o pedestre, engatou a primeira e se mandou, e eu fiquei ali olhando meu parachoque amassado. O taxista que bateu em mim? Disse que a culpa era da mulher que tinha freado lá na frente. Entenderam? Não era dele que estava colado em mim como andam 90% dos taxistas que vejo por aí. Era da mulher que tentou não atropelar o pedestre. E eu paguei o conserto do parachoque amassado.

É, eu sei, a perícia e tal. Mas um bêbado já tinha batido no meu carro duas semanas antes e eu tinha me incomodado um monte com o idiota do policial que registrou a ocorrência e, de posse dos meus dados pessoais e endereço, teve a cara de pau de ir até minha casa (!pasmem!) para me dar cantada barata e arrastou o quanto conseguiu as tratativas que levariam o bêbado a arcar com o prejuízo. Então quando aquele taxista metido a espertalhão olhou pra mim e disse que ele não tinha culpa nenhuma, a figura desagradável daquele policial babaca passou pela minha cabeça e pensei "ah, não, deixa pra lá".

E enquanto falávamos dessas coisinhas hoje, assistimos à fila que se formou na pista que seguia em sentido contrário ao nosso. Não, não havia outro acidente ali. A gigantesca fila se formou porque todos os carros que passavam pelo engavetamento diminuíam a velocidade até quase parar, atrasando que vinha atrás, só pela curiosidade de ver carros amassados e pessoas feridas. Não somos uma espécie peculiar?

6 comentários:

Lud disse...

Rita,
eu e Maridinho pegamos três horas de estrada para irmos da cidade onde estamos morando a BH, onde moram as famílias. É curva atrás de curva, e tem muito acidente.
E, conseqüentemente, muito engarrafamento. MAS. Volta e meia a gente fica andando a trinta por hora atrás de um monte de outros carros para descobrir, quinze minutos depois, que a fila foi formada pra ver uma pessoa trocando o pneu no acostamento. Ou um tratorzinho fechando buraco.
A necessidade que as pessoas tem de espiar o que está acontecendo em detalhes sempre me deixa pasma.

Rita disse...

Ah, não é, Lud? Não dou conta, cara. Parece que todo mundo precisa de um engarrafamento pra chamar de seu. Vá entender.

bjs!

Patricia Scarpin disse...

Rita, somos um caso perdido.

Rita disse...

Oi, Patricia

É, às vezes a gente é bicho estranho mesmo. :-/

bjs

Nardele disse...

Hum. Isso me faz lembrar uma coisa. Semana passada, acidente em Salvador. Carreta tomba carregada de cerveja. Motorista ferido. Pedestres correm em direção à carreta e roubam as caixas de cerveja. Motorista espera SAMU.

Quer mais? :/

Rita disse...

Caramba, Nardele. Sem palavras. Até posso entender que se aguarde o socorro para movimentar a vítima da forma devida e não contribuir para uma lesão mais grave, na coluna, por exemplo, vá saber; mas daí a roubar cerveja enquanto tem uma pessoa ali ferida... pelamô! É difícil...

Abçs!

 
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