Natal III - da mudança de espírito

 
Eu: -  Estou sem inspiração. Dá uma dica sobre o que escrever no blog hoje.
Ulisses: - Ah, escreve sobre o Natal.
Eu: - Nã! Tenho nada a dizer sobre o Natal.
 
***
 


Caramba. Que coisa estranha.

Não sei bem em que momento isso aconteceu, mas é inegável que esse é de longe o ano em que menos me senti envolvida pelo tal espírito natalino. Não sei se isso é bom ou ruim, nem passa pela minha cabeça emitir qualquer juízo de valor sobre esse ou aquele modo de encarar as festas de final de ano. Estou apenas registrando o fato de que Papai Noel e Jingle Bells nunca foram tratados por mim com tamanha indiferença.

Desconfio que a coisa toda tem um pouco a ver com a consciência em torno da veia consumista dessa época do ano e com o fato de que estou cansada da muvuca do comércio. Não que eu tenha feito mil compras agora, não, mal e mal comprei os presentes das crianças e de alguns familiares e amigos, tudo concentrado em duas idas ao shopping mais próximo para não me irritar demais. Mas só a ideia e a lembrança da correria de idos anos já bastam para me deixar à beira de uma estafa. Férias é para descanso, certo? Ora, ora, ora. Bom, já falei que ando meio desgostosa com a tal obrigação de dar presentes, então não vou me estender muito no assunto.

Mas não é só isso. Acho perfeitamente possível entrar no clima de confraternização e de festa sem embarcar na loucura do compre-porque-compre. Mas não entrei. O ponto alto da semana para mim deve mesmo ser o dia 26, quando embarcarei para o Nordeste rumo á casa da minha mãe - aeroportos e aviões apertados com duas crianças pilhadas dão um banho em qualquer véspera de Natal em termos de agito, concordam? Talvez seja isso, o fato de eu não poder viajar antes do Natal (trabalhamos até a manhã do dia 24 e aí, sim, entraremos em férias), de lembrar das comemorações que fazemos na casa da minha mãe nos anos em que consigo estar lá na noite da festa. Talvez eu já me programe internamente para não me envolver e, portanto, não encarar aquela melancolia pesada que nos abate no final de ano quando algo não está do jeito que gostaríamos.

Mas não pensem que reclamo, longe disso, não sou amarga a ponto de maldizer 12 meses de alegria contínua em nome de uma noite. Mas eu lembro do tempo em que mandava cartões da Natal para todo mundo - com votos sinceros, sempre; de quando ficava ansiosa com a chegada do final de ano, de como importava a forma como passaria a noite de 24 de dezembro. De novo, não pensem que fico triste - talvez eu lamente ter abandonado os cartões, porque adorei receber um de uma amiga queridíssima essa semana. Mas, honestamente, sinto-me livre. Livre para encarar a noite de Natal como uma construção cultural na qual posso embarcar quando quiser. Não me sinto obrigada a nada. Mas essa sou eu. Ponto, parágrafo.




Para os dois pititicos que estão salivando diante da nossa árvore, que acreditam em Papai Noel; para a pequena Amanda que recebe o embrulho colorido e ao ouvir "só pode abrir no Natal" deposita-o pacientemente sob a árvore (ela tem dois aninhos...); para o Arthur que canta "se você pode ser assim, tão enorme assim, eu vou creeeeeeer, que ninguém é triste...", ah, para eles a história é bem outra. Eu não tive muitos natais felizes na infância - experimentei mais a melancolia do que os deslumbres embalados com papel colorido. Aos meus filhos quero dar bons natais para lembrar depois. Pode parecer contraditório, mas não pretendo derrubar por terra a magia do Natal deles. Então aposto em seus rostinhos iluminados para dar a essa semana a magia que não vi ainda. Vou ver se consigo não queimar os biscoitos e vou procurar aquele CD com Christmas Carols que sempre me deixa com um nó na garganta. Montamos nossa árvore, os presentes estão lá, e o trenó do Papai Noel vai rasgar a noite em nosso quintal, com certeza. E sei que vou ver nos olhos do Arthur o Natal que eu quis ver na minha própria infância (certamente há outras formas de ensiná-lo a lidar com o consumismo que não seja privando-o da visita do Noel, hehe). E pretendo tentar mergulhar fundo na viagem. Quer saber? Tomara que eu consiga.

Credo, esse blog é mágico. Estou totalmente no clima. Feliz Natal, pessoas! (Obrigada pela dica, meu amor.)

9 comentários:

Vivien Morgato : disse...

