Frescurinhas que agradam

Tá bom, tá bom, seus esfomeados. Vocês querem falar de comida, não é? Então tá, eu também quero.

Para desemburrar, tomei três atalhos: trabalhei bastante, nadei bastante e comi bastante. Funcionou. Aí, com bom astral, catei o Todas as Técnicas Culinárias, do Le Cordon Bleu (lembram daquele livro que o Submarino nunca entregava?) - v. "As cores dos retalhos", lá nos primeiros quilômetros. Pois bem. Agora, marquem a alternativa correta:

- Eu conheço esse livro porque:

a) Vi no blog da Marcinha
b) O Jamie Oliver me ligou e me falou dele
c) Eu escrevi o livro

Muito bem. Mais uma do blog da Marcinha (http://www.marcinha.co.uk/). Então li pra cá, olhei figurinhas pra lá, e optei por algo bem simples porque trabalhar, nadar e comer bastante dão muito sono e a noite já estava bem adiantada. Fiz um pão-de-ló basiquinho e usei ganache (para pronunciar da forma mais fresca possível, por favor) para recheio e cobertura.

O pão-de-ló é levíssimo, combina bem com recheios cremosos e é facílimo de fazer:

4 ovos
125g de açúcar refinado
125g de farinha de trigo
1 pitada de sal

Antes de preparar a massa, unte a forma com manteiga derretida e farinha de trigo. Em seguida, forre-a com papel manteiga.

Bata os ovos até quebrá-los bem e adicione o açúcar. A receita fala em açúcar refinado, mas hoje usei açúcar cristal e deu tudo certo também. A dica do livro é bater os ovos com o açúcar sobre uma panela com água bem quente até que você perceba uma consistência que te permita desenhar um "8" ao erguer o batedor e deixar escorrer o creme. A partir desse ponto, bate-se por mais 5 minutos até o creme ficar bem firme. É hora de deixar de lado a água quente e acrescentar a farinha de trigo peneirada, mexendo suavemente com uma espátula. Acrescente o sal e despeje na forma com delicadeza. Asse a 170ºC, por 25 minutos. Deixe esfriar por 5 minutos, retire da forma, vire sobre uma grelha e retire o papel manteiga.


Bom, daí eu dividi o bolo em dois e espalhei o ganache (frescura, por favor!), que nada mais é do que chocolate derretido com creme de leite pré-aquecido. Pleeeease, usem chocolate amargo e me agradeçam depois. :-) É preciso misturar bem, de preferência cantando "ebonyyyy and ivoryyyy", para o ganache ficar beeeem lindo e brilhante.

Joguei raspas de chocolate amargo em cima, tudo em nome da frescura.
Simples, delicioso. E gera altos elogios por parte do(a) respectivo(a), podem apostar.


Eu tava emburrada por quê mesmo?
_______

Em tempo: vocês viram que a Ju fez o creme de aipim lá na Bahia? Viu, Rejane?
Em tempo 2: Gente, a Ju cobrou algo de suma importância - a quantidade de chocolate amargo e creme de leite para o ganache. Foi mal, foi mal. Então vamos lá: 300g de chocolate amargo derretido (quebre o chocolate e derreta em banho-maria; a água tem de estar bem quente, mas sem ferver!). Derreteu? Desligue o fogo. Em seguida, aqueça 1 caixinha de creme de leite em fogo baixo, por cinco minutos; desligue o fogo de novo, Ju, e junte os dois. Mexa até que formem um mistura homogênea e então bata vigorosamente por cerca de cinco minutos (é a hora de cantar). Beleza? Muuuito obrigada pelo toque, amiga.

“I just happen to be here and it’s okay”

Fui ver Jean Charles e fiquei emburrada.

Saí do cinema com a sensação de que não vi tudo o que queria. Acho que eu esperava ver algo mais sobre o “lado de lá” da história, que o filme fosse um pouco além da rotina do brasileiro assassinado no metrô de Londres, confundido com um terrorista. Mas isso é problema meu, porque não vi nenhuma propaganda enganosa anunciando que o filme seria um documentário com cunho jornalístico e pretensões investigativas. Ainda assim, eu achava que ia “aprender” alguma coisa que a imprensa ainda não tinha mostrado.

Seja como for, e apesar de algumas atuações bem rasinhas por parte de alguns atores (olha, até parece que eu entendo da coisa, tsc, tsc), vale pela homenagem. E vale pelo retrato da Londres invadida – linda, maluca, sedutora, absurda, misturada. E o Selton Melo tá lá, yes Sir.

