Fragaria vesca

Queria falar do nosso primeiro pé de morangos

De suas folhas enfeitadas por efêmeros bordados

De suas alvas belezas


Dos delicados fetos



Da espera



Do rubro que enfim chega, quase fascinante


Dos muitos olhares e carinhos


Da colheita - do fruto que deixou seu berço para ser oferecido como se flor fosse

E da apoteose.


Life can be sweet.

Aquarela


Depois do dia cinza, o colorido do setembro que já se anuncia no horizonte pintou o sábado.

Em sua homenagem, penne arco-íris para as crianças.



Para os grandinhos: sushi, sashimi, nigiri, tim-tim e até pudim (este último não teve chances de ser fotografado). Tudo ao som de um bom pop anos 80, daquele tempo em que os zumbis dançavam pelas ruas, lembram?





Para os fortes, wasabi.

Assim nos despedimos de agosto. Segue o calendário, com férias à vista.
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It doesn't matter
who's wrong or right
just beat it

O dia em que Floripa sumiu

Hoje acordamos e nos deparamos com a neblina que cobria a cidade como um véu de fina espuma. E sair de casa foi como passear entre as nuvens.




Floripa "vista" do nosso quarto.


Tem uma baía ali.


A cidade escondida.

Pro dia nascer feliz


Imagine acordar.
Agora imagine acordar com a casa invadida pelo aroma inebriante do bom pão quentinho, cheirinho de padaria.

Minha panificadora particular

Eu nunca tentei fazer um pão from scratch, a partir do zero, preparando a massa “na munheca”, mas imagino que quando o fizer o resultado será algum objeto bélico bom para matar ratos a pauladas. Mas com essa maravilha moderna da foto sinto-me uma padeira de mão cheia. “Meu pão” sai fofíssimo, na cor que eu escolher – mais branquinho? Tem. Prefere mais moreninho? Tem também. Delicioso. Tudo que preciso fazer é abrir o livrinho de receitas que acompanha a maquininha, escolher o sabor do dia (pão de leite, mais recorrente em nossa casa, pão de manteiga, pão disso, pão daquilo, panetone, etc.), colocar os ingredientes lá dentro e programar a hora em que o “meu pão” ficará pronto. Assim mesmo. Coloco os ingredientes à noite, aviso à máquina que quero pão quentinho às 07:30h da manhã, por favor, vou dormir e, na manhã seguinte, voilà!


Eu sei que se algum chef passar por aqui vai torcer o nariz para essa mania de querer substituir as boas receitas por essas invenções que nunca se equiparam à iguaria feita a mão e bla bla bla. Eu sei. Mas aí eu vou lembrar do cheirinho de pão invadindo a casa enquanto escovo os dentes... Desculpa. Deixa, vai. É só de vez em quando.


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Jô, eis sua dica, dada há vários anos. Sempre que sirvo pão "feito por mim" para minha família, lembro de você. Obrigada.

Era tudo boato

Hoje li em algum lugar que amanhã Marte estará bem próximo da Terra (bem pertinho de Florianópolis, como diria meu filho). Comentei com meu marido, que deu de ombros e ainda fez chacota do tipo “Nooooooooossa, mesmo?!?!” Sentiram? Pois é.

Mas aí, ao invés de me sentir injuriada com o descaso diante de meu anúncio mega-relevante, parei um pouco para pensar no porquê de eu, afinal de contas, ter dado bolas para a notícia. Entendo que o evento envolvendo nosso vizinho lá de cima seja mesmo algo digno de nota entre os astrônomos, mas para mim, que nem luneta tenho, como vocês bem sabem, o fato de Marte estar um pouquinho mais pra cá deveria ter mesmo importância zero. Ah, mas não tem não.

Sempre que me deparo com notícias do tipo “lá vem Marte”, “Fulano transplantou o pulmão” ou “cientistas isolam bactéria”, caio em deslumbre. Não somente por nossos contemporâneos cabeçudos, mas especialmente por todas as gerações que os antecederam, pelos tataravós da Ciência, aqueles que desenvolviam pesquisas magníficas muito antes do advento da água encanada e do chip. Porque hoje parece fácil saber para que serve uma mitocôndria ou quando o último dinossauro bateu as patas, mas mapear o céu sem Hubble e viver sem geladeira eram mesmo tarefas de titãs.


E aí sempre lembro que me diverti muito lendo Breve História de Quase Tudo, do norte-americano Bill Bryson. Bryson é um sujeito que, por não saber porque os oceanos são salgados, resolveu pesquisar a resposta para essa e outras questões igualmente intrigantes (a relevância fica por conta da curiosidade de quem o lê). Na minha opinião, a curiosidade de Bryson resultou em um tratado na medida para leigos deslumbrados. Fica aqui a dica para o caso de algum andarilho querer meter o bedelho no métier dos acadêmicos. Algumas passagens desse curioso livro fazem pensar:

“A idéia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra”.

