Quem faz pior?


Volta e meia eu e Odisseus relembramos alguns percalços que enfrentamos quando nos mudamos para nossa atual casa. Um dia, caso nos mudemos novamente, levaremos ótimas lembranças de onde moramos, mas sempre que relembramos o processo de mudança é impossível não falar do grandioso concurso que criamos: o disputadíssimo

 Concurso Fulano de Serviços Mal Prestados

(O "Fulano" aqui é para preservar a identidade do profissional que nos inspirou a batizar o concurso, porque, convenhamos, não seria muito elegante expô-lo desta forma. E vai que o cara melhora, né?)



Tem para todos.

Nossa saga teve início antes mesmo de comprar a casa, quando tivemos o necessário (des)prazer de conhecer vários corretores da cidade. Grávida, às vezes verde de enjôo, visitei com meu marido um zilhão de casas e apartamentos, oitenta por cento dos quais me davam vontade de olhar para o corretor e falar Hellooooo? Até conhecermos o iluminado que nos vendeu nossa casa, foram muitos passeios em vão pela cidade. Tudo bem, faz parte do processo, mas o auge da perda de tempo foi mesmo curioso. Um dos corretores nos visitou para uma espécie de entrevista que tinha o objetivo de, digamos, traçar o "perfil do casal" e saber que tipo de imóvel gostaríamos que ele, corretor premiadíssimo, encontrasse em menos de três semanas. Em meio a um cafezinho e muita falação, fomos apresentados ao ranking onde ele ocupava o posto de melhor corretor do estado (ou do país, não lembro) e bla bla bla. Aos brados de "sou o melhor corretor do mundo", a criatura se despediu diante do elevador de nosso prédio, para nunca mais voltar. Nunca. Não houve um telefonema, um imóvel sequer para nos apresentar. Até hoje desconfio que tudo que o melhor corretor do mundo queria era um pouco de atenção e um cafezinho (o cafezinho do meu marido é mesmo uma delícia).

Mas isso foi só o começo. Porque uma vez comprada a casa, decidimos fazer uma pequena reforma. Nada muito grande, apenas aproveitar melhor um espaço onde, originalmente, ficava um enorme canil. Como não pretendíamos ter mais de um cachorro, resolvemos construir ali uma sala (parece estranho transformar um canil numa sala, mas o negócio deu certo). Além disso, decidimos colocar gesso aqui e ali, e mobiliar os quartos das crianças. E aí veio o construtor que entregaria a obra em três semanas, que se transformaram em dois meses. E em dois meses lidamos com profissionais diversos e colecionamos dores de cabeça. Entre outros eventos memoráveis, lembro bem que:

o construtor assumiu outra obra antes de acabar a nossa, passando todo o serviço para seu ajudante, o que resultou no atraso inevitável (agora aprendi que "é assim mesmo" - ???);

o eletricista, que não tinha equipamento adequado e não sabia diferenciar um fiozinho azul de um fiozinho preto, furou a parede para instalar um interruptor, bem ao lado de outro interruptor já existente, desconsiderando completamente a métrica e a estética da coisa, de modo que olhávamos para a parede e víamos dois interruptores em desnível. Lindo;

o gesseiro não julgava muito importante cobrir os móveis enquanto trabalhava; e achava legal colocar sua roupa suja de gesso ("suja" é um profundo eufemismo) no quarto do meu filho, sobre a bancada de troca de fraldas;


o marceneiro alagou o quarto do meu filho (tudo bem, foi azar. Eu fatalmente furaria bem no meio do cano também);

a porta de vidro rachou dias depois de instalada; como já estava paga, a assistência nos ignorou o quanto pôde (várias semanas);

em meio à alegria contagiante, a pessoa que trabalhava lá em casa brigou comigo (deu uma bronca mesmo, bem diante do assistente do gesseiro), porque aquela bagunça estava demais. :-(

Mas ninguém conseguiu superar o pessoal da dedetização. Lembram daquela cantiga infantil:

"Fui morar numa casinha-nha
Infestada-da
De cupim pim-pim..."

Éramos nós. Quando descobri que "aqueles formigões com cabeças imensas" que circulavam às centenas pela cozinha da nossa casinha nova eram, na verdade, famintos exemplares do temido cupim de solo, sabia que tínhamos um problema, mas nem em sonho eu vislumbrei o tamanho daquele pepino. Tomamos a atitude óbvia e contatamos uma empresa de dedetização. Fomos informados do preço, da fúria da praga e, alegria, alegria, da solução: em uma tarde eles dedetizariam toda a casa e, três horas depois, poderíamos voltar tranquilos para baixo do nosso teto, livre dos cabeções. Ah, se a vida fosse um mar de rosas. O pior é que eu me lembro como fui enfática em relação ao nosso receio de entrar em contato com o veneno - eu tinha um filho de dois anos e estava grávida. Não queríamos correr riscos e por isso perguntei mil vezes se era realmente seguro voltar para casa no mesmo dia da dedetização. Diante de vários "Sem problemas, senhora", manda brasa.


Eu poderia gastar muitas linhas contando os detalhes, mas vamos economizar bits. Basta dizer que o forte cheiro de veneno podia ser sentido já da calçada, que todas as minhocas do nosso jardim morreram, que tive de ficar fora de casa durante dois dias e duas noites, que o cheiro em nossa cozinha durou quase uma semana, que os senhores dedetizadores desligaram nosso freezer, que continha carnes e outros alimentos (precisaram tirar tudo do lugar,  naturalmente), mas não o ligaram de volta - o que só descobri quando voltei para casa... 