E a gente fica pensando naqueles que encaram a condição de clandestinos condenados ao subemprego – e toda espécie de preconceito – como uma opção melhor do que viver em nosso país. Tem alguma coisa errada, não tem não? Com o país, não com eles. Ah, e com alguns deles, certamente. Bom, whatever, fiquei emburrada.

Fondue no blllllog

Funciona mais ou menos assim: a Lina e o Sérgio abrem as portas de seu lindo apartamento e nos recebem com doses generosas de simpatia e entusiasmo. Os convidados sortudos não se fazem de rogados e invadem o lugar. Os pretextos culinários variam entre sushis, pizzas ou o que der na telha, mas ontem foi a vez do delicioso ritual do fondue, a maneira mais divertida de se comer pão com queijo.



Gosto da simplicidade do fondue, ou pelo menos do fondue como nós costumamos fazer por aqui: pedacinhos de boas baguetes mergulhadas na massa quentinha de queijo, seguidos de frutinhas coloridas mergulhadas no chocolate, são suficientes para fazer qualquer um esquecer do ventinho gelado que passeia lá fora. Na noite de ontem, em particular, algumas das onze almas presentes se engajaram em uma Volta ao Mundo em Oitenta Vinhos e é claro que isso também contribuiu bem para que ninguém se incomodasse com o frio, já que era mais importante, digamos, degustar as “uvas” nacionais – e também as chilenas, africanas, francesas, italianas e de onde mais? Nem me lembro.


Os tickets
A viagem

Mas lembro das muitas risadas, do forró na sala da Lina, do sabor da banana mergulhada em chocolate, das conversas eternamente repetidas – mas nem por isso menos divertidas – da discussão filosófica em torno da grandiosidade artística de Amado Batista e Pink Floyd e, obviamente, do assunto que voltava à tona cada vez que eu respirava: este blllllog, assim, com muitos “eles” e vocês nem imaginam quantas caretas e especulações.


Também lembro da maravilha tecnológica que é o telefone. Alguns números digitados e conseguimos: arrastar o amigo que já se encontrava de pijama para juntar-se a nós (isso ta ficando recorrente, né? - v. "Tainha com amigos" aí embaixo); incluir o amigão Emílio láááá em São Paulo na muvuca e, principalmente, aliviar um pouco a melancolia de um recém-casado cheio de saudades.

O restante ficou por conta da comilança e da nosso total falta de noção em relação a quantidade, o que deixou a Lina com uma boa banca de frutas prontinha para encarar qualquer feirão e vender bem. Ou, quem sabe, convidar-nos para repetir a dose... Será???


O gostoso com o mais gostoso

Ah, fala, vai! A gente merece: somos todos do bem. :-)

A Corrente dos Muffins

A Rita leu no blog da Márcia que leu no blog da Ana que muffins são tudo de bom. Então agora tomara que alguém leia no blog da Rita que eles são mesmo, e que a corrente não se quebre porque a verdade é uma só: toda pessoa de bem neste mundo merece um muffin quentinho no café da manhã.

Como culinária não fazia parte da minha vida até bem pouco tempo atrás, eu, obviamente, não tinha forminhas de muffins na minha cozinha. Então comecei por aí: fui ao mercado e comprei as formas. E só de comprá-las, já senti o cheirinho de canela... humm.. Tudo bem, tudo bem, menos.

O próximo passo foi esperar a hora dos soninhos e, dessa vez, nada de batedeira na cozinha (v. o post “Sem noção” aí embaixo). Com a casa em silêncio, foi só ligar o laptop e acessar o lindo blog da Marcinha (http://www.marcinha.co.uk/) e seguir cada passinho, assim, como em um ritual mesmo, com a reverência devida. Imagino que para um chef, alguém que lida com os ingredientes como se eles fossem seus cúmplices, o prazer de cozinhar esteja um pouco justamente nessa intimidade. Às vezes observo um ou outro chef, em programas de tv, por exemplo, ou mesmo o meu respectivo na nossa cozinha, e vejo aquele sorriso fácil de quem sabe que o resultado da alquimia é um inevitável deleite. Mas comigo não é assim. Durante muito tempo, julguei-me totalmente incapaz de cozinhar bem o que quer quer fosse e me mantive a uma distância segura do fogão. Então agora, que decidi enfrentar o mito, dedico-me com disciplina às receitas e sigo-as como se elas fossem meu mestre a quem admiro e espero não desapontar. E ainda cozinho sem o sorriso da certeza, porque durante muito tempo acreditei que os ingredientes eram meus inimigos, não cúmplices. Então é absolutamente necessário que a receita seja muito boa, porque ainda sou incapaz de ajustá-la, caso alguma coisa desande no meio do caminho. E é por isso que adorei a receita que reproduzo abaixo, copiada do blog da Marcinha (eu exclui alguns comentários que ela acrescentou aos ingredientes, mas vocês podem ver tudo lá no blog dela):

