Se eu fosse a Amanda




Uma das coisas que mais tenho curtido fazer ultimamente é observar minha filha de dois anos brincar. Então quando li o desafio proposto pela Gabi para escrevermos um post sobre o que faríamos se acordássemos no corpo de outra pessoa, imediatamente me imaginei de volta à infância, por um dia que fosse, no formato mais fofo que eu poderia sonhar, no corpo da minha fllhota. 

Eu imagino que algumas limitações seriam bem irritantes, na verdade, como pernas mais curtas, por exemplo, o que significaria fazer mais esforço para subir as escadas da nossa casa ou precisar de ajuda para alcançar lugares altos. Mas eu me esbaldaria mesmo assim. Em primeiríssimo lugar, eu ficaria horas afagando aquele cabelinho cheio de cachinhos, porque não é toda hora que ela me deixa fazer isso. Quando o autocarinho ficasse monótono, eu pediria para o papai me carregar no colo pela casa inteira e - oba! - brincar de aviãozinho comigo! Ele então me seguraria pela cintura e me faria dar rasantes pela casa e eu soltaria gritinhos de alegria no melhor estilo vida mansa. Quando ele saísse para trabalhar, eu iria passear com a babá pelo bairro, colher flores e correr pela calçada, sem nenhuma - nenhuma - preocupação com horários e atrasos. Inclusive, eu dormiria durante a tarde inteirinha em minha caminha, esparramada entre travesseiros e bichinhos de pelúcia. Ah, eu dormiria muuuuito.

Mas a glória mesmo seria a hora do balanço. Depois de horas de um soninho dos bons, eu simplesmente gastaria o resto do meu dia me balançando pra lá e pra cá, com a cabecinha inclinada para trás, sentindo o vento em meu pescoço. Eu acho que fecharia os olhos, respiraria bem fundo e, entre um impulso e outro no balanço, tentaria deixar impresso em seu coraçãozinho todo o amor que sinto por ela. Assim, quando ela retornasse ao seu corpinho de menininha, olharia para mim intrigada, perguntando-se que coisa boa era aquela que ela podia sentir agora. Não sei se eu conseguiria explicar, talvez eu lhe desse apenas um beijinho, mas tenho certeza que sua boquinha se abriria num sorrisinho lindo porque criança sente quando lhe damos amor.

E, depois, eu seguiria minha vidinha com as energias renovadas e com a mesma certeza que já tenho hoje: eu não preciso de mais nada.

4 comentários:

Lau Verrengia disse...

Sabe que você me fez voltar à infância agora. Na verdade nem me coloquei no lugar de outra pessoa ou de alguma outra criança, mergulhei no meu passado e fiquei relembrando (vagamente, não lembro quase nada da minha infância) e imaginando as coisas que eu fiz e o que faria hoje se fosse criança, se voltasse naquela época em que tudo tinha um brilho diferente...
Ai ai. Que saudade e que vontade!
Eu também queria ser uma pessoa idosa... deve ser uma experiência e tanto.

Beijos

Anônimo disse...

Oi, cunhada!


Gostei muito desse post... Tá tudo junto aí: meiguice, carinho, alegria de viver e, até mesmo, umas irritaçõezinhas "básicas"... Ser criança é mesmo tudo isso, e, devo dizer, amiguinha, que você escolheu muito bem em querer "trocar" por um dia com sua filhota.

Olhando pelo lado dela... acho que ela também iria gostar. De ter um marido bacana, de ter dois filhos levados e inteligentes, de gostar de escrever. E, certamente, deixaria também MUITO impresso no seu coração o amor que sente, porque amor de criança é DEMAIS
(é por isso que as temos, né? Dá tanto trabalho, mas são tão maravilhosas... rs.... é mesmo uma peça que a natureza nos arma para que o ser humano continue sua jornada pelo universo...).

Bem, quando eu era pequena, lá em Minas (só não era em barbacena), teve um 'causo' muito bacana. Lembro de uma chuva de granizo que nos aterrorizou (eu e o Ulisses, o Dudu ainda não tinha nascido). E me lembro de ter corrido com ele para debaixo da cama,e a gente ficou ali, se protegendo um ao outro - eu na ilusão de que protegia mais, por ser mais velha, enfim...). Se eu pudesse voltar no tempo, acho que voltaria para esse dia, só para ter certeza do que é que a gente conversava enquanto estava lá, debaixo daquela cama, ouvindo aquele barulhão... E depois, sair, ver uma quebradeira maluca, mas se divertir com as pilhas de gelo pelo quintal de casa...

Já com o Dudu, tive lá meus momentos de "carrasca"... Mas lembro de levá-lo para a escolinha, de vê-lo dançar a quadrilha na festinha de São João, de sentir o maior orgulho de vê-lo crescer e de tê-lo como meu companheirinho de praia! Sempre o levava para os banhos de mar e, se eu pudesse, também voltava lá para passear com ele.

É, na adolescência do duca a gente se separou (eu casei e mudei, aquela velha história), e hoje sinto que poderíamos ter tido muito mais momentos bons. Mas crescemos, nos amamos e nos respeitamos, e continuo tendo o maior orgulho do Homem de Bem que ele é.

Amo vocês, pessoas! Irmãos, sobrinhos, cunhada, tenho a maior alegria de, de alguma maneira, pertencer a vocês. E o Pedro, com certeza, também tem. Vocês são muito especiais para nós!!!


Beijos, abraços, carinhos e piscadas de olho (que nem da Jeannie é um gênio!), para divertir um pouquinho!


Carinho,

Lili.

190604 disse...

Uma pintura esse texto, deu pra imaginar as cenas, sentir os aromas, lembrar um pouco dos idos anos 70/80 rsrss.., ah, fiquei com uma vontade danada do bolo.., vi a receita e tudo mas achei complexa demais pra fazer sozinha., me contentei com um bolo de chocolate desses prontos que vc compra no mercado e só coloca leite hehehh..., mas ainda sonho com ele nas madrugadas aiaiai

Rita disse...

Oi, pessoas...

Pois é, Lau, a vontade de voltar à infância bate de vez em quando, né? É uma das coisas boas de ter filhos: à medida que eles vão crescendo, temos a chance de brincar tudo de novo com eles: ontem brincamos de polícia e ladrão, e de telefone sem fio.. eheheh já jogo monopoly com o Arthur. Mas não caibo no balanço da Amanda... não se pode ter tudo...

Lilian, querida, adoro suas visitas e suas histórias. Saudades! Dezembro tá chegando.... hummmm...

190604: acho que vc está falando do bolo Texas Sheet? Delícia, recomendo mesmo.. e apareça mais vezes, obrigada pela visita!

bjs

Rita

 
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