Dona Lindu, a mãe do Brasil.






Uma mãe muito pobre, com não sei quantos filhos pequenos, vende o pouco que tem no sertão nordestino e segue em viagem de 13 dias em um pau-de-arara para encontrar o marido alcoólatra, que a abandonara anos antes, no interior de São Paulo. Chegando lá, depara-se com a segunda família de seu digníssimo, conhece a forma urbana da miséria e empurra seus filhos para a escola, filhos esses que ela alimenta com restos de grãos catados no chão do porto onde seu embriagado marido trabalha como estivador. Cansada de vê-lo espancar seus filhos, abandona-o e muda de cidade. Vejam bem, estamos falando de uma retirante nordestina, cheiiiiiinha de filhos pequenos, em um lugar que ela praticamente desconhece. Eu tenho medo de baratas e vendo essa mulher sinto-me uma. Continuando: a dona Valente da Silva enfrenta enchentes e outras mazelas, e segue criando seus filhos, obrigada. A vida melhora, porque seus filhos estudam, e ela conhece várias alegrias: um deles se forma torneiro mecânico e ela sente aquele orgulho bom de mãe coruja, a mãe retirante. Aí o mundo gira e ela vira amparo forte para as dores do filho que tem a mão mutilada, perde esposa e filho de uma só vez. A velhice chega, mas ela ainda assiste seu filho transformar-se em líder de sua classe e vê que a força que ela sempre trouxe consigo tem nele a forma de carisma. O mundo enlouquece e ela ainda enfrenta o pavor de ver seu outro filho ser levado pelos militares durante a ditadura. E como esse mesmo mundo não é um lugar justo, ela se vai muito antes de ver seu teimoso filho (como ela o ensinou a ser) tornar-se presidente de seu país. Duas vezes.


Justo cartaz

Lula, o Filho do Brasil, tem muitos pontos fracos. Algumas atuações são limitadas, o filme não nos engole e permanecemos o tempo todo conscientes de que é um filme. Além disso, incomodaram-me um pouco todas aquelas falas brandas do Lula, "nem de direita, nem de esquerda", a-hã. Fiquei com a impressão de que os produtores queriam agradar a todos... como se estivessem partilhando daquele medinho que os tucanos plantaram em campanhas passadas, lembram? Ora, filme sobre o Lula não ia falar que o Lula é o maior nome que a esquerda brasileira gerou?? Pois não falou. Vá entender.

Mas Glória Pires está lá, em sua atuação salvadora que me levou às lágrimas quinhentas vezes (eu choro em Avatar, não vou chorar em Lula...) e eu acho que vale muito a penar ver. Ah, você não gosta do Lula? Vai lá ver por ela então. Mulherão. Dá gosto.

6 comentários:

lola aronovich disse...

Bom, Ritinha, pelo jeito vc gostou mais do filme do que eu. Pra mim foi decepcionante. E eu nem chorei!

Daniela disse...

Nossa, que texto bonito. Eu fiquei com a mesma impressão: "amansaram o lula pra agradar a todo mundo". Mas a mãe né? A mãe salva.

Saí achando que não tinha gostado do filme, mas lendo a sua crítica, até acho que gostei :-)

Beijos

Rita disse...

Oi, Lola.
É, eu gostei, mas com as devidas ressalvas. Mas sou suspeita, pq o admiro muito. E o que me fazia chorar era o que conheço da história mesmo, sabe, o saber que aquele menino tão pobre, tão aparentemente condenado a uma vida de anônima miséria, seria tão importante para nossa história. O ponto forte do filme, porém, na minha opinião, fica por conta da trajetória da Lindu.

Oi, Daniela. Que bom vê-la por aqui, fique à vontade. Fiquei muito feliz com seu comentário. E foi assim, a mãe salvou o filme, né?
Beijos e obrigada pela visita!

Rita

Daniela disse...

Olha, faz é tempo que eu leio você pelo Reader, mas eu sou tímida pra comentar...rss

Beijos

Vivien Morgato : disse...

Eu fui com minha mãe, que antes de petista é uma Lulista..ahhaha...eu sempre digo pra ela que mesmo que houvesse uma porra qq e todos abandonassem Lula, sobrariam ela e dona Mariza ao lado dele.;0)
Eu gostei do filme. Como vc, fiquei comovida e admirei horrores a força daquela mulher e imaginei quantas Lindus não existem por ai.
Minha avó foi uma grande Lindu, e como foi.
E essa trajetória de trabalhador, de chão de fábrica, que veio de pau de arara, enfretou enchente e perdeu mulher, filho e dedo graças a saúde pública escrota que temos...putz, isso me emociona.
Acho que o filme acertou na mão, gostei.
Quase levantei e gritei Lula tb...;0)
Me lembrei de 78, como filha de metalúrgico, da força daquelas greves ainda dentro da ditadura, me lembrei de 89 ( Lulalá..) e tive certeza do porque apoio o atual governo, que teve meu voto e terá novamente.
Grande beijo, Rita.

Rita disse...

Oi, Vivien, pois é... sabe uma coisa que me passava pela cabeça? Na cena em que ele exibe todo feliz o certificado de torneiro mecânico, eu só lembrava do discurso emocionado dele quando tomou posse no início de 2003: algo como "eu que nunca tive um diploma, quando tenho é o de presidente do meu país". Naquele dia chorei feito criança e no filme também me emocionei com o certificado de torneiro. Vamos combinar: ô mulherada que chora, viu! Aff... ;-) Então fala assim pra sua mãe: seremos ela, a Mariza e eu.

Beijos
Rita

 
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