"2 xícaras de aveia em grãos grossos
2 xícaras de farinha de trigo (ou 1 de trigo e 1 de integral)
1 xícara de açúcar (a Márcia usou mascavo - e eu também)
1 colher (sopa) fermento em pó químico
1/2 colher (chá) sal
2 colheres (chá) canela
2 ovos
1 xícara de leite
4 colheres (sopa) óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha

Misture os ingredientes secos. Faça uma cova e coloque nela os ingredientes úmidos. Adicione seu toque pessoal, que faz dos muffins algo tão especial e diferente: passas, chocolate em pedacinhos, damascos, cranberries, blueberries, nozes, maçã. Misture delicadamente. Coloque nas forminhas e asse em 200ºC por 15-20 minutos. Esfrie-os numa grade e sirva."
Então assim o fiz e o resultado está aí. O meu toque pessoal ficou por conta das raspas de chocolate meio amargo que acrescentei juntamente com os ingredientes molhados.

Secos e molhados.





Só os secos.

No fundo do poço, os molhados.


Eles assando e eu rezando.



Tchan-nans!





As beldades.


A hora da verdade – pulos pela cozinha. Thanks, girls!
Eu saboreei os meus com nutella e chá de maçã com canela, porque rimar é bom. Na verdade, a nutella também é sugestão da Marcinha, que eu acatei porque, em matéria de culinária, é isso que a gente faz com as sugestões da Marcinha: acata.

E agora eu sou uma menina que sabe fazer muffins. Êêêêê!

E que ninguém se engane: apesar de todo o cuidado necessário, aventurar-me na cozinha tem sido uma experiência extremamente prazerosa e gratificante. Assim como dividi-la com vocês.

A História das Coisas

Humm... daqui vai pra onde?
Se você ainda não é uma das milhões de pessoas que já assistiram ao vídeo Story of Stuff, criado e apresentado pela ambientalista Annie Leonard, sugiro que reserve 20 minutos para embarcar nessa inquietante viagem. É rapidinho, é de graça, mas pode mudar a maneira como se olha para aquele novo modelo de sapatos na vitrine. E outras coisinhas mais.

Story of Stuff apresenta de forma bem didática o caminho traçado por diversos bens de consumo desde sua extração até seu descarte, quando não mais precisamos deles. O grande mérito da abordagem adotada por Annie Leonard está na forma como ela evidencia o vínculo entre o consumo, puro e simples, e vários fenômenos sociais e ambientais.

Acredite em mim quando digo que o texto de Leonard é muito mais rico e interessante do que coloco aqui e não deixe de conferir. É so acessar www.storyofstuff.com/international/. E como disse um amigo meu, assista, comente com seus filhos e, com eles, assista novamente.

O endereço acima é da versão internacional do site do projeto Story of Stuff, onde há a opção de assistir ao filme com legendas em português – basta selecionar o idioma. Também há versões dubladas disponíveis no YouTube. No site norte-americano (www.storyofstuff.com/), seguindo o atalho RESOURCES - ANNOTATED SCRIPT (in English only), você pode conferir as fontes para muitas das referências apresentadas por Leonard ao longo do filme.

Vi que o canal Futura andou exibindo Story of Stuff (A História das Coisas), mas não sei se vão exibir novamente. Provavelmente, sim. Mas você pode assistir agora. Assista, divulgue, recicle. E pense duas vezes antes de comprar.

1 bilhão com fome

Eu bem que tentei, mas hoje não consegui escrever sobre outra coisa: vocês viram? O número de pessoas que passam fome atualmente já ultrapassa 1 bilhão (um sexto da população mundial) – mais ou menos como se a China inteira estivesse com fome.

E aí também li que cerca de 85% da riqueza mundial estão nas mãos dos 10% mais ricos do mundo.

É como diz o Veríssimo, “somos uma espécie complicada”.
Ô, nem te conto.

Mais um

A rotina já é das boas.

Comemorações a adoçam ainda mais.

Surpresas mostram que tudo sempre pode melhorar.

