Avatar




Ganhei meu primeiro presente de Natal. Veio na forma de graciosas figuras azuis que caminham pela floresta mais linda de todos os mundos, dormem em redes presas nas alturas de galhos iluminados e rasgam os céus em voos alucinantes.

O que dizer de Avatar? Vou chover no molhado, tanto já foi dito, mas hoje não conseguiria escrever sobre outra coisa. Fecho os olhos e tento me transportar de novo para a sala de cinema. Na sessão 3D, lotada como todos os espaços de Floripa nesse final de ano, acho que cheguei a incomodar meu vizinho de poltrona com meus "uaaau", "nooossa" e "caaara" (meu vizinho de poltrona não era o Ulisses, já que ele teve de sentar atrás de mim porque não conseguimos dois lugares juntos). Mas não devo ter falado alto, porque eu estava meio em transe, deslumbrada com tanta beleza. Avatar é mágico, uma obra prima que merece cada linha elogiosa escrita na rede desde sua estreia.

Eu me apaixonei pelo filme. O início já é legal porque os efeitos da projeção 3D são bacanas, a história parece boa desde o princípio e, putz, eu estava cheia de expectativas por tudo que já tinha lido a seu respeito. Mas quando Jake se perdeu na mata de Pandora, e Neytiri nos apresentou à floresta dos Na'vis, fui fisgada de vez. Confesso sem qualquer pudor que tive de me controlar em alguns momentos para não estender minha mão e tocar as sementes iluminadas que flutuavam e foram responsáveis pelos meus primeiros "uaau". Não dava para saber quem era mais deslumbrado, se o Jake, tocando todas as plantas ao seu alcance, ou se eu, abobada, tentando me controlar para não tentar tocar também. Tudo é bonito, até os bichos mais "horrendos" ganharam minha simpatia imediatamente. Se a história fosse muito ruim e tudo se resumisse às imagens, eu já estaria aqui recomendando que você corresse para o cinema mais próximo.

Mas não é assim. O recado de Avatar é tão bem dado que incomoda profundamente. Nós, humanos, somos aquilo ali. É aquilo que fazemos quando queremos explorar uma fonte de riqueza: nós atropelamos geral, tocamos o terror e destruímos nossa casa. E é um pouco incômodo assistir a uma história na qual simpatizamos absolutamente com os "outros" e torcemos muito contra os humanos - bem, pelo menos não contra todos os humanos (é bom saber que, de repente, nem tudo está perdido). As batalhas de Avatar me fizeram pensar em nossos índios, no povo iraquiano e em outros povos que têm o azar de terem erguido sua civilização sobre terras preciosas aos olhos dos caçadores de tesouros. E chorei com a queda da primeira árvore. E não me olhe assim, não era uma árvore qualquer e aposto que você vai, pelo menos, ficar com um nó na garganta. E não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei várias outras vezes ao longo do filme, às vezes por tristeza, outas por pura emoção.

Sei que vou ver Avatar outras mil vezes, mas acho que não vou mais experimentar o encantamento dessa primeira vez. E não só pelos maravilhosos efeitos 3D, mas porque a primeira vez é de descoberta: eu voei junto com os banshees, atirei as flechas certeiras de Neytiri e quase me juntei aos Na'vis em seus gritos de guerra - seria, certamente, o mico do ano e talvez Ulisses, aproveitando que já estava sentado um pouco longe, sairia de fininho do cinema, jurando não me conhecer. Mas me contive. Como também me contive quando, em um ponto chave da história, a personagem de Michele Rodriguez se rebela e mostra a que veio. Ai, quase gritei "yes, Ana Lucia!!" (Na verdade, o nome dela no filme é Trudy, mas não adianta, Michele Rodrigues, para mim, vai ser eternamente a Ana Lucia de Lost. Mas isso é outro papo; registre-se, apenas, que a mulherada toda manda muito bem em Avatar).

Pois bem, não sei o que você está fazendo aí lendo este post. Corra, compre seu ingresso para Pandora e vá assistir ao filme do ano.


10 comentários:

Sara disse...

hehehe, e eu não disse!
Eu já tenho data marcada, só falta a poltrona, para ver novamente. Dessa vez no IMAX, que dizem por aí que é o melhor cine 3D em funcionamento(vamos ver se tem mesmo diferença), pois quando tentei comprar ingressos para essa sala localizada no Bourbom Pompéia/SP fui obrigada a desistir, pois provavelmente o ângulo das poltronas das extremas laterais não ajudaria muito... e em todas as sessões estava assim!! Acabei abraçando um 3D do Cinemark de outro shopping.
Mas como lá pelo fim da primeira quinzena de janeiro já vai ser hora de visitar o marido de novo, lá estarei eu, de preferência na J12 ou 13!!
Bjk

Tatiana disse...