Outras geram “argh” ou “eeeca”:

“Você não dormiria tão tranquilamente se soubesse que seu colchão abriga talvez 2 milhões de ácaros microscópicos, que saem de madrugada para se banquetear com os óleos sebáceos e os adoráveis e crocantes flocos de pele que você perde enquanto dorme. (...) Para os ácaros, sua cabeça não passa de um grande bombom oleoso”.

Mas a leitura vale a pena, nem que seja para descobrir que não saber muito pode ser a forma mais sábia de se garantir um sono tranquilo.

Ah, importante: no final das contas, a notícia não passava de um boato requentado, Marte está beeem longe (deve estar lá por Joinville, como diria meu filho). E, justiça seja feita, eu bem sei que meu respectivo leva em conta tudo o que comento, tadinho. Imagino, cá com meu teclado, que seu dar de ombros tenha algo de revanche. Foi sua chance de se vingar de todos aqueles momentos em que ele, fera da informática, relata algo sobre os bits dos bytes dos logs e eu, sem entender uma única palavra, reajo: “Nooooooossa, mesmo?!?!” Sentiram? Pois é.

Um dia qualquer

Nossa guerreira, cruzando um obstáculo simples.

Há exatamente um ano tivemos de internar nossa filhota em um hospital infantil por causa de uma forte pneumonia. Foi, sem dúvida alguma, o pior dia de nossas vidas. Falo por mim e por meu marido, que viveu junto comigo as horas de terror passadas entre um corredor horroroso e uma enfermaria. Não havia vagas disponíveis em quartos exclusivos, indiferente ao que pagamos pelo plano de saúde, e não havia qualquer outra opção de internação em nossa cidade, portanto enfrentamos o corredor e a enfermaria. Devo dizer que estes não eram nem de longe os piores componentes daquele dia que ainda nos apresentaria a seringas e choros dilacerantes. Não vou entrar em detalhes porque cada lembrança daquela agonia ainda me revira o estômago. Registro, sim, que uma semana depois voltamos para casa. Cachinhos Dourados tinha os pulmõezinhos bombardeados por antibióticos e um rostinho sereno. Nós tínhamos corações aliviados, apesar de ainda abalados com o susto que nos arrebatara sete dias antes.

Hoje pela manhã tomei café na companhia preciosa de minha pequena, enquanto o papai arrancava nosso outro filho da cama para levá-lo à natação. Nossos cafés da manhã são normalmente tomados em meio à correria do início do dia e, não raro, engolimos uma fruta enquanto lavamos outra para um filho, devoramos meio sanduíche enquanto fazemos outro para outro filho. Mas hoje, enquanto ela brincava com o copo de iogurte e mirava distraída as plantas pela janela da cozinha, mergulhei em seus lindos olhos e esqueci a hora, o trânsito, a correria. Observei seu rostinho bochechudo emoldurado por seus cabelos deliciosamente bagunçados e me senti tão infinitamente feliz por esses trezentos e tantos dias que me separam daqueles dolorosos momentos que resolvi comemorar.

Então passei o dia comemorando. Não, não fiz nada assim tão diferente. Trabalhei, fui aqui, fui ali, li meus e-mails, naveguei pela web, tudo normalzinho. Apenas reverenciei, internamente, a alegria de se viver um dia qualquer, mesmo que nada de grandioso aconteça, mesmo que simplesmente acrescentemos mais um pontinho à nossa rotineira estrada. E lembrei o tempo todo como é maravilhoso olhar ao redor e ter a sensação de que hoje nossa vidinha está deliciosamente ordinária.
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Mas vocês pensam que ficou por isso mesmo? Que nada! Outras coisas boas insistiram em aparecer para enfeitar a estrada: hoje conheci o João Vitor (v. O melhor da vida)! Babem, babem, é fofo sim. E, de quebra, celebrei em meus pensamentos os aniversários de duas amigas queridas, o que sempre enfeita qualquer dia: Marcinha e Carol, que essa segunda-feira tenha tido coloridos tons de sábados para vocês. Um grande abraço!!


Para todas as comemorações, um bolo simples.


Infância é coisa simples


Durante o finalzinho da minha segunda gravidez e primeiros meses da minha filhota, entre pés inchados e bombinhas de leite, entreguei-me à terapêutica tarefa de montar um quebra-cabeças de 3.000 peças. Sempre tive uma quedinha por esse passatempo silencioso e desde menina acho verdadeiramente divertido juntar pecinhas de formas esquisitas só para ver o que já sabemos que vamos ver. Conheço a fama de chatos que têm os fãs do brinquedo, mas não estou nem aí ponto com ponto br.

