A ilha dos ventos uivantes

 

A tempestada já foi, mas a dança continua.

Ontem Florianópolis viu outra das tempestades que têm se tornado cada vez mais comuns por aqui. Depois de um dia de calor escaldante, os ventos fortes pareciam que aliviariam a sensação de caldeirão, mas não demorou muito até percebermos que eles na verdade traziam um temporal assustador. Durante longos minutos, as trovoadas deram a sensação de que o teto do mundo se despedaçava sobre nossas arrepiadas cabeças e os clarões dos raios que rasgavam a noite contibuíram para um cenário arrepiante.

Por sorte, a chuvarada não demorou mais que quarenta minutos e os estragos, que não foram pequenos em alguns pontos da cidade, não se estenderam pela ilha inteira.

Em casa, ficamos encarregados de acalmar nosso valente (a-hã) cão de guarda. Desnorteado com tanta barulheira, o pobre Roque descontrolou-se, esqueceu as regras e invadiu a sala, deu várias voltas ao redor da árvore de Natal - provavelmente a mais segura das árvores do bairro naquele momento - e implorou como pôde por clemência e um cantinho do lado de cá da casa. Odisseus, bom amigo, fez companhia ao apavorado cachorro enquanto a cidade era lavada e espanada e eu assistia, não menos apavorada que o Roque, as árvores do outro lado da rua se curvarem ao sabor da ventania.

Passado o susto, a noite seguiu silenciosa e voltamos para a cama pensando naqueles que têm tetos frágeis e paredes pouco firmes. E até onde nosso planeta vai dar conta.

Hoje o dia nasceu azul, mas os ventos seguem fortes testando a resistência de árvores e telhados. Vem chegando o verão.
 

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