Olá,
Prazer vir aqui. Caí meio de paraqueda, pulando de blog em blog. Curti.

Ana disse...

Rita, Feliz Natal para voce e sua familia!! Que papai noel traga muitas alegrias e que o ano novo q se inicia venha carregado de coisas boas!
Beijos!
Ana

Nakereba disse...

Hm. Agora fiquei com vontade de ir ver. Tinha lido a "resenha" da Lola, mas não me apeteceu muito. Espero que haja uma sessão bem cedo. Espero também que eles tenha aprendido a regular o som. Antigamente o som dos cinemas era péssima. Hoje em dia é excelente, mas as salas são todas mal ajustadas. O som geralmente é alto demais durante as músicas e não é alto o suficiente durante os diálogos (canais diferentes). Depois passo aqui e te digo o que achei.Ah, não choveu no molhado não, tá? Beijos!

Nakereba disse...

Gente! Hoje eu estar meio alemão. "eles TENHAM aprendido"..."o som das salas de cinema era PÉSSIMO". rsrs

Rita disse...

Oi, Nakereba! Feliz Natal (sei que não é sua festa favorita, mas nem por isso quero que ela deixe de ser feliz para você..). Anda, vê logo, e me diz o que achou. Estou indo pro Nordeste, mas permanecerei conectada. Bjs!

larissa disse...

Linda a floresta toda em neon!!!
Assisti hoje!

dannah5 disse...

Rita, entao, quando vc deixou a dica eu ja tinha visto! Confesso que fui arrastada, nao parecia meu tipo de filme e nao tinha gostado do trailer, nao sou la muito fa de ficçao cientifica. Quando comecei a ver ja fui emburrada afinal de contas depois de anos sem ver um filme no cinema quem escolhia era justo ele, entao fiquei um pouco resistente, e gostei da historia mas nao achei q tinha nada haver com o trailer, engraçado que os Navi so me lembravam o povo africano, nao vi neles os indios, eu sei que tem similaridades mas enfim, me lembrava deles quando via, e gostei muito da historia, achei muito inteligente, me lembrou o recado do Wall-E, sobre o nosso predatorismo desenfreado, a unica coisa que me incomodou um tiquinho foram alguns dialogos que soaram um pouco cliche e por isso o filme se tornou previsivel, na metade eu ja tinha certeza de como ia terminar, isso me irrita um pouco em geral! hehe

Achei os personagens super ricos, alguns foram pouco explorados, a Michele Rodrigues podia ter aparecido mais, eu fiquei encantada com o mundo que ele criou e na verdade eh tudo muito semelhante ao que temos aqui so que mais magico e bonito, agora a floresta de neon eh fantastica.

A historia da sintonia entre todas as criaturas me lembrou muito os papos naturalistas, aqueles que tentar incansavelmente mostrar pra gente que tudo tem uma razao de ser, nao tem como manter o equilibrio do planeta destruindo o que nos convem, e eh verdade, o ecossistema eh muito sensivel, meu padrasto eh biologo e fez uma tese sobre algas, e elas estao em extinçao, quando sumirem la se vai a vida marinha e vai ser uma bola de neve. Somos parasitas! :(

Eu realmente gostei do filme, nao eh lá meu estilo favorito, sou mais fã de dramas e suspense mas realmente ele deu um show.

Queria ter visto em 3d!:'(

beijocas

Anônimo disse...

