O vidão da duquesa


 
Hoje assisti ao filme A Duquesa, aquele com Ralph Fiennes e Keira Knightley. O melhor de ver filmes desse tipo é ver como é bom ter nascido no século XX (sei que já estamos no XXI, mas eu nasci no século passado). Temos nossas mazelas, estamos asfixiando o planeta porque não conseguimos parar de consumir, mas para mim é inegável que, sendo mulher, tenho uma sorte danada.
 
Tudo spoiler, sorry; se você pretende ver o filme e não gosta de saber o final antes, faça uma pausa, leia outros posts, veja o filme e volte depois. :-)
 
Basicamente temos: ainda adolescente, Georgiana é entregue por sua família a um casamento cujo único propósito é gerar um herdeiro homem para a linhagem do Duque de Devonshire. Ao receber a notícia ela até que fica toda animadinha, tadinha, imaginando que se iniciava ali seu conto de fadas, afinal viraria duquesa, seria amada, adorada, admirada. Mas a carruagem logo vira abóbora quando ela percebe que seu cônjuge não é lá o homem mais carinhoso do mundo e a trata como um pedaço de carne com útero. Mas nada é tão ruim que não possa piorar e logo G. se vê cuidando da filha que o marido teve com uma finada criada e, ao invés do tão sonhado herdeiro, "fornece" ao duque apenas duas meninas.
 
Mas além de gerar herdeiros varões e filhas indesejadas, as mulheres daquela época (século XVIII, acho) também serviam para enfeitar os salões. Ah, e G. era linda e elegantérrima, o que permitiu que ela visse parte de seu sonho de princesa, ou duquesa, virar realidade: tornou-se referência no mundinho da moda e centro das atenções das altas rodas inglesas (e foi até mais longe, exercendo certa influência no mundo político, usando sua presença para atrair atenções ao partido do marido), a despeito de sua abominável vida conjugal: além de conviver com o rancor do marido que não se conformava com sua terrível sina de ser pai de, argh, meninas, e de cuidar da filha nascida fora do casamento, ela ainda tinha de dividir seu palácio com a outra amante que seu querido arrumou lá pelas tantas. Vidão, hein?
 
Pois bem, "se ele pode, eu também posso", pensou a inocente G., e se entregou aos braços do amante, o aspirante a revolucionário Charles Grey. Ah, mas não era assim que a banda tocava e logo ela se viu diante da ameaça de não mais rever suas filhas e seu bebê homem (que finalmente chegou, fruto de um estupro que seu marido executou com maestria de troglodita, tudo perfeitamente dentro das tais "obrigações conjugais"). Para não abdicar de seus filhos, G. abandona o amante e segue sua vidinha miserável (não sem antes ser forçada a doar a filha que gerou com seu amante). Não é uma delícia? Não dá vontade de embarcar em uma máquina do tempo e virar duquesa também??! No, thanks. Até fiquei com vontade, mas não gosto daquelas perucas e os vestidos deviam ser muito quentes.
 
E aí fico aqui pensando, geeente, que bom que as coisas mudam. O mundo ainda está cheio de trogloditas, mas hoje podemos tomar as rédeas de nossas vidas e mandá-los pastar. E não precisamos usar aquelas roupas, principalmente. :-) E, se brincar, ainda vamos eleger uma mulher presidente... Tomara que nunca construam uma máquina do tempo. Vai que a gente desce na parada errada, já pensou?? Ui!

6 comentários:

Kaka disse...

Vou ver o filme primeiro...hahahah

lola aronovich disse...

Oi, Rita! Estou sem tempo pra passar nos meus blogs preferidos todos os dias... Mas hoje vim aqui e li os cinco posts atrasados, e gostei de todos. Eu já havia gostado muito daquele em que vc canta O Caderno pro seu bebê. Agora vi que vc morreu de medo com Atividade Paranormal (assim como eu!). E que vc gostou tanto de A Duquesa... Eu também. Vi o filme em março, e escrevi sobre ele. A cada post seu que leio vejo que realmente temos muito em comum. Abração!
P.S.: Estranho Julie & Julia não ter estreado por aqui, né? Aqui em Joinville tampouco, o que é normal, mas pô, Floripa é atualmente a capital brasileira com maior número de salas de cinema per capita!

Rita disse...

Oi, meninas.

Veja mesmo Kaká! E depois passa aqui para trocarmos um ideia.

Lola, tenho percebido que você anda bem ocupada - até comentei isso lá no seu blog, porque você tem deixado de comentar em alguns posts seus. Acho que você deve estar às voltas com os preparativos para assumir seu posto em Fortaleza, certo?

Pois então, acontece direto e reto: estreia um filme país afora, fico com água na boca, faço mil arranjos para conseguir um horário livre para o cinema e..nada, o filme não entra em cartaz em Floripa. Eu não sabia desse detalhe do número de salas! Agora vou reclamar mais ainda..hehe

Beijão!
Rita

Vivien Morgato : disse...

***Rita, peguei o filme meio pela metade ontem, na tv. Não assisti, porque quero ver inteiro.
Agora me animei mais ainda.
É realmente uma loucura pensar como poderia ser o cotidiano dessas mulheres, a tensão em casar, em gerar varões, em ser o que se esperava que ela fosse.
Acho que muitas dessas coisas ainda persistem, ainda existem em menos grau, mas existem, infelizmente.
Mas o fato de já termos jogado longe as perucas me anima, o fato de termos mudado as coisas é interessante.
O papel das mulheres tem sido estudado no sentido de demonstrar que tinham mais influência do que se constumava pensar: dentro de inúmeras limitações, havia campo de ação. Não é genial?
Pra ilustrar: segundo Michelle Perrot, historiadora francesa que estudou temas relacionados às mulheres, no momento em que uma turba feminina socava os portões de Luiz XVI, os conselheiros, assustados, diziam:
"Não se abre o portão a revoltosos, muito menos, a revoltosas".

Beijocas pra vc.

****

Não estou no Facebook, só no orkut. E não recebi a sua pergunta...acho que aquele aplicativo está falhando.;0(

beijos, again.

Anônimo disse...

Pessoas!!!!
Querem um conselho cinematográfico (digo conselho mesmo, e não recomendação): assistam AVATAR! É simplesmente fantástico! Assisti ontem e ainda estou extasiada... o filme é belíssimo não só pela tecnologia de suas imagens, mas também pela temática apresentada.
Meu marido, que fez cara feia quando o convidei para assistir, pois achava que era um filme infantilóide, se surpreendeu e também adorou.
Achei muito interessante que ao final da sessão as pessoas permaneceram sentadas, eu inclusive, acho que eles estavam com o mesmo sentimento que eu, que não queria levantar pq queria mais um pouquinho... apesar da minha bexiga estar estourando!!
Conselho: assistam Avatar, de mente aberta para a fantasia, mas com consciência de nossa realidade atual, e, de preferência, em 3D (afinal James Cameron segurou esse roteiro durante anos a espera da tecnologia necessária para filmar Avatar em 3D, vale pagar mais caro).
Ritinha, feliz natal, ótimas festas, bjk, Sara.

Rita disse...

Saaaaaaaaaaaaraa!!

Fui, vi e acabei de publicar o post de hoje.. estou em estado de graça.

Feliz Natal, meninas!!

 
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