Bom, finda a jornada, tínhamos diante de nós um mosaico de um metro e vinte por oitenta centímetros, uma espécie de velho mapa ilustrado com retratos de antigos fidalgos, supostos cavaleiros e uma tamanha miríade de adereços cuja relação com a cartografia está além do meu entendimento. Seja como for, previsíveis que somos, resolvemos emoldurar o tal mapa.

O quadro tem enfeitado uma de nossas salas desde então, mas precisou ter sua moldura trocada após ter despencado da parede. Tudo bem, as 3.000 peças permaneceram unidas (ufa!) e, após a reforma necessária, o quadro hoje voltou ao seu devido lugar. Como não queríamos nos desfazer da primeira moldura escolhida a dedo por Ulisses, aproveitamos o que foi possível dela e emolduramos uma nova gravura, um singelo bequinho florido para garantir flores em nossa casa qualquer que seja a estação, que agora mora na nossa sala da frente.

E daí? Calma, paciente leitor, já chegou onde quero com toda essa lenga-lenga. O que realmente importa é que os dois quadros, o mapa maluco e a gravura bucólica, vieram para casa envoltos em plástico-bolha! Êêêêê! Ah, vocês estão aí com essas caras murchas porque nem imaginam a festa que foi! Plec plec plec plec! Tuuudo de bom. :-)




O melhor da vida



"Oi. É aqui?"


Querido João Vitor,

Vou falar bem baixinho para não atrapalhar seu soninho ou sua mamada. Acho mesmo que você precisa descansar depois de sua chegada tão cheia de surpresas.

Imagino que talvez você esteja um pouco confuso com tanta novidade. Talvez os últimos acontecimentos não tenham sido exatamente como você e a sua mamãe tinham combinado, mas, olha, vou logo dizendo, a vida é cheia dessas coisas, viu? Planejamos praia, chove; quando resolvemos fazer brigadeiro, acaba o leite condensado; e é justamente o nosso brinquedo favorito que se perde para sempre atrás do sofá. Então não fica chateado, ta? Antes que você faça beicinho, já adianto que a vida é cheia de coisas maravilhosas também: quando menos esperamos, o sol aparece, achamos a última lata de leite condensado e, surpresa!, o brinquedo também. Então encare da seguinte maneira: aquelas horas na incubadora foram um reforçozinho do bem para deixá-lo bem fortão. Agora você pode se esbaldar no colinho quente da sua mamãe que, olha, não se aguenta de tanta alegria.

Eu posso imaginar o sorriso dela, e o de seu papai também, o jeito como eles olham bem derretidos, como estudam cada pedacinho seu só para ter certeza de que você está ali. Sobre isso quero falar uma coisinha, e tenho certeza de que seu papai vai concordar comigo: essa sensação de que sua mamãe é diferente das outras pessoas que você tem visto esses dias é bem certeira, viu? Não sei se você já percebeu o tamanho da sua sorte, mas você tem uma mamãe linda que vai te encher de orgulho vida afora. Não, não estou falando dos traços, também lindos, que aposto que você herdou como garoto esperto que é. Estou falando do coração dela.

Eu tenho certeza de que, se ela pudesse, teria mudado um monte de coisas nesse mundo antes de você chegar, mas mãe é assim mesmo – nunca estamos satisfeitas. E pode apostar que, se pudesse, ela teria feito qualquer coisa para mantê-lo longe daquela incubadora, ah se teria! Mas você já chegou mostrando que amar, às vezes, exige muito mais do que nos supomos capazes de enfrentar. Seja como for, quero dizer que ela tem feito um montão de coisas bem legais desde que soube que você viria: algumas você vai ver já-já – seu quarto, suas roupas, seus brinquedos; sabia que ela lavou cada pecinha, fez curso de futura mamãe e se preparou muito para saciar sua fome com o melhor leite? Mas o principal, e que motiva tudo isso, ela fez sem o menor esforço: encheu-se de amor por você.

Então, por enquanto, vamos adiando a visita, deixando que vocês curtam o maior chamego, acertando o passo da nova “rotina”. Mas queremos dar as boas vindas a você, pequenino, porque compartilhamos da alegria de sua mamãe e de seu papai e porque sabemos que a maior transformação da vida deles chegou pedindo leite, colo e carinho, e abarrotando o coração deles do maior amor do mundo. Não é pouco.

Seja muito, muito feliz. Que sua estrada seja linda, longa e iluminada.

