O blog que virou livro que virou filme que me matou de rir

 Meryl/Julia, maravilhosa, e a blogueira/escritora Julie

Já passa da meia-noite, eu preciso levantar cedo e não posso ficar muito por aqui agora, mas não conseguiria ir dormir sem antes vir dizer que vocês não podem deixar de ver o filme Julie & Julia. Provavelmente só vou editar este texto amanhã (que já é hoje), mas faço questão de começar a escrevê-lo agora porque ainda estou sob aquele efeito meio entorpecente que o bom cinema nos dá. Sabe quando a gente sai da sala do cinema e o filme sai um pouco com a gente, domina a conversa no carro no caminho para casa e ainda rende boas risadas na cozinha durante aquele lanchinho inevitável antes de dormir? Pois bem.

Eu me diverti durante toda a sessão, dei ótimas e longas gargalhadas, identifiquei-me com um monte de coisinhas, mas, principalmente, renovei com forças meu amor e minha veneração por Meryl Streep, para sempre minha atriz favorita, minha referência no quesito talento. E Meryl brilha da primeira à última cena, ao longo de todo o filme, em cada olhar, cada trejeito, cada frase. Divina, engraçadíssima, dona absoluta do papel.

No filme Meryl é Julia Child, uma americana que, na década de 50, muda-se para a França por causa do emprego do marido. Em Paris, Julia cai de amores pela culinária francesa e suas muitas manteigas, descobre-se dona de um talento apurado para a cozinha, matricula-se na conceituada escola de culinária Le Cordon Bleu e embarca na aventura de escrever, em parceira com duas amigas, um livro de receitas da cozinha francesa destinado ao público americano. Note-se que falamos da década de cinquenta, quando tal empreendimento significava datilografar centenas de páginas, com suas respectivas cópias feitas com carbono, e refazê-las a cada correção. O projeto se estende além do aceitável em dias atuais e assistimos à odisséia toda hipnotizados por Meryl.

Porém essa é só metade da história e logo o filme nos apresenta Julie Powell, interpretada por Amy Adams, uma novaiorquina de vinte e tantos anos que em 2002, décadas depois de Julia ter finalmente publicado seu livro, divide seu tempo entre ser funcionária pública durante o dia e blogueira durante a noite (ahn... conheço alguém assim). O blog de Julie nasce em meio a um certo questionamento existencial gerado pela insatisfação com seu trabalho (hum...) e outras crises (hummmmmmm........) e tem um propósito bem específico: fã da história e das receitas de Julia Child, Julie decide testar as mais de quatrocentas receitas do famoso livro de Julia ao longo de um ano e postar sobre os resultados. Quatrocentas e tantas receitas em 365 dias: The Julie/Julia project.

À medida que Julie se aventura na cozinha e produz seus posts, vemos que seu projeto a envolve muito mais do que ela poderia supor quando iniciou a brincadeira e seu blog acaba conduzindo-a por viagens pessoais e profissionais que vão muito além do inofensivo propósito inicial de testar receitas. Que bom.

Julie & Julia é delicioso (em vários sentidos, não vá ao cinema com fome) e há momentos hilários (venham depois me contar sobre a cena da cebola, o horror da lagosta, o primeiro comentário no blog da Julie). Mas acho mesmo que o mais gostoso disso tudo é que o filme é baseado "em duas histórias  reais": esse é o blog da Julie Powell, que virou livro que depois inspirou o filme, hoje desativado e cujo post final é dedicado a Julia Child no dia de sua morte, em 2004; esse é o outro blog da Julie já famosa após a publicação de seu livro que viraria filme estrelado por Meryl Streep - esse segundo blog foi iniciado em 2005 e está ativo até hoje; e esse aí embaixo é o livro da adorável Julia, escrito ao longo de oito anos, datilografado em vários países à medida que ela acompanhava o marido em suas missões e várias vezes rejeitados por umas tantas editoras. O filme costura os dois mundos e os coloca em seus devidos lugares: um dentro do outro. E agora eu fico aqui com vontade de telefonar para Meryl Streep e pedir que ela venha me fazer um boeuf bourguignon ou me ensinar a desossar um pato. Ou simplesmente sentar para um chá.


O livro que mudou a vida das duas.

Ao cinema, já!

***

E se você ficou com a impressão de que já falei do Le Cordon Bleu aqui no blog, tem razão. Mas este post já está bem longo então vou deixar para amanhã a história do dia em que meu livro de receitas quase morreu afogado. Ao contrário da Julie Powell, que transforma sua vida a partir de um livro de receitas, eu consigo ser tão desastrosa na cozinha que até o livro que me serve de guia eu consigo estragar. 

6 comentários:

Marcia disse...

Eu te disse que existiam semelhanças impressionantes.
Eu sabia que você ia se identificar.
Que filme gostoso, não?
Beijoca

Nardele disse...

Rita! Eu preciso ver logo o filme! Adoro Amy Adams, e AMO, absolutamente amo a Meryl Streep. Engraçado isso, ontem mesmo eu falava lá na rádio em que eu trabalho sobre com ela é a melhor de todas. É minha favorita. Você assistiu Mamma Mia? É musical, eu adoro musicais. E ela está simplesmente linda e espetacular (olha, novidade nenhuma).

Enfim, adorei o post e fiquei ainda com mais vontade de ver o filme.

PS: Eu sei exatamente o que você quer dizer quando fala que precisava escrever o post naquele momento, mesmo que vá editar depois. A sensação do encantamento é urgente mesmo!

Beijo!

Rita disse...

Oi, Marcinha, sumida! Por onde você anda, Nepal? E não tem internet no Nepal? Quando você volta do Nepal? ;-)

Oiii Nardele. Se você gosta da M. Streep, corra para o cinema! Ela está impagável, uma das atuações mais hilárias que já vi.. morriiii de rir. O filme é uma gracinha cute cute, você vai adorar. Eu sou louca por ela desde os tempos d'A Casa dos Espíritos e olha que isso já faz tempo. Adoro tudo que ela faz, assim bem tiete mesmo, sem o menor pudor. Vi Mama Mia, sim, e quase virei fã do Abba. HEHEHE Dancing queeeeeeeeeeennnnnnnn, iuhuuuu!!

Beijos! Depois me conta o que você achou do filme!

Rita

Marcia disse...

Oi Rita. É que eu estava de férias e estava estudando feito uma louca. Fazendo curso à noite, no fim de semana e etc e tal...
Mas agora acabou o curso, eu voltei ao trabalho e tenho tempo de novo de respirar e falar com as pessoas queridas.
Que paradoxo, em?
O Nepal é muito cansativo, ainda estou de ressaca.
;-0

Patricia Scarpin disse...

Rita, que bom saber que você curtiu o filme, eu também amei! E me identifiquei muito... :)

Na mesma semana assisti a "Dúvida" e realmente Meryl Streep é uma deusa.

Beijo, querida!

Nardele disse...

Isso, e quando a gente pensa que a mesma pessoa que fez "Dúvida" fez "O Diabo Veste Prada", e "Julie e Julia". E uma infinidade de outros.

Mamma Mia.

 
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