O umbigo e a fila dupla




Querem outro exemplo de falta de empatia? Parar em fila dupla na porta da escola do filho, largar o carro ali, praticamente no meio da rua, entrar na escola, pegar o filho, abraçar, beijar, conversar com a professora, trocar uma ideia com os conhecidos que cruzam seu caminho. Satisfeito(a), então, sair correndinho da escola, colocar o filho no carro, arrumar o cinto, etc., entrar no carro, acenar com cara de "foi mal" (quando muito) para os outros motoristas que estão fazendo milagres para tentar circular pela rua de mão dupla e sair como se nada tivesse acontecido. E fazer isso várias vezes por semana, o ano inteiro. Todos os anos. E nunca perceber que tem alguma coisa errada com essa atitude.

Já faz mais de quatro anos que convivo com essa falta de noção todos os dias, mas não consigo me acostumar. A rua onde fica a escola de meu filho é estreita e de mão dupla. Só é permitido estacionar em um lado, o lado onde fica a escola. A rua até que é relativamente extensa, mas a pouca disponibilidade de vagas na parte plana, bem onde fica a escola, gera sempre um certo tumulto nos horários de chegada e saída dos alunos. Mas nada precisaria ser como é porque seguindo rua acima existe uma outra rua perpendicular à da escola, larga o suficiente para se manobrar sem problemas, fazer o retorno e aguardar lá no alto, com excelente visibilidade graças ao desnível, até que surja uma nova vaga, e só então descer e estacionar o carro da forma devida. E aí sim, entrar na escola e gastar lá o tempo necessário ou até um pouco mais, já que a rotatividade é muito grande e, se todo mundo agir com bom senso, vai ter vaga para todo mundo.

Mas parece que isso é pedir muito. Porque ah, gente, a correria, sabe? A pressa que me permite ignorar a pressa alheia e simplesmente travar a rua inteira. Porque naquela rua estreita é praticamente impossível parar em fila dupla sem invadir a contramão. E aí eu me sinto no direito de agir como se a minha preguiça de ir lá em cima fazer o retorno e aguardar a vez fosse muito mais importante do que o direito do outro de simplesmente trafegar pela via certa. Sem falar na arrogância de se parar no outro lado da rua, em cima da calçada. E aí fica tudo uma lindeza, imaginem vocês. Às vezes até demoro lá em cima, mas não por causa da falta de vagas, mas porque cria-se um nó tamanho que ninguém consegue manobrar, ninguém consegue entrar na rua ou sair dela... um show de horror. E mesmo que fosse preciso esperar bastante lá em cima, ainda assim não se justificaria largar o carro no meio de uma via pública por pressa ou pura preguiça. Porque 90% dos pais estão com pressa, sempre. Não sou só eu, por mais lindo que seja meu umbigo.

Às vezes acontece de pegarmos nosso filho, voltarmos para o carro estacionado na frente da escola, mas não podermos sair porque alguém está nos trancando. E não importa se estamos ou não atrasados ou de férias, ninguém tem o direito de fazer isso. Certa vez, reclamamos com a motorista que tinha nos trancado, ela ficou indignada e soltou um "custa esperar um pouquinho??". Ora! Custa subir a rua e esperar um pouquinho? Eu faço isso quase todos os dias. Humpf!

Ah, não dá, sabe? E aí todo mundo abre a boca para falar que o país é uma bagunça. E como não vai ser? Quem faz o país? E todo mundo cobra boa educação da escola (e tem de cobrar mesmo), mas ensinar aos filhos com exemplo, ninguém quer. Deixa que a escola conserta, sabe? Imagino esses pais ensinando a tarefa ao filho em casa: "Anda, filho, estuda. Não seja preguiçoso!" A-hã. Faz-me rir.

Pronto, desengasguei.

9 comentários:

Bárbara Reis disse...

HAHAHAHA...

Eu já desisti de pessoas, não dá pra mudá-las. E existe pessoas sem noção de cidadania, respeito ao próximo. É bem chato isso!

Em momentos assim eu peço pra Deus me dar paciência, porque se me der força, eu bato! uhahuhuauhauha...

Beijão!

Nakereba disse...

Nem me fala. Qualquer hora eu avanço no pescoço de um. E olha que eu sou super calmo. Mas, eu ainda não desisti das pessoas, mas, às vezes...O pior é que essas atitudes despertam em mim um sentido de vingança, algo que normalmente não sinto. Falta de empatia? Vizinho põe o televisor do lado de fora, ao lado da piscina para assistir final do Brasileirão, o que me obriga a "escutar" a narração do jogo pela Globo no meu escritório, coisa que nunca faço. Depois que o jogo acaba continuam assistindo ao Show do Faustão com o volume alto. O que fazer? Reclamar e depois criar um clima chato com o vizinho? Fazer tanto barulho quanto eles para perceberem que você está em casa e pode querer assistir a outro programa? Aguentar calado? Eu não tenho a opção, como a Bárbara acima, de pedir paciência a deus. E se acreditasse pediria mais era uma chuva bem forte para pô-los a correr para dentro de casa!!grrrr!

