O dia em que meu livro de receitas quase morreu afogado



Podem chamar o PROCON, o título deste post é pura propaganda enganosa. Porque eu não sei em que dia o meu livro de receitas quase morreu afogado - e o livro de receitas nem é propriamente um livro de receitas. Explico.

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer (para os novos transeuntes, porque quem já caminha por aqui há mais tempinho já percebeu isso) que não sei cozinhar. Nada. Sozinha, não crio nada, não invento receitas, não sei que sabores combinam com o quê, não sei para que serve a noz moscada ou por qual razão o creme de leite, ás vezes, precisa ser fresco. Mas isso obviamente não me impede de ser uma grande admiradora das artes culinárias ou apreciadora do fim maior da culinária: comer com prazer. E como vivemos em um país livre e democrático, nada nem ninguém pode me impedir de me aventurar na cozinha. Claro que de minhas aventuras no melhor lugar da casa nunca sairá nada como as façanhas de Julie Powell, mas eu sou facinha e me contento em acertar um bolo aqui, outro ali, assar uns tantos muffins para as crianças, experimentar a receita de uma amiga ou bagunçar a cozinha com Odisseus.


E daí vem que nos últimos meses sempre que me encaminho to the kitchen, levo comigo meu fiel e paciente Todas as técnicas culinárias do Le Cordon Bleu. De suas páginas já pularam para minha cozinha um inofensivo e delicioso pão de ló com ganache, receita que segui à risca testando o ponto das claras com seus "oitos" desenhados e tudo mais (é claro que adorei ver a Meryl Streep testando o ponto de claras na cozinha do Cordon Bleu!); também experimentei um rocambole desastrosoqueimei os biscoitos amanteigados. Ou seja, o livro não mudou a minha vida. Mas eu sou teimosa e me divirto igual, então, vira e mexe, lá vou eu com o Cordon Bleu para a cozinha, pobre de mim. E tem sido assim até mesmo quando me proponho a executar (pode ser no sentido "assassinar", sim) receitas vindas de outras fontes, simplesmente porque me habituei a recorrer à tabela de medidas que o livro traz em suas páginas finais.

E tudo me leva a crer que esse hábito simplório de quem não sabe cozinhar sem medir tudo e verificar cinco vezes se são quatro ou cinco ovos foi o responsável pelo afogamento parcial do meu precioso livrinho. Eis os fatos: mantenho o livro guardado numa espécie de aparador próximo à mesa da sala de jantar. Sempre que o uso, levo para a cozinha e normalmente o devolvo ao lugar seguro no aparador, cheia de ciúmes e cuidados (além de útil, o livro é lindo). No final da semana passada, recorri a ele para conferir as medidas de um apple crumble (receita que já fiz mil vezes, reparem, mas ainda confiro as medidas, ai, meus neurônios) e qual não foi minha surpresa ao perceber que a capa da frente e praticamente um terço do livro estavam úmidos. Bem úmidos, ainda frios. Não quero fazer drama como uma menina mimada, mas é claro que na hora em que percebi a... hum.. tragédia, pronto, falei, fiquei, sim, muito triste. Algumas muitas páginas estão coladas entre si até hoje porque ainda não tive coragem de tentar separá-las, sei que vão se rasgar (e aí eu vou perder a chance de estragar todas aquelas receitas, ora pois).

E isso é tudo que sei. Não faço ideia de como a coisa aconteceu. Num primeiro momento desconfiamos do ar condicionado instalado acima do aparador, mas não há qualquer sinal de vazamento que, se houvesse, teria certamente deixado outros rastros pelo aparador. Nada, tudo seco, abandonamos essa "linha de investigação". Ninguém viu nada, ninguém sabe de nada. Eu sou a única pessoa que usa o livro na cozinha (nossa cozinheira não precisa; ah, o que os chefs do Cordon Bleu não dariam para aprender os segredos dos temperos da Maria...). Então suspeito sinceramente que eu mesma tenha sido a causadora do dano. Simplesmente porque essa é a explicação mais simples e quase óbvia. Eu devo ter apoiado o livro na bancada da cozinha enquanto o consultava (provavelmente na semana do Natal) e não reparei que o local estava molhado. Perfeitamente possível, já que é comum eu apoiá-lo próximo à batedeira, geralmente posicionada bem perto do escorredor de pratos. E não me admira que as páginas estejam ainda úmidas, já que o livro permaneceu fechado durante várias semanas. Enfim, alguém tem uma explicação melhor?

O livro permanece aberto sobre a mesa da sala, à espera de que a umidade diminua e, com fé, eu consiga salvar mais algumas páginas.

E, finalmente, para fazer justiça, é preciso dizer que não se trata apenas de um livro de receitas. Como já está explícito no título, trata-se de uma compilação de diversas técnicas culinárias que, por sua vez, são ilustradas com receitas aparentemente maravilhosas (a conferir ao longo dos anos). E por isso comprei o livro, para me ajudar a aprender a cozinhar. Mas, ao que tudo indica, antes preciso aprender a secar a bancada da pia.

:-(

4 comentários:

Marcia disse...

Amiga querida, nao fique triste.
Voce e muito lindinha, mesmo fazendo beicinho...
;-)
Uma dica quente: experimente usar o secador de cabelos (se e que voce tem um) no livro, vai secar sem estragar.
Beijos da sua ardorosa fa

Rita disse...

Oi, querida.

Obrigada, vou seguir sua dica. Depois te conto.

beijocas!
rita

Bruna M. disse...

Oi Rita!
Espero que as páginas do teu livro já estejam secas.
Cheguei ao teu blog agora, também sou uma novata e aventureira na cozinha. Algumas receitas dão certo, outras nem tanto, mas também me divirto bastante =)

Beijo

Rita disse...

Oi, Bruna!

Obrigada pela visita, venha sempre!

Infelizmente, meu livro nunca mais foi o mesmo. Mas continuo usando, consultando como dá. E testando receitinhas, né? Não tem outro jeito de aprender.

Bjinhos..
Rita

 
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