Ou não



 Talvez eu tente as pétalas: faço, não faço, faço, não faço...

Eu queria me reinventar. Não toda eu, mas queria dissolver parte de mim e me juntar de novo em outra forma. Não falo do corpo, falo da vontade. Não: um passo além, falo da coragem. Porque tem coisas que só mesmo respirando fundo e chutando forte; alguns baldes são bem pesados. É preciso coragem. Mas me falta. Quase não me reconheço nessa frase, sem coragem, nem sou eu. Mas baixo a cabeça, encolho os ombros e humildemente reconheço que me falta aquele fogo indispensável às grandes mudanças. Que pena, eu costumava ser bem destemida. Onde foi que isso abrandou, alguém viu? Não sei.

Em outros tempos, outras décadas, as das minhas avós, alguém diria resigne-se, eu diria sim, pois não. Em outros tempos meus, só meus, eu diria avante! e seguiria saltitante quase rindo dos medrosos. Hoje, porém, paro no abismo e me encolho diante do desconhecido. Como me diminuí assim? Em que curva recuei, eu, senhora das ousadias?  Não são os filhos, esses me servem de estímulo a peripécias, aquelas carinhas sapecas cheias de queros e possos e sous. Não é meu marido, que esse me olha e me vê forte. Sou eu mesma, sei. Um lado esquisito que venho cultivando ultimamente que tudo pesa, pondera, mede, eca.
E quanto mais adio e rodopio em torno das ideias já quase velhas, mais me dou conta do tamanho do desperdício. Mas as idéias, coitadas, não passam disso e seguem embaralhadas por entre meus miolos preguiçosos de quem pensa e não faz. Que coisa, isso, não? E o caminho me parece tão obviamente torto que acho mesmo espantoso que eu nele permaneça. Devo estar louca. Ou quem sabe é só comodismo mesmo. Vou dormir. Quem sabe amanhã vejo tudo diferente e já me sinto reinventada. É bem capaz.

8 comentários:

Claudia Serey Guerrero disse...

Ola! sabe que sinto isso tambem, as vezes acho que é a idade, meu pai sempre me disse, com a idade a gente se torna medroso... ele sentiu isso e eu to comecando a sentir tambem... medo da mudança, medo de tentar, a gente passa a pensar muito nas consequencias, a gente pesa, a gente calcula tudo, coisas que qdo jovens, nao fazemos muito... e eu acho que não é culpa dos filhos, mas com filhos a coisa se torna ainda mais "calculista", pelo menos eu sinto que tudo o que me passa na cabeça, tenho que levar em conta que tenho um bebe que depende de mim, portanto me freia um pouco... seria um pouco disso? vou esperar os demais comentarios... beijinhos, Claudia

Anônimo disse...

Será que é a idade!?
Sinto que também mudei muuito nesse aspecto, mas para mim sinto q foi apos a maternidade, e compartilho com Claudia, seria o fato de saber que tenho um bebe que depende de mim. Por exemplo, nunca tive medo de andar de aviao, o menor medinho (certa vez indo de BSB para Campina, para formatura do meu irmao, depois te termos embarcado, tivemos q desembarcar, pois o aviao estava com problemas, turbina/motor... depois ninguem mais queria embarcar naquele aviao, queriam que a GOL trocasse a aeronave, inclusive minha irma Da,... e eu era a unica passageira q ja queria entrar logo naquela aeronave apos seu reparo... minha irma falou "eh pq vc nao tem filhos, se tivesse,..." embarcamos na mesma aeronave e eu totalmente relaxada). No meu primeiro voo apos o nascimento de Raquel estou eu la, coracao apertado, pedindo a Deus que o voo fosse em paz, pois eu tinha minha filha para cuidar, e todos os voos agora sao assim. Fiquei muito, mas muito mais cautelosa. Ate corro bem menos no transito Claudia (lembra?), pois nao quero me envolver em acidentes, pois tenho minha filha para cuidar.
beijos,
Ju

Rita disse...

Oi, meninas.

Com certeza, os filhos me fizeram ter um monte de medos que antes desconhecia. Mas não são bem desses medos que tratei nesse post. Foram daquelas outras crises profissionais e ocupacionais, digamos assim... eheheheh. Qualquer dia me aposento e aí olho para trás e digo: oolha, nem mudei e já passou. Então tá. ;-) Ou não.

Beijões!!

Rita

Bau disse...

Rita, estas reflexões são boas, pois vemos que estamos mudando. Mas a Rita destemida não está se acovardando, apenas mostrando que amadureceu. Destemor muitas vezes tem a ver com imaturidade, as atitudes destemidas podem acabar em desastre, e com o tempo a gente percebe isso, e por isso parece que se "encolhe" frente a certas coisas quando amadurece. Mas a gente não perde o pique não...e quando a gente toma uma decisão, o sabor é especial! Beijos!

Rita disse...

Obrigada, Baú! Vou mastigar suas palavras em meus pensamentos...

Beijo grande,
Rita

Angela disse...

A causa nao sei, mas tambem sinto isso, e apesar de concordar que com filhos mudamos a nossa atitude, ultimamente tenho tido uma sensacao forte que eh devido a idade... Que droga, I hate to settle down!!

Nardele disse...

Pois é, Rita! Eu ainda não tenho filhos, nem sou casada, mas eu também sinto isso de vez em quando. Fico martelando a mesma ideia, e em vez de coloca-la em prática o que eu faço? Martelo, martelo, martelo a ideia. Com um pouco de medo das consequências, como disse a Cláudia, com uma certa covardia também, medo de ser engolida pelo mundo. Essas coisas.

Mas e aí, você acordou reinventada? Tomara que sim!

Rita disse...

Oi, Nardele

reiventada nada, só adiei um pouco a crise, menina. Na verdade, é algo que me acompanha há algum tempo já, às vezes suave, quase despercebida, às vezes mais forte. Mas a rotina é craque em nos manter assim: logo surge um compromisso aqui, algo pra resolver ali e assim vamos nós.

Quem sabe o que a próxima semana trará? Hein?

Obrigada pelas visitas, viu? E, olha, esse papo vai longe... ;-)

Bjs e bom final de semana.

Rita

 
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