Presentes de aniversário, isso então, nem precisava.

Cartãozinho de parabéns com as letrinhas deles, ahhhh, aí já é o suprassumo!


Obrigada, meus amores. É muito mais do que um aniversário: é mais um dia ao lado de vocês.

Tainha com amigos

Há alguns dias, quando eu me encontrava lá pelas bandas da terra do São João, dois casais de bons amigos, daqui do Sul, tiveram uma idéia brilhante. Eles resolveram telefonar para nossa casa às 23:30h para combinar uma reuniãozinha básica para degustar uma boa tainha. Ora, tudo normal, nada mais natural do que telefonar para os amigos na hora em que eles estão dormindo para combinar um jantar. Meu bom marido atendeu o telefone e, entre dois ou três bocejos, acertou que o tal sarau aconteceria quando eu estivesse de volta.

Então ontem resolvemos dar seguimento ao projeto e nos reunimos para devorar a coitada da tainha e deixar as crianças acordadas até mais tarde. Registro o encontro aqui para que a gente se lembre bem dele e o repita muitas outras vezes.

Sr. e Sra. Breakfast trouxeram a pobre tainha e sobre seu preparo não me perguntem, porque nada vi. Ficou a cargo dos marmanjos que se reuniram na churrasqueira (os quatro: meu marido, Sr. Breakfast, Sr. Soninho e Roque, este último de quatro patas) e de lá regressaram com a beleza que vocês podem ver aí embaixo.
Saindo da grelha...
5 segundos depois

Eu, em mais uma tentativa de descolar meu braço do ombro (ver post anterior), preparei a farofa com a ova do peixe e, devo dizer, até que me saí muito bem. É bem verdade que meu digníssimo me socorreu quando eu estava prestes a desistir do embate e terminou de mexer a coisa. Mas valeu a pena. Para seu preparo: cebola frita, ova, farinha de mandioca, sal, cebolinha e tomilho – ingredientes que fizeram o acompanhamento perfeito.

Para a salada combinamos alface roxa com rúcula, tomate seco e mussarela de búfala. Muuuito bom também.


As crianças merecem um elogio à parte porque conseguiram se divertir apesar dos muitos “shh, fala mais baixo”, “não corre”, “não pedala”, não escala”, “não pula” , “não briga” – não podíamos esquecer que Cachinhos Dourados dormia no andar de cima. E elas também apreciaram a comilança.

Mas todos conseguiram reservar um lugarzinho para as sobremesas. Sra. Soninho, com toda generosidade, atendeu minha súplica e nos trouxe seu maravilhoso creme de chocolate com uvas que comi com muito gosto. E, mesmo correndo o risco de ser repetitiva demais, servi novamente crumble de maçã: porque adoro e porque é facílimo de preparar e eu não tinha muito tempo no início da noite para fazer algo mais elaborado. Ah, mas o crumble nunca decepciona... de-lí-cia.

A grande discussão (no melhor dos sentidos) da noite girou em torno do bem que um bom café da manhã faz a uma relação a dois, mas isso é assunto para um outro post porque vocês não fazem idéia de que como isso rendeu pano para muitas mangas.


Dizem que nada falta a quem tem amigos. Há dias em que isso fica muito evidente.

Sem noção

As fotos que vocês não estão vendo neste post são do rocambole que fiz ontem à noite. Foi o primeiro rocambole da minha curta vida de cozinheira, então eu me sentia muito tranquila para errar feio e detonar a coitada da receita sem muita culpa. Pelo menos é o que eu achava. Lá no fundo, porém, eu queria muito ter acertado.

Mas vamos às razões para o título do post: em primeiro lugar, decidi fazer o rocambole às onze horas da noite. Até aí tudo bem, porque já estou me habituando às periódicas incursões noturnas à cozinha, hora em que as crianças estão dormindo e eu não corro o risco de chegar atrasada, de novo, no serviço. E eu só precisava fazer o pão-de-ló, já que uma alma boa tinha preparado o recheio à tarde pra mim (thanks!). O grande porém é que eu resolvi usar a batedeira para fazer a tal massa do pão-de-ló. Sempre que uso a batedeira durante o sono das crianças, tenho o cuidado de me refugiar na sala láááá de trás da casa de modo que a barulheira não perturbe o soninho de quem brincou quatorze horas sem parar. Mas, não me perguntem o porquê, ontem não foi assim. Liguei a britadeira, quer dizer, a batedeira na cozinha mesmo e aí não deu outra. A pequena acordou (óóóóó, não diga, Rita!).

