Queria contar para vocês o porquê de eu ter curtido tanto a sessão de cinema desta tarde, quando fomos ver A Princesa e o Sapo.
Em primeiro lugar, porque ter chegado lá foi uma façanha.
Ida ao cinema em fast forward:
Soneca interrrompida às 16:15 (sessão iniciaria às 16:40). Acorda Amanda, troca Amanda, troca Arthur, penteia Amanda, põe lanche para Amanda, corre pro shopping, estaciona. Entro na fila do guichê. Ulisses entra na fila da venda eletrônica. Chega minha vez, Ulisses abandona a fila dele. Quatro ingressos, crédito por favor, só aceitamos débito, não temos cartão de débito. Retomamos a fila da venda eletrônica. Somente débito, não temos cartão de débito. Ah, que coisa, se tivéssemos dinheiro. Mas eu tenho dinheiro. Por que não falou antes, stress, stress, não vai dar tempo. Voltei à fila do guichê, olha moça, tenho dinheiro, obrigada. Corre, corre, corre. Deu tempo. Viva os milhares de traillers.
Aí começou o filme e já torci a cara. Na primeira cena, uma garota branca mimada e uma garota negra simpática ouvem uma história contada pela mãe negra que é estilista e costura para a família da garota branca. Já fiz toda uma leitura carregada de traumas, com raiva daquele desenho que perpetuava a supremacia branca e bla bla bla. Mas não demorou muito e percebi que a protagonista era a garota negra, enquanto à garota branca restou o "papel" de coadjuvante, mimada e pateticamente ridícula. Boazinha, vá lá, mas ridícula. Aí respirei aliviada, porque até que enfim me vi diante de um desenho animado com protagonistas negros - Ulisses disse que há outros, mas não lembramos quais. Alguém aí lembra? Bom, ainda assim, vamos combinar, é raridade.
Segue o filme e logo descobrimos que a história se passa todinha em Nova Orleans, cidade que não conheço, mas que sempre me deixa com água na boca quando a vejo nos filmes. E foi uma delícia ouvir aquela música boa, rir com personagens bem divertidos e ver uma história que, ainda que de raspão, confronta alguns clichês. Então a mulher dá as cartas, o homem é um bobão que depois aprende com ela e, por amor, revê seus conceitos, entendem? Ele é quem tem de se esforçar muito para ficar à altura dela. Tudo bem que rola uma certa abdicação de sonhos em nome do amor por parte dela também (nada contra, cada um com seu cada qual), mas, ainda assim, o filme não retrata a "princesa" apenas como uma sonhadora romântica, alguém que espera um príncipe com quem se casar, mas como alguém de personalidade e força de vontade que desdenha dos galanteios e vai em busca de seu sonho. E acho muito bom a meninada ter uns modelinhos nessa linha também, além das Barbies que sonham com um banho de espuma, um Ken e uma penteadeira rosa.
Enquanto isso na plateia, Amanda, em sua primeira ida à sala escura, passou metade do tempo no colo do pai. Mas all that jazz mexeu com ela e na segunda metade do filme, totalmente ambientada, dançou a cada trompetada do crocodilo muuuuito legal chamado, claro, Louis. Arthur perambulou entre o encantamento, a indiferença e o medo (das cenas "assustadoras"). Só Amanda gargalhava. Às vezes só ela gargalhava na sala inteira, sabe? Animada, a menina.
Depois nos empaturramos de coxinha, pão de queijo, brigadeiro, torta de cappuccino, suco de manga (crianças) e coca-cola (eu). Adorei nosso programinha estreia-férias do Arthur. E ficamos um tempo ali na lanchonete, administrando a mão de brigadeiro da Amanda e os pulos do Arthur. Eu ainda tinha os olhos úmidos por causa da cena do vagalume (sooo cute), mas estava bem satisfeita.
Fiquei com a nítida sensação de que fizemos um negócio bem melhor do que horas no trânsito voltando da praia.
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