Oi, Rita! Parabéns pelo Blogger! A Jô e o João me falaram dele.
Vou tecer alguns comentários sobre o filme Avatar.
O que realmente me chamou a atenção foi a integração, interdependência, harmonia e respeito entre Todos os Seres daquele MUNDO ESPETACULAR. Fiquei imaginando o quão magnífico seria viver naquele Edem! Tenho certeza de que esse Mundo existe no Universo... e muitos!
O filme retrata exatamente o dia a dia dos Selvagens que aqui viveram harmoniosamente com a Mãe Natureza, prodigiosa obra da MÃE TERRA, por algumas dezenas de milhares de anos, antes da nossa fatídica chegada. A ganância imensurável do comércio fez com que em pouco mais de um século cortássemos Tudo (Todos), do Atlântico ao Pacífico.
O respeito, demonstrado no abate do animal, única e exclusivamente para a alimentação ou iminente necessidade, também era praticado pelos que sabiam viver nos Antigo Jardim aqui existente e que, jamais voltaremos a conhecer.
Falta-nos muito, Muito, MUITO, para um início de conscientização..., e Respeito por Tudo o que sobrevive no Planeta. Fazer ao outro o que gostaríamos que nos fosse feito, serve para Todos os Viventes de “Nossa” Mãe Terra. Cada um tem seu porquê no Globo. Infelizmente, matamos muitos e com a cadeia alimentar destruída, outros tantos proliferam ou definham.
Que maravilha a integração, a COEXISTÊNCIA DELES com o SEU MUNDO... UM SÓ SER... Planeta, Minério (talvez a fonte do download), Avatares, Animais... se interligando... . A lembrança dessa interdependência física e espiritual é o bastante.
É possível sentirmos um pouquinho do que eles viviam em AVATAR ou do que os Índios daqui também vivenciaram, antes de nossa chegada. No interior de uma floresta ou lugar tranqüilo, abrace uma árvore e interaja, por meio de seu caule e em especial, deixando-se fluir por meio de suas raízes, para o interior do seio da terra, procurando sentir a energia dos demais seres vivos ali existentes e indo mais além, contatando, por intermédio da Mãe Natureza, a própria MÃE TERRA... é uma experiência única... ... ... .
Quem me dera viver em AVATAR... .
Uma vez, no jardim botânico de Brasília, um renomado biólogo, numa caminhada em meio à vegetação, falava a um índio, de seu conhecimento científico a respeito das árvores... nomes latinos, formas de raízes, folhas..., das ombrófilas, angustifoliadas... . De repente, o Selvagem agarrou-se a um exemplar e subiu agilmente por seu caule, aconchegou-se nas ramagens lá do alto, fundindo-se num abraço carinhoso por quase uma hora. Ao descer, quando questionado de sua atitude, disse ter reconhecido uma das árvores que existia nas proximidades de sua Aldeia e que assim procedeu para matar a saudade que sentia... . Um pequeno exemplo de Avatar... um Índio.
Grande Abraço! Sucesso no Blogger.
odisi.filhodaTerra@gmail.com

Algumas informações obtidas por intermédio do Google e Wikipedia a respeito da palavra AVATAR:
Manifestação corporal de um ser imortal; aquele que descende de Deus; encarnação... .
Segundo o hinduísmo, Vixnu vem ao mundo de diversas formas, chamadas avatares, que podem ser humanas, animais ou uma combinação dos dois. Todos esses avatares aparecem ao mundo, quando um grande mal ameaça a Terra; no total, existem dez avatares de Vixnu, dos quais nove já se manifestaram no nosso mundo - sendo Rama e Críxena (Krishna) os mais conhecidos - e outro ainda está por vir. São eles:
• Matsya, o Peixe;
• Kurma, a Tartaruga;
• Varaha, o Javali;
• Narasimha, o Homem-Leão;
• Vamana, o Anão;
• Parashurama, o Homem com o machado;
• Rama – fonte de todo prazer;
• Críxena (Krishna)
• Buda, o Iluminado (Sidarta Gautama)[1]
• Kalki, o espadachim montado a cavalo que ainda está por vir.

Sinara disse...

Oi! As minhas prolongadas férias estão me deixando atrasadinha nas postagens... Mas já deves estar acostumada rsrsrs... Quando não são as férias, é o trabalho mesmo! :-)
Bem, amei Avatar... Os efeitos 3D são fantásticos, mas, tenho certeza que, mesmo em uma sessão comum, teria sentido a mesma emoção do enredo maravilhoso e da alusão ao que fazemos na Terra... Pandora é um lugar maravilhosamente mágico e senti as emoções que só sinto quando estou compartilhando uma prática de Yoga com quem de fato vive o Yoga (desculpe se voei longe na alusão)... Pandora, com certeza, pode ser aqui mesmo, né? É só a gente deixar de destruir tudo de lindo... Sei que você entende. No mais, agora é aguardar o que o Cameron vai trazer pra gente na próxima aventura, seja em Pandora ou em qualquer outro mundo... Ele sempre surpreende, não é mesmo?! Bjs!

 
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