A partir daí, o que seria mais uma tranquila experiência culinária se transformou num sobe a escada para tentar fazer a pequenina voltar a dormir, desce a escada para untar a forma, sobe a escada para levar Cachinhos Dourados para a cama mais uma vez, desce a escada para levar a massa ao forno, sobe a escada etc., desce para verificar se já assou... iihh, assou demais..... bom, durante um interlúdio de cerca de dez minutos, quando ela fingiu bem que já voltara a dormir, coloquei (muito) recheio sobre o pão-de-ló e, obviamente, não consegui enrolar direito. O resultado? Algo parecido com uma panqueca. Como chamar um rocambole de uma volta só? Um achatadole? Um rocanchato? Bom, a melhor foto é essa aí em que registro a tentativa de não usar a batedeira; mas juro que depois de bater a massa manualmente por cerca de cinco minutos tive a nítida impressão de que meu braço ia se descolar do ombro.


O fim da história? Dizem que ficou gostoso, mas acho que os morangos que comprei para o recheio estavam meio verdes, muito ácidos. Minha filhota voltou a dormir pontualmente às duas da manhã. Ai, ai, às vezes sou muito sem noção. E aí eu acordei tarde e cheguei atrasada no serviço, de novo.

Ondas, franceses e vasilhas

Então, como eu ia dizendo, andei lendo umas coisinhas esses dias. Confesso que fui fisgada por apelos como “clássico moderno” e por comparações que colocam o australiano Tim Winton lado a lado com figurões consagrados da literatura mundial, e resolvi mergulhar em Fôlego. De fato, a primeira metade do romance é bem, digamos, cativante e me encheu de expectativas. Mas daí... não sei se por já estar cheia de expectativas demais (aquelas geradas pela crítica e outras geradas pelo ótimo início do romance), o fato é que me senti um pouco desapontada por um certo abandono que o autor faz de algumas personagens na reta final da história. Ainda assim, recomendo. A releitura que o protagonista faz de sua infância, o retrato da solidão inevitável experimentada por quem busca o extraordinário, as relações conflitantes com o amigo/rival Loonie, a descoberta da felicidade sobre uma prancha ou nos braços da improvável namorada, fazem a leitura valer a pena. E se você é amante do surfe, gosta de nadar com tubarões e/ou de permanecer no fundo do rio com a respiração suspensa até o limite do suportável pelo simples prazer do desafio, não pode deixar de dar uma conferida. O mesmo se aplica aos interessados em joguinhos psicológicos igualmente perigosos.


Mas eis que eu já tinha terminado de ler Fôlego quando descobri que ficaria de castigo por três horas em Guarulhos. Àquelas alturas eu não aguentava mais fazer palavras cruzadas e não tinha levado o laptop. Então lá fui eu, inevitavelmente, rumo à combinação lanche/banca a fim de abastecer o estômago e a cabeça para o chá de cadeira. Daí O Mundo é Bárbaro – e o que nós temos a ver com isso, de Luis Fernando Veríssimo, me acenou e gritou “Me! Pick me!”. Então, tá. Vamos ver. Ah, que boa surpresa. Não que eu esperasse algo ruim do Veríssimo, não, mas comprei assim, meio desinteressada, sabe? Enfadada da viagem, a fim de chegar em casa e apertar as bochechas dos pequenos. Mas, enfim, o fato é que comprei (ainda bem) e nem vi mais o tempo passar; fiz até pouco caso da pequena turbulência que nos esperava logo na saída de Guarulhos porque só larguei as crônicas (quase todas) deliciosas quando tocamos o chão de Floripa. Recomendo mesmo, às vezes rir é tudo que nos resta. Um pedacinho pra vocês (com licença, Veríssimo): “Como seria se os franceses tivessem conseguido consolidar sua colonização subequatorial por aqui? (...) Talvez fôssemos corruptos do mesmo jeito, já que deve ser alguma coisa na água. Mas as conversas grampeadas seriam em francês! Quer dizer, uma coisa de outro nível.” Eheheh... (Ah, vai, Marina, é engraçado!)

Ah, e alguém aí sabe o que cargas d’água é “vasilha de tanoaria em forma de pipa”, com sete letras? Ô raio de palavra cruzada difícil, viu!

Balanço

De volta aos bracinhos e brações que me esperavam. Hummm, delícia!


