Parque dos dinossauros (e outros bichos)




O rei, segundo o Arthur 
 
Peço desculpas aos meus caríssimos leitores se me faço muito repetitiva às vezes, escrevendo posts e mais posts sobre meus filhos. Mas não há como negar - e nem concebo possível razão para tal - que atualmente eles formam o núcleo em torno do qual os outros fatores da minha vida se tornaram partículas flutuantes que tentam (e nem sempre conseguem) seguir o ritmo imposto pelo centro.
 
Esta estrada ainda não é mais que uma pequena trilha, sua paisagem ainda está longe de ser o que pretendo para ela, mas já percebo um de seus valores que a fazem tão preciosa para mim. E só lamento que os primeiros passos não tenham sido dados há mais tempo.
 
É que um blog assume por vezes ares daquele antigo diário que mantínhamos na gaveta quando criança e que, quando lido anos ou décadas depois, causa risos e vergonhas. Passado algum tempo, é bem possível que alguns textos deste blog pareçam patéticos, absurdos ou mal escritos (o que não impede que eles o sejam agora, para alguns leitores). Mas outros sempre justificarão o esforço despendido no registro porque me darão a chance de reviver experiências que a rotina e o tempo fazem parecer longínquos, quase esquecidos.
 
E quem tem filhos sabe que muitos dos momentos que gostaríamos de guardar para sempre na memória abundam todos os dias e, às vezes, acontecem ali no meio da correria, no trânsito, no almoço apressado, no banho rápido ou nos primeiros segundos do dia quando, ainda nem bem acordamos, já temos um serzinho descabelado nos oferecendo um urso de pelúcia. Não podemos nos culpar por detalhes que inexoravelmente se perderão no tempo. 
 
Então escrevo.
 
***
 
A Tia Fafá, uma das professoras do meu filho, conduziu um projeto riquíssimo nesse trimestre com os alunos dela, todos com 4 ou 5 anos de idade. Tudo gira em torno dos dinhossauros e meu filho virou um apaixonado pelo tema. Assim, eu, e provavelmente todas as mães dos coleguinhas de sala dele, temos ouvido coisas do tipo:
 
Ele - Sabia que braquiossauro significa lagarto com braços?
Eu - É mesmo, fiho? Que legal. Não, eu não sabia.
 ***
Ele - Sabia que tiranossauro rex quer dizer tirano rei, porque ele era o mais bravo deles?
Eu - Ah, é... tiranossauro rex... tirano rei, faz sentido. Bacana!
 ***
Eu - Olha, filho, esse tem um chifre aqui, parece o rinoceronte.
Ele (com cara de pouco caso) - É um tricerátopo, mãe.
Eu - Ah. Claro que é.
***
Eu (me achando) - olha filho, outro dinossauro. Esse não é o pterodáctilo?
Ele - Não, mãe, esse é um pterodonte. E ele não é um dinossauro.
Eu - Aaah... não? :-/
 ***
Ele (esquecendo os dinos, um pouco) - O urso é um quadrúpede.
Eu - É, sim.
Ele - O carro também.
Eu - Bem... não. Seria, se tivesse patas, mas carro tem rodas.
Ele - Ah... Mas a vó do Tito (nome fictício para preservar a identidade do coleguinha) é um quadrúpede.
Eu e o pai, rapidamente - !!! Hein?? Não, não, não, não é, não. Que história é essa?
Ele - É sim, o Tito falou.
Eu - Acho que ele se enganou filho, nenhuma pessoa é quadrúpede.
Ele - Hum.... tá bom. Mas ele falou.
Eu - Mas não é, filho, e você não repita isso de jeito nenhum, tá bom?
Ele - Tá bom. O cavalo também é um quadrúpede.
Eu - É, o cavalo é. (Suspiro)
 
Ufa.

2 comentários:

Angela disse...

Eh amiga, acho que essas memorias que estas escrevendo sao uma das coisas mais preciosas nessa vida. Desde que o Max nasceu queria registrar tantas delas, que devagarzinho vao se perdendo na memoria. Testa de mae (e pai) deveria ter uma camerazinha estilo terceiro olho... Quantas cenas, caras, e dialogos gostaria de guardar por toda a minha vida e JAMAIS esquecer... Sabes que no parto nos ensinam a ter um "lugar bom", que eh um lugar, pessoa ou memoria boa na qual recomendam nos concentrar, um auxilio para lidar com a dor. Durante os momentos mais dificeis do parto de Julia, eu me concentrava bem na lembranca das gargalhadas maiores que eu vi Max dar ate entao na sua vida, durante um banho, no qual Pete o atacava com a sua lagartixa de borracha e fazia uma vozinha engracada. Todas as vezes que precisei, recorri a essa memoria, que fez milagres! Poderosas essas alegrias que os filhos nos dao heim?

Adorei ler os dialogos com o Arthur. Nao canso nunca. Essa criancada hoje aprende tanta coisa cedinho heim? Max hoje trouxe uma "arte", e me explicou que era o planeta terra, aonde moramos, que o azul eram os oceanos e o verde a grama. Dai o papo se estendeu para outros planetas, aneis de saturno, os aneis dos outros planetas que cairam quando estavam brincando, como ele queria ir para outros planetas, expliquei que eram muito longe, ele falou que precisavamos entrar em uma nave ela nos levaria ate la. Tao simples... Como nao pensei nisso antes?

Rita disse...

:-)

E eu adoro quando você passa por aqui e nos brinda com as pequenas pérolas do Max também. E não vejo a hora de vê-los tagarelando a mil...
bjs..

 
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