Tia Rita (e Ulisses, Arthur e Amanda)
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Parabéns, amiga!!

É daqui



Mister Maker, Pinky Dinky Doo, Backyardigans, Lazytown, Hi-5. Esses e outros nomes recitados sem tropeços por meu filho de 4 anos – e bem ensaiados por minha filha de 2 – sinalizam a invasão desenfreada do idioma inglês em nossa cultura.

Não podia ser diferente, obviamente: todos os desenhos citados acima fazem parte da grade do Discovery Kids, canal por assinatura dominado quase com exclusividade por desenhos animados de origem estrangeira. Os enredos dos episódios, muitas vezes, têm pouca ou nenhuma relação com a realidade de nossas crianças - alguns personagens comem panquecas no café da manhã enquanto a neve cai lá fora – mas nem por isso elas gostam menos.

As opções existem, obviamente, e também passeiam, ainda que esporadicamente, admito, por nossa sala. A TV Cultura ou o próprio Canal Futura trazem bons programas infantis e nem tudo vem de além-mar. Mas, por ora, o Discovery Kids ainda é o campeão de audiência por aqui.

Sendo assim, bati palmas quando o agente secreto Peixonauta, produção da TV Pinguim Animação, passou a integrar a grade do canal. A série é bonitinha e brasileira, aborda temas ligados ao meio ambiente, com várias referências à fauna e à flora nacionais, e tem feito a cabeça dos meus pequenos.

A música tema é adaptação de uma antiga cantiga de roda (“quem te ensinou a nadar, quem te ensinou a nadar...”) e foi o que despertou nossa atenção para a nacionalidade do peixinho investigador, mas em meio a uma e outra aventura também soam acordes de samba e forró. Foi uma ótima surpresa, o desenho é de excelente qualidade e é mesmo um oásis em meio a tanta neve e panqueca.

Não tenho nada contra o contato precoce de meus filhos com o outro idioma e cultura – pelo contrário, invisto nisso e darei carta branca e suporte para que aprendam todos os idiomas pelos quais tenham interesse. Mas é sempre bom ver nossas produções nacionais conquistando mercados e, por assim dizer, vendendo nosso peixe – e bem vendido, ao que parece: Peixonauta já é visto por pequeninos de mais de cinqüenta países.

Quem quiser saber mais sobre as produções da TV Pinguim pode acessar http://www.tvpinguim.com.br/ e conhecer um pouco sobre outros projetos interessantes, como o filme de animação em que a personagem, uma garotinha de 7 anos, habita um mundo baseado na obra de Tarsila do Amaral. Ou ainda o Poesias Animadas, em que os episódios são inspirados em poemas do Quintana, do Drummond, Bandeira, Vinícius...

Não dá vontade de ver? Tomara que passe no Discovery Kids.
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Em tempo: navegando pelo site da TV Pinguim, vi que algumas de suas produções, aparentemente bem lindinhas, são veiculadas pelo Canal Futura. Vamos ter negociações em nossa sala...

O que há em um pudim?

Maybe it’s your simplicity
Maybe it’s the way you smell
It might even be the winter, what the hell...
I don’t care. You’re sweet and you’re mine.

Lembram quando ovos e café eram considerados vilões? Bem que o açúcar podia passar para o lado dos mocinhos também, não é?
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Agora, qual será o melhor ângulo?


Não...


Pequeno demais...

Talvez assim... ah, quer saber?
Assim, definitivamente assim.

Not yet


Foi só festejar as piscadelas de setembro e agosto resolveu mostrar quem manda (ainda). O dia amanheceu esquisito, com um céu indeciso; e a tarde trouxe a chuva movida a ventos que varreram as dúvidas: não, setembro ainda não entrou.

Mas nós sabemos o que as plantas farão com a água que volta do céu. Então esperamos.

And the water below gives a gift to the sky
And the clouds give back every time they cry
Make the grass grow green
Beneath my toes
And if the sun comes out
I’ll paint a picture all about
The colors I’ve dreaming of
...”

Jack Johnson

Springtime?





Hoje me pareceu que setembro está de prontidão, louco para invadir esse finalzinho de inverno com seus grandes olhos verdes e seus braços mornos.



Tomara que setembro consiga.

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Momento coruja.
Episódio de hoje: no parque.
A pequena viu um pato e disse:
-Óia! Um pato!
Depois ela viu uma galinha:
- Óia! Outo pato!
E viu também um pavão:
- Outo pato!
E um faisão, um galo...
- Pato, pato!...
Um pato
Se a gente prestar bem atenção, eles são todos bem parecidos, não são não? O papai Ulisses disse que a gente é que complica as coisas...
 
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