Tirando a surdez temporária no avião e a saudade da minha trupe, tudo correu bem. Aliás, falando em aviões, que saco isso agora: qualquer turbulenciazinha de nada já é suficiente pra todo mundo prender a respiração e cravar os dedos no braço da poltrona... vou te contar, viu? Humpf! Mas, paciência, voar é preciso.

E que saudades daqui também! É bom voltar, sim. Esta estrada já faz parte das minhas caminhadas diárias. Em breve, dividirei com vocês impressões sobre outras viagens recentes, daquelas que a gente faz na segurança do nosso sofá, diante de um bom livro. Bjs!

Ninhos


Lembro que li em algum lugar que o joão-de-barro não usa o mesmo ninho no ano seguinte. Não é uma pena? Uma construção tão valiosa...

Eu gosto de ver que meus filhos reconhecem nosso lar como o ninho deles, um ninho que eles ajudam a montar com seus galhinhos atravessados e tantas vezes bem desarrumados. Mas também gosto de pensar que eles serão capazes de montar outros ninhos por aí, à medida que seus vôos ficarem mais ousados, mais desgarrados. É que é bom ter mais de um ninho... ah... será que é por isso, joão-de-barro?!
E aí de vez em quando volto ao meu antigo abrigo. Às vezes arrumo um ou outro galhinho, empurro uma palhinha pra lá, às vezes desarrumo bem. Mas sempre me aconchego porque lá estão asas que se abrem generosas para me acolher.

Mãe, estou indo te ver.


p.s. 1 Essa estrada ficará um pouco silenciosa nos próximos dias porque estarei distante de computadores, laptops, palmtops e até dos tiptops. Mas voltarei cheia de saudades na próxima semana. Aos que passarem por aqui, boa caminhada (e podem fazer um barulhinho, se quiserem).
p.s. 2 Rê, feliz aniversário!

O melhor remédio

Boa produção nacional, boa trilha sonora, enredo bem amarradinho, um par de boas risadas. Se nada disso levar você ao cinema para assistir A Mulher Invisível, vá pelo excelente Selton Mello. Não tem erro. De quebra, você ainda fica com vontade de dançar na cadeira ao som dos Ramones – She’s a sensation, she’s a sensatioooonnn... E mesmo com todo o mofo da trilha sonora, eu até esqueci um pouco do beu dariz endubido que dão be deixa resbirar direito. :-/

Sunday, lazy Sunday

Saldo do dia:

Crianças: passeadas e brincadas
Florzinhas: plantadas
Sinusite: totalmente instalada
Nariz: completamente estragado
Amigos: recebidos e muito bem-vindos
Crumble de maçã: assado e prontamente devorado


Do lado de lá do morro.


Do lado de cá.

Semana, pode vir.

O morro do quintal

E quando a tarde já se despedia e a clausura da gripe desperdiçava o dia azul, eis que ela acena e diz "melhoras"... Posted by Picasa

Beleza não é tudo

É uma calota?! É um olho mágico?! É um botão?? É um umbigo!!?
Nããããão: é um pudim de café! Tadinho, beleza não é seu ponto forte, então se você faz questão de que sua sobremesa encha também os olhos (além do estômago), tente outra receita.
Mas se, de vez em quando, você se contenta com um feinho básico, aí está: http://www.viaki.com/home/receitas/info/p/Pudim_de_Cafe.html
Depois de pronto, eu acrescentei canela em pó no topo - dá uma quebrada no forte cheiro de café com leite e acho que combina bem.
O sabor? Imagine comer a sua caneca de café com leite em fatias. Mais ou menos assim. Bom, eu gosto de café com leite.

Reclama lá

Algumas atualizações relevantes:

1. A cama nova (v. "A balada da sexta") teve excelente aceitação e a nossa casa voltou a ter noites de sono tranquilo.

2. Meu livro chegou! (v. “As cores dos retalhos") A coisa só andou quando entrei no excelente site http://www.reclameaqui.com.br e registrei minha reclamação contra a transportadora DIRECTLOG (tudo bem que eu só descobri qual era a transportadora porque o Submarino me informou no atendimento online, então vamos dar esse crédito a eles). Bom, menos de 24 horas depois do registro no RECLAME AQUI, uma funcionária da transportadora me telefonou e explicou que somente naquele dia o Submarino tinha repassado o pedido a eles, ou seja, 11 dias após a liberação da transação pela operadora do cartão! Garantiu-me que eu receberia em até 3 dias úteis a contar daquela data, o que de fato aconteceu. Já o Submarino... ligaram pra mim 4 dias após o fim do prazo de entrega, 4 mensagens eletrônicas e 3 telefonemas depois (além das várias tentativas de ser atendida no atendimento online) pra me dizer que... tchan tchan tchan tchan... aguardasse 48 horas para receber alguma informação sobre o meu pedido!! Vocês acreditam nisso?? Bom, com muita classe (cof cof), informei a moça a respeito do contato com a transportadora e fiz umas sugestões do tipo “presta atenção, né?”. :-) Tá bom, vai. Todo mundo erra. Mas tem de atender bem, né não?