Angela disse...

Ai meu, tentei comentar esse post mas depois de tres tentativas diferentes, e de muitas controversias, resolvi retrair. Pois para expor controversias e po-las em contexto precisaria de um capitulo de livro e muito tempo em maos.
Entao resolvi passar para o lado light...: Eu e Pete uma vez dobramos de rir quando saimos do predio aonde mora minha mae (nao eh uma rua principal, eh uma rua estreita e nao asfaltada) por volta de 6 da tarde, e havia cerca de um quilometro de carros para cada lado, estaticos, *todos* buzinando. Uma cena hilaria e um pouco surreal, pelo menos para nos. Tudo devido a um carro que parou em mao dupla, seguido por dois carros que tentaram passar ao mesmo tempo pela unica brechinha que havia na rua e interditaram a passagem, e pelos apressados que provavelmente viram o que iria acontecer mas mesmo assim imediatamente pararam coladinhos atras dos dois carros, iniciando esse imenso deadlock. Infelizmente tinhamos que continuar seguindo e nao foi possivel ver o desfecho, mas ate hoje gostaria de saber como isso se desenrolou... Imagino no minimo duas pessoas (motoristas que desistiram de buzinar e tomaram iniciativa, ou moradores dos predios que cansaram da barulheira) uma interditando um lado da rua, e outra indo de carro em carro falando que precisavam retornar para o negocio desentalar. Ou talvez a policia tenha sido chamada para desenrolar o no. Ahah que absurdo nao eh?

Rita disse...

Oi, pessoas!

Pois é, Bárbara, às vezes dá vontade de desisitir mesmo, sabe? Mas é preciso negociar para não tornar a coisa inviável, né não? Mas que é preciso muuuuuuita paciência, ah, sim.

Nakereba: não consigo imaginar você pulando no pescoço de ninguém. Por outro lado não duvido, porque às vezes também experimento uma indignação tão grande que fico ali, à beira de um piti...

Anginha: não é demais? Agora imagina essa coisa todo santo dia, às vezes duas vezes... ui. Mas agora quero saber das controvérsias...manda aí, manda aí!!

Beijos!
Rita

Vivien Morgato : disse...

Essa falta de noção é clássica, seria interessante ver como essas pessoas defendem uma ação tão idiota...;0(
beijos.

Márcia disse...

As pessoas que me conhecem superficialmente me acham calma e controlada. Mas estas situações de desrespeito no trânsito despertam o incrível Hulk que trago escondido no peito.
Aqui em Brasília os motoristas são arrogantes e donos do mundo. Param em fila tripla na porta de lojas e restaurantes nas quadras comerciais e mesmo nas residenciais. A desculpa esfarrapada é sempre aquela do "mas é só um minutinho". Que use então o minutinho dele, não o meu.
Meu tempo é muito precioso para eu perder esperando pessoas egoístas e mal-educadas...
RRRRRRRRRRR
(isso foi um rosnado feroz!)
Esse assunto acaba comigo.
A rua de acesso a minha casa é estreita e mão-dupla. As pessoas estacionam carros dos dois lados, ao lado das placas de proibido estacionar, aí gera aquela polêmica, você sempre dá de cara com outro motorista e alguém tem que dar marcha ré...
Um saco.
Nossa, falei demais, vou deixar o Hulk dormir um pouco...
:-)

Rita disse...

Marcinha, imagino sua cara de brava, mesmo! Não é fácil, eu bem sei. Mas vamos em frente - quando deixarem, quero dizer. ;-)

Vivien: defendem na maior cara de pau, tem de ver pra crer.

bjs, meninas.

Gabriela disse...

oi! Primeira vez que entro aqui no blog e li este post, mto bom mesmo, a gente tem q falar com as pessoas quando ve algo errado acontecendo, acho absurdo desistir disso, desistir da educação, é bem como tu falo no ultimo parágrafo, concordo plenamente!
O país é uma merda conformista pq todo mundo deixa as coisa pra pessoa do lado que tb ta assistindo o que ta acontecendo de errado. Nao podemos esperar pelo outro, cada um tem voz pra usar a própria!

ui, tb desabafei :P

Rita disse...

Oi, Gabriela, seja muito bem vinda! Obrigada pela visita, venha sempre!
Pois é, né? Se todo mundo espera, nada acontece... Confesso que na maioria das vezes sigo indignada sem comunicar minha raiva a quem deveria. Mas às vezes não dá e acabo fazendo o que, se brincar, deveria fazer mais vezes. Se bem que se eu for reclamar cada vez que alguém me tranca no trânsito... iiihhh, haja garganta. Mas é um caminho.

Até mais!

 
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