Aquela coisa chamada mulher



Aberto para ver o quê?

Cerca de uma hora na frente da TV e vi:

1. Uma "reportagem" sobre um ensaio fotográfico para o livro dos recordes - o maior número de mulheres em trajes de banho longe do mar. Cerca de 200 mulheres de biquíni.

2. Uma reportagem sobre os benefícios de tal tipo de gordura que se acumula em determinada região do corpo - a matéria foi ilustrada por várias bundas de mulheres. Os jornalistas acharam uma boa ideia ir a uma quadra de escola de samba para ensinar os telespectadores a calcular o índice da tal gordura.

3. Uma reportagem sobre quadrigêmeas com sete ou nove anos, não lembro. As meninas são mostradas no salão de beleza, uma maquiadora passando batom nelas.

4. Um show da dupla Não Conheço & Nunca Vi: 80% dos takes da matéria partiam da parte de trás do palco, mostrando em primeiro plano as dançarinas rebolando de minissaias.

Ai, não aguento. Precisa dizer que programa eu assisti? E fico me perguntando por que cargas d'água funciona assim. Não é cansativo ficar vendo mulheres retratadas como objetos de voyeurismo, o tempo todo? Credo, parece doença. Que povo tolo. Que saco, meu! Pra que mostrar tanta mulher seminua numa reportagem que a princípio até se pretendia instrutiva, afinal falava-se de saúde? Por que todo take que mostra uma mulher na academia tem que ser feito de baixo para cima? Claro, esse também era o ângulo na tal matéria sobre o show da dupla sertaneja e suas dançarinas rebolantes. E, pelamordedeus, pra que passar batom numa criança de sete (nove, sei lá) anos? Pra quê? Vejam bem, não era uma menina se maquiando sozinha, imitando a mãe. Era uma mulher, provavelmente maquiadora ou cabeleireira, maquiando as meninas. Não, as meninas não são atrizes, não estavam entrando em cena. Estavam ilustrando uma reportagem sobre gêmeos idênticos. De batom.

Ah, mas vi outras reportagens que giravam em torno de mulheres. Em uma delas, em particular, não havia mulheres seminuas. Havia uma mulher morta. Foi assassinada pelo ex-marido. Já havia registrado oito ocorrências de ameaça, mas o poder público não viu motivos para prender preventivamente o agressor (que já tinha atirado um artefato explosivo contra o local de trabalho onde a assassinou depois). A Lei Maria da Penha não bastou. Ninguém deu muita atenção à vítima que pediu tanto por socorro. Para ela, ninguém olhou.

Vai ver que é porque ela não andava por aí de biquíni. 

6 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Eu me assusto com essas meninas-mostro: crianças maquiadas, muitas vezes fazendo caras e bocas, usando saltos ( como Suri Cruise...) e outras anomalias.
Mulher na mídia é uma coisa complicada. Jodie Foster disse que Hollywood tem três papéis para mulheres:
1) correndo de calcinha
2) promotora brava
3) conduzindo miss Dayse.



E durma-se com um barulho desses.

Rita disse...

Ah, mas temos outros bons papéis femininos, vai! A coisa vai melhorando aos poucos, acho, mas há dias em que a overdose de bumbuns realmente me incomoda.

Bjinhos...

rita

Angela disse...

Por isso e pela falta de tempo, hoje em dia nem me incomodo em assistir tv. Raramente o faco. Mas por falar em mulheres e bundas, e as dancarinas dos programas de auditorio???? Coisa mais estranha nao eh, a pessoa apresentar um programa que nao eh de danca, com umas cinquenta mulheres dancando atras.
E que absurdo esse assassinato. Sei que isso eh alienacao, mas evito ate ver o noticiario. O caso do menino das agulhas no mes passado me deixou doente e sem dormir.

Nardele disse...

Meninas, nem falem. Aqui em Salvador, 3 mulheres foram mortas pelos maridos em um dia. UM dia. Isso foi anteontem. Na frente dos filhos... é dureza, viu? Eu sou jornalista, e me deparo com cada absurdo, tem dia que dá pra ficar bem abatida. Mas o Fantástico realmente está indo ladeira abaixo! Eu adorava assistir, mas ultimamente tem caído muito em qualidade.

E também achei super estranho, na matéria com as quatro menininhas gêmeas, aquela parte do salão, batom, enfim.

Beijo, Rita!

Anônimo disse...

Oi Querida,
Me fez lembrar a sala em que geralmete são recepcionados os pilotos de corrida que chegam em 1º lugar. Nada mais do que uma sala sem nada, além de umas trinta mulheres bonitas com roupas minúsculas, fazendo nada, ou melhor, sorrindo "espontaneamente". Pura alienação, quase a reprodução do paraíso com as não sei quantas virgens. Subestima qualquer telespectador, com exceção dos machistas, é claro, que acham tuuuudo normal...
Rejane

Rita disse...

Oi, meninas!

Anginhaaaaaaaaa, por onde você anda, menina?? Já liguei VÁRIAS vezes para a casa da sua mãe, nem sei se você ainda está no Brasil. Por onde andam vocês??

Oi, Nardele. Pois é, menina, e a gente vai se perguntando que relação existe entre o machismo manifestado em tantas formas e essa violência toda contra mulheres. Porque se a gente parar pra pensar, mulher-coisa pode ser vista como algo que se possui, né? Então o cara acha que "possui" uma pessoa assim como quem possui um objeto. E faz o que quer com ele. Vai saber.

Rejane, seu ótimo comentário com certeza vai virar um post. Aguarde. Thanks!!

Beijocas,

Rita

 
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