3. Algumas pessoas continuam enfrentando problemas para conseguir publicar comentários por aqui. Eu peço um prazo de 72 horas para tentar dar alguma informação a respeito, tá? (Qua qua qua qua.. desculpem, não resisti.) Um passarinho verde me contou que comentar como "anônimo" funciona, mas aí vocês não podem esquecer de "assinar" o comentário para eu saber quem é quem... ah, gente, na boa, desculpem-me mesmo pelo transtorno. É claro que eu adoraria poder visualizar todos os comentários de vocês por aqui e, acreditem, vou fazer o quer for possível pra resolver o probleminha logo, tá? Antes que alguém resolva registrar uma reclamação contra mim no reclameaqui.com.br... ui!

"What's in a name?"


Ah, é assim? Vai fazer frio? Então tá.

Com a notícia de que as temperaturas iam despencar (mais) à noite, cada um tratou de se aquecer como podia. Desempacotamos os edredons, batemos o mofo dos casacos, ressuscitamos o velho par de pantufas e, acima de tudo, FIZEMOS CREME DE AIPIM! (eu sei, pessoal do Nordeste, é sopa de macaxeira, mas deixa eu falar creme de aipim, em respeito à boa catarinense Rejane que me passou a receita) Hummmm, gente do céu... corram, aproveitem o inverninho nosso de cada ano, comprem aipim/macaxeira/mandioca/whatever, e sigam a receitinha que vos passo aqui. Vão por mim, vocês não vão se arrepender. Se nevou lá na serra, nós não soubemos, porque estávamos ocupados demais enchendo a pança e não assistimos o noticiário. A receita abaixo rende bastante sopa, então pode convidar a sogra.

Ingredientes:

2 dentes de alho picados
½ cebola picada
azeite de oliva extra virgem
1 colher de margarina (update: manteiga, sempre)
1/3 de uma linguiça calabresa cortada em pequenos cubos
cerca de 1 kg de aipim/macaxeira/mandioca/qualquer outro nome que a dita cuja tenha em sua cidade
legumes de sua preferência, cortados em pedaços bem pequenos (batata, cenoura, couve-flor, brócolis, chuchu, etc.)
sal, pimenta e qualquer outro temperinho frescurinha que você aprecie

Mãos à obra:

Cozinhe o aipim e os legumes. Sendo de boa qualidade, o aipim deve ficar bem molinho, e você poderá retirar com facilidade aqueles “fiapinhos” indesejáveis. Aqui em Floripa, sugiro comprar o aipim orgânico e aqueles legumes já picadinhos para “sopão” que são encontrados naquele supermercado enorme que tem 78 filiais, sabe? Claro, nada impede que você pique seus legumes ou use o aipim que você mesma plantou. Faço a sugestão porque o pacote de aipim orgânico (1 kg) e o pacotinho de legumes picadinhos são a medida exata para 6 famintos friorentos se fartarem. E, além disso, o aipim orgânico se desmancha quando cozido (huuummmm).

Bem, bata o aipim no liquidificador com a preciosa água do cozimento, fazendo um creme grosso. Frite o alho e a cebola no azeite (dica da mãe do namorado da Rejane: frite BEM a cebola, quase deixando queimar um pouco), junte a calabresa e deixe que frite por cinco minutos. Acrescente o creme de aipim, a margarina (manteiga, pelamô), os legumes pré-cozidos e, se necessário, um pouco mais de água. Lembre-se: a consistência da sopa deve ser cremosa, não líquida, nada de colocar água demais. (Parênteses: se você, como a Rejane, prefere os legumes quase crus, crocantes, não precisa cozinhá-los de antemão. Mas se, como a trupe lá de casa, você prefere que eles se desmanchem em sua boca, panela de pressão neles.) Tempere com sal, um pouco de pimenta e as suas frescurinhas (eu acrescentei cebolinha – da nossa hortinha, oooohhh, que fofo) e deixe ferver, mexendo de vez em quando para o creme não pegar no fundo da panela.