Gosto das festas. Mas gosto, em especial, do reveillon.
É o meu dia favorito no ano, com certeza: dia de todas as possibilidades, como se fosse uma gigantesca segunda feira.;0)
A vida adulta transformou o natal em um dia com obrigações que eu não tinha...mas quer saber? Eu gosto.;0)
Recebo uma D.Maria de frente, viro a cozinheira mór e adoro.
Mas pra mim, o pulo do gato são os últimos minutinhos do ano que se encerra.
Esse ano de m***, por sinal, quero que acabe logo..rs
Grande 2010 pra vc, beijos a todos.

Anônimo disse...

È Rita, escrever nos faz refletir e retomar...por isso é mágico. Adorei!

IsabelaRosa disse...

lindo Rita.
Depois do fiasco que nós três participamos (eu, tu e a Sheila), nos boicotando do nosso próprio happy hour previamente combinado, merecemos tb um encontro natalino, só pra variar...
Grande bj,
Isabela

Rita disse...

Oi, meninas!!

Vivien, querida, sempre fui muito mais de reveillon também, tem mais cara de festão, de alegria, recomeço. Mas a chegada das crianças tornou o Natal diferente aqui em casa. Normal, né? Seja como for, final de ano tem seu charme.

Anônimo (Kaká que esqueceu de assinar, eu sei, eu sei): pois essa coisa de escrever é um troço mesmo, viu? De certa forma, a gente vai se fazendo à medida que escreve, eu, hein... coisa doida.

Isabelaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!! Que absurdo, merecemos um grande puxão de orelha. Mas hoje tentei me redimir, liguei para a Sheila, ela falou que você só pode à noite. Amanhã te ligo SEM FALTA!! Happy hour já!! Beijão!

Rita

Maria Fabriani disse...

Oi Rita. Eu entrei no ritmo natalino seguindo o meu filho que só fala em "tomte", que é papai noel em sueco. Se ele quer, eu faço. Sobre o seu comentário lá no MOntanha: quantas dicas!!!! Obrigada! Não apenas não tenho nenhum desses livros nem sequer tinha ouvido falar deles! Aliás, minto, o do Ziraldo acho que já tinha ouvido falar sim. Mas o resto... estou realmente desatualizada... Obrigadíssima pelas dicas. Vou ver se meu pai tem condições de comprar um ou dois e me mandar. Obrigada! :)

Rita disse...

Oi, Fabriani!

De nada, querida. Eu que agradeço a visita por aqui. Volte sempre - e bom Natal gelado pra vocês!!
Bj
Rita

dannah5 disse...

Ahhhhhhhhhhhh Rita, so li isso agora, acho que separaram a gente no nascimento!hehe Pelo menos em alguns aspectos pensamos igual, esse ano eu nao consegui entrar no clima pra falar a verdade quase entrei no clima de Um dia de Fúria! ahahaha Se vc visse na tv uma mae gordinha doida matando todo mundo com metralhadora, era eu!!!
Ando meio pensative pela familia, aqui o clã encurtou, e isso com certeza tornou o natal menos significativo, eu sou muito sensivel nessa parte familiar, sinto muito saudade de da minha vó e meu avô, eles sim deixavam o natal especial, minha mae ate tenta mas nao eh a mesma coisa. Acabei que tive encomenda de cupcakes pra dia 25 pela manha, acordei 6 horas da madruga e fui abrir pasta america e rechear tudo, depois fui em um trabalho social com familias desfavorecidas e fiquei revoltada com o quanto essas pelo menos aquelas, respeitam pouco a familia, nao respeitam comida, doaçoes, nada, nesse ponto fico triste pq a esmola do governo contribui para esse descaso de parte, enfim, sei la, fiquei meio depre esse ano, nao foi nem de longe o natal q gostaria, mas pra elas foi lindo, brincaram, ganharam presente do papai noel, viram teatrinho com a historia de Jesus e terminaram a noite pelados tomando banho de piscina e mangueira! hehehe O rio 40º acaba com a gente!!

Nas assino embaixo de tudo que falou! :D

Feliz natal atrasado!

beijocas

dannah5 disse...

ah ignora os erros, o trauma com a previsualização me deixou com medo de usar e perder o texto!hehehe

Rita disse...

Hannah, querida, minha mais nova alma gêmea! eheh Adoro seus comentários, não pense nem por um segundo que vou ficar reparando em deslizes de digitação. Pois é, o Natal tá ficando esquisito com a "velhice", eheh, ainda bem que as crianças renovam a gente, né?

Então você faz guloseimas para vender?? Hum.. que prendada! Eu só queimo biscoitos e destruo empadões, mas consegui fazer as trufas! oba! Depois quero conversar contigo com mais calma sobre esse papo que você falou aí das doações, tá?

Beijocas!
Rita

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }