Nove anos


Oi, pai.

Sabe aquele olhar que trocamos quando cheguei ao hospital onde você estava? Valeu muito mais do que eu seria capaz de dizer; tinha uma vida inteira não conversada ali. E eu queria que você soubesse que entendo. Talvez eu não saiba tudo, mas acho que li o suficiente nos seus olhos cansados pela brava luta que você travou naqueles meses para perceber que as formas de amor são infinitas. E torço muito para que você tenha percebido isso também. 

***

Vou cantar um pouquinho, uma música que você adorava. Não tenho o vozeirão do Nelson Gonçalves, mas acho que você nem vai se importar:

"Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele está doendo em mim"


___________

"E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."

                                                                                     Cecília Meireles

3 comentários:

Angela disse...

Linda homenagem.
Um grande abraco.

Anônimo disse...

Só um grande amor pode gerar uma saudade por nada preenchível, muito embora, depois de um tempo, acomodada, tolerável e ternamente nostálgica. Beijo, cunhada. Fica bem...

Anônimo disse...

Muito lindoooooooo!!!!
Nilma.

 
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