Bom, quando tudo terminou, fiquei com saudades das dores de cabeça e comprei dois tapetes. Como estavam na promoção (uma barganha, realmente), pagamos à vista e esperamos. E esperamos. E esperamos mais. Até bem pouco tempo atrás eu ainda guardava na agenda do celular os telefones: da loja, da matriz, das filiais, da fábrica, da gerente, do vendedor, da vendedora, da chefia da fábrica, do fornecedor da matéria-prima... 

Agora tudo passou, nossa casa não tem cupim, o teto tem gesso, os quartos das crianças ficaram uma graça, o interruptor está no lugar devido e faço yoga na sala nova - só preciso enrolar o tapete que um dia, finalmente, foi entregue, e, para o relaxamento, fechar as cortinas que precisaram ser trocadas após a primeira entrega porque ficaram curtas. 

Com a casa em ordem, resta tempo para o meu marido fazer três ligações semanais para o SAC e a ouvidoria do banco que financiou nossa casa: a cada prestação paga, eles aumentam o valor do saldo devedor. Não é legal? Os dedetizadores que se cuidem, porque o pessoal do banco está de olho no Concurso.

_________________________
 

E vocês, transeuntes queridos? Alguma experiência infeliz com um servicinho mal prestado?

7 comentários:

IsabelaRosa disse...

Muitos, muitos, muitos serviços mal prestados, ainda mais quem construiu a sua casa, como foi o nosso caso.
Mas a melhor delas, a insuperável mesmo, foi do empreiteiro que fez o telhado.
Compramos uma tal tela térmica (baita cara), que afasta o calor, refletindo-o para bem longe.
No dia da instalação, perguntamos se havia alguma dúvida e tal, e ele disse solenemente: sem problemas dr., pode ficar tranquilo.
No fim do dia, pra verificar tivemos uma bela supresa: a tal manta térmica foi instalada ao contrário, ou seja, com a tal face refletora do calor pro lado de dentro....incrível não????!!!!
Essa foi a imbatível, mas tenho outras igualmente irritantes.
História de pedreiros é conosco mesmo!
Bjs,
Isabela e Richard

Anônimo disse...

Puxa, Rita! Que saga! E eu que achava que já tinha tido problemas com serviços. Nem quero lembrar. Depois de ler suas experiências e essa aí da Isabela, estou me sentindo quase feliz com os serviços que tive até aqui, apesar de o último eletricista ter conseguido queimar o telefone, aparelho de ar condicionado e modem, tudo de uma tacada só. Ah, sobre a dedetização, há mais ou menos dois anos encontramos o serviço perfeito. Uma de minhas alunos me passou o telefone do pessoal que dedetiza hospital. Eles usam um material diferente. Você pode entrar na casa duas horas após a aplicação. Uma maravilha. Problemas mesmo tive com os móveis do meu escritório, mas prefiro não falar a respeito do assunto. Ainda não superei.
abs

Nakereba

Angela disse...

Menina talvez va ter que convidar D. Glauce para passar por aqui. Ela tem uma colecao. Eu nao tenho muitas por que ate agora eu e Pete fizemos todos os trabalhos ao inves de contratar. Porem, sem tempo para muita coisa ultimamente, compramos uma porta dupla nova para a sala de jantar que da para o deck, Pete contratou um pessoal para expandir o sistema da agua, e estamos fazendo um quartinho de brinquedos. Tudo muito recente, porem a porta dupla, que so levaria tres semanas para chegar, agora vai levar seis. Se chegar mesmo, e a temperatura continuar a cair de acordo com a norma, ela vai ser instalada aos cinco graus. Mas pelo menos, acima de zero!

Claudia Serey Guerrero disse...

"Eletricista" que instalou tomada com alguma coisa invertida, queimou a placa-mãe de meu computador, em plena redação da tese :(... Mas como você disse Rita: "é assim"!!!! grrr :

Claudia

Rita disse...

Isabel, querida, tadinhos de vocês com o telhado ao contrário.. hehehe Quero saber das outras histórias depois...

Nakereba, quero saber também do escritório.. o que houve? Assim que superar, passa aqui pra contar!

Anginha, chama a D. Glace sim! Ela vai contar do cara do chuveiro que disse que uma de vocês tinha o braço curto!!! qua qua qua qua!! essa história é óootima!!!

Claudinha, se isso tivesse acontecido comigo, acho que teria surtado definitivamente... Se bem qeu todo mundo que escreve tese já anda meio surtado, ne? 'È assim mesmo'... ;-)

Bjs, pessoas! Obrigada pela visita.

Rita

Anônimo disse...

Oi Querida,
toda essa trapalhada que nós, moradores de Florianópolis, estamos sujeitos pode ser definada na imagem do "ALMIR". Vc conhece o personagem Almir do programa Pretinho Básico? Pois é, o PB resolveu dar um nome pra esse pessoal que presta um serviço de "1ª qualidade" em Florianópolis. Vc já deve ter ouvido na rádio, eles imitam direitinho o manezinho (como eu - rsss) dizendo: "Pode ficar tranquilo, querido, o trabalho vai ficar perfeito... "

Rita disse...

Oi, Rê!

Eheheheh.. vou prestar atenção da próxima vez que ouvir o PB - faz tempo que não ouço, às vezes me canso de tanto machismo.. mas vou conferir qualquer dia, sim. Almir, então, tá. Ah, você poderia ter narrado aqui a saga da sua escada... ;-) Beijos e obrigada pela visita! Venha mais vezes!!

 
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