Sirva com pãezinhos ou queijo e, se a previsão do tempo anunciar que vai gear, um bom vinho.

O bom é que, além de deliciosa e muito nutritiva, a danada da sopa ainda é linda, como vocês podem conferir. O moço que é casado comigo acrescentou pimenta malagueta no prato dele e, como bom mineirinho, uma boa dose de queijo ralado. Tomou 4 pratos (oops, não podia contar?!). O gatinho, que já tinha jantado na escola, tomou um prato que ele encheu de pãozinho picado, “lambrecando” bem. A gatinha, que também já tinha jantado, comeu valiosos pedacinhos de cenoura e mastigou muito bem os cubinhos de calabresa com aqueles dentinhos todos que já habitam a sua boquinha. Eu, como sou uma lady, só tomei dois pratos (cof cof). A boa alma que passa o dia paparicando minha gatinha, também apreciou a boa pedida.
E a nossa noite ficou bem quentinha.

Um empurrãozinho

Antes de ter filhos eu não entendia como se ama uma criança adotada da mesma maneira que se ama um filho biológico. Achava eu que, caso viesse a considerar a possibilidade de adotar alguém, teria de fazê-lo antes de gerar meus próprios filhos e assim evitar comparações em relação à “intensidade” do amor. Tola, eu. Não sabia que, ao deitar meus olhos no meu primeiro filho no momento do parto, eu imediatamente cairia de amores por todas as crianças do mundo.

É bem verdade que eu já era “manteiga derretida” antes de ter filhos. Os meus coleguinhas de escola que me tratavam por esse carinhoso apelido tinham bem suas razões. Sou chorona sim, emociono-me com cenas melosas, finais de copa do mundo, filhotinhos de pinguins e até discursos de presidentes eleitos, vejam vocês. Mas nada antes do nascimento do meu primeiro bebê tinha me preparado para a presença constante da sensação de que o mundo é um lugar onde se chora. Porque depois que meu filho respirou pela primeira vez eu me tornei uma pessoa apavorada diante das misérias do mundo.

A partir daquele dia, e à medida que eu me apaixonava mais e mais por meu filho, a criança com fome lá na ponta daquela ruela, daquela parte da cidade onde eu nunca vou, passou a ser uma criança que também tem uma mãe que sente por ela algo semelhante ao que eu sinto pelos meus filhos; e não importa se essa impressão é equivocada, se, na verdade, muitas mães carecem de um amor incondicional por seus rebentos. Não importa. Nada no ambiente que cerca uma criança recém-nascida deveria mudar o fato de que ela é merecedora de amor, cuidados e chances semelhantes às de milhões de crianças sortudas.

Quando eu olho nos olhos da minha pequena menina e vejo a alegria com que ela se relaciona com o mundinho dela todos os dias, muitas vezes penso na dor com que outras tantas meninas se relacionam com o mundinho delas. Porque todas as crianças são iguais, todas querem descobrir, brincar, gritar (às vezes elas querem abusar um pouquinho, é verdade, mas isso é outro papo), mas nenhuma quer experimentar a dor.

Daí que eu também passei a olhar com mais atenção para o trabalho de voluntários e entidades que se mexem um pouquinho (às vezes se mexem bem) para alterar a realidade de muitas crianças iguais aos meus filhos, mas com muito menos sorte. Então quando uma amiga muito querida me falou do Action Aid, que se define como “uma organização internacional, sem fins lucrativos, que há 35 anos trabalha com comunidades excluídas ao redor do mundo”, dispus-me a estudar o site deles com carinho (http://www.mudeumavida.org.br/index.asp) e contatei minha amiga pra saber mais detalhes sobre a forma como os fundos angariados são empregados, além de outras pequenas dúvidas. E de cara resolvi divulgar a idéia por aqui.

As maneiras de distribuir amor às crianças sofridas mundo afora são muitas. Alguns acolhem e os transformam em filhos, num gesto de amor infinito. Mas também podemos cuidar do planeta onde elas moram, educar as nossas crianças para que sigam construindo um mundo mais justo e menos perverso, dizer não à violência, denunciar o abandono, gerar empregos. E também há o trabalho de instituições como o Action Aid.

Se alguém que passar por aqui tiver algum interesse em entrar em contato com minha amiga engajada, terei prazer em fazer a ponte. Ela está atualmente trabalhando como voluntária no Action Aid e, portanto, está “por dentro” desse interessante “babado”. :-)

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }