Help! Qual a melhor escola para meus filhos?




Nas últimas semanas muito da energia minha e de Odisseus tem sido direcionada à difícil tarefa de escolher a escola de nossos filhos. O Arthur, 4 anos, frequenta a escolinha desde os cinco meses de idade. Amanda, hoje com 2 anos, também já passou por lá, mas precisou ser afastada pelos motivos explicados nesse outro post. Mesmo gostando da escola que tem feito parte de nossas vidas desde 2005, temos considerado mudar de ares por diversas razões. Mas se escolher com que roupa eu vou já é difícil (só às vezes), não ia ser a escolha da escola que ia ser fácil, right?

Vou tentar não fazer propaganda de nenhuma escola aqui ou, muito menos, denegrir a imagem de qualquer outra. Portanto, se isso ocorrer, saibam que se deu de forma absolutamente involuntária. Nada de nomes, então.

Tanto eu quanto Ulisses estudamos em escolas religiosas quando crianças. Tivemos experiências diferentes e nenhum trauma, lembro com carinho do colégio onde estudei boa parte de minha infância e sei que minha mãe, à época, fez a escolha que julgou melhor para mim. Maaaas eu gostaria de manter meus filhos em uma escola laica, simplesmente porque entendo que a doutrinação em escolas vinculadas a uma determinada linha de pensamento religioso é inevitável e pode, sim, limitar e moldar muito do rumo dado às discussões apresentadas em sala de aula ao longo da vida escolar, por exemplo.


Mas nada é assim tão simples e a ironia está no fato de que não sigo a religião católica (mesmo tendo sido aluna de inúmeras freiras) e o fato de ter estudado em um colégio católico pode, na verdade, ter contribuído para meu afastamento da religião. Era contradição demais bem na frente do meu nariz para que eu pudesse me identificar com aquilo. Então escolas religiosas não estão, necessariamente, sumariamente excluídas da nossa lista.



A linha pedagógica adotada pela escola tem, na verdade, um peso maior em nossas ponderações. Eu gostaria muito de fugir das linhas mais tradicionalistas e adotar uma escola em sintonia com os ideais construtivistas de desenvolvimento do pensamento investigativo e da transdisciplinaridade. E aqui vejo perigosas armadilhas. Não espero uma escola que aterrorise a vida de meus filhos com provas semanais e corridas à melhor nota, transformando o aprender a pensar em coadjuvante na busca pelo boletim cinco estrelas. Mas isso não é o mesmo que dizer que não espero que a escola o habilite a encarar o mundo competitivo (clichê, eu sei, mas nem por isso menos verdadeiro) que os espera na saída do colégio. E aí temo pelo preparo de escolas que se propõem a oferecer uma linha de ensino supermoderna e aversa aos rituais tradicionais de "tudo pela decoreba que gera boas notas", mas que talvez não estejam de fato preparadas para o grande desafio de conduzir um ensino transdisciplinar de qualidade. Sim, porque ensinar a pensar de forma globalizada e coordenada é um processo muito mais complexo do que simplesmente apresentar conceitos e fórmulas. E quando percebo que uma determinada escola peca na valorização de seus professores, fico em dúvida quanto ao seu compromisso com um ensino que tanto exige de seus profissionais.


And last, but not least, preocupamo-nos com a estrutura física onde nossos filhos passarão boa parte de seus dias. Evidentemente, não matricularíamos nossos filhos em uma escola medíocre simplesmente por ela ter instalações excelentes. Mas a idéia de que eles não terão acesso a uma boa biblioteca ou a um pátio decente, em um ambiente agradável que os façam querer estar ali, acaba também entrando na já complicada equação.




Bom, podemos dizer que o funil nos levou a duas ou três opções relativamente satisfatórias, mas nenhuma delas, honestamente, assemelha-se à escola que idealizei para eles. Mas talvez o problema esteja comigo porque ando suspeitando seriamente que essa tal escola da minha cabeça não existe. Vejamos: instalações confortáveis e cem por cento seguras, bibliotecas bem equipadas que nos fazem querer ficar lá dentro (como fazia a do meu colégio...), linha de ensino transdisciplinar, investigativa, crítica, formadora de cabeças pensantes e questionadoras, aversa à manutenção de preconceitos e totalmente comprometida com a conscientização de que o mundo precisa da união de forças e não de discriminação de qualquer natureza - bem administrada para que eu não receba a lista de material escolar errada no início do ano, ou coisas do gênero (aconteceu, tudo bem, perdoei), equipe de professores supervalorizada com acesso a reciclagem e aprimoramento constantes, laica e com ensino bilíngue. Ah, e perto de casa, falei? E nem vamos falar que ela deveria ser pública e gratuita porque aí esse post nunca terá fim.

Insights, por favor! Thanks.

7 comentários:

IsabelaRosa disse...

Querida Rita,
Realmente passamos aqui os mesmos questionamentos que muito bem escreveste neste post.
E também já deste a conclusão que eu também cheguei: "talvez o problema esteja comigo porque ando suspeitando seriamente que essa tal escola da minha cabeça não existe".
Mas, apesar de concordar, acrescento o seguinte, para ficar perfeito: a melhor escola é exatamente aquela em que aprendi a crescer, um lugar onde fui feliz e que permaneço com magníficas lembranças em minha memória, um lugar onde as fórmulas matemáticas me foram apresentadas não como números, mas como meios de resolução de problemas, onde a língua portuguesa não era apenas um aglomerado de regras gramaticais, mas a forma como eu poderia me expressar no mundo, um lugar onde as ciências me encantavam, me faziam refletir e repensar meu planeta, um lugar onde eu entrava e saía com um belo sorriso, à espera dos meus pais, para, no outro dia, recomeçar....simples assim.
Tenho certeza que todos queremos acertar e estamos imbuídos nesta incrível tarefa ingrata (pois não se pode acertar sempre), mas a verdade crua é que apenas o tempo pode dizer se acertamos ou não. Temos é que ficar alertas, o tempo todo, tal como os escoteiros!
Grande beijo,
Isabela

Ana disse...

Oi Rita!
Quando se trata dos nossos filhos toda preocupacao por menor que seja torna-se algo monstruoso. Esse negocio de escola eh algo q sem duvida tira o sono e mexe muito com a gente.
Acho q nos como maes corujas temos uma certa ansiedade quando temos q decidir algo p/ os filhos, o medo de errar eh grande e a gente fica ponderando tudo nos minimos detalhes p/ tentar acertar no maximo q puder, nao eh mesmo?!
Quando eu tive q procurar escolinha p/ o Matheus pequenininho eu fiquei literalmente nos nervos, um medo danado de colocar ele num lugar em q ele nao ficasse feliz.
Agora, ja na segunda serie, ele vai a escola que eh "assigned" p/ o nosso condominio. Infelizmente por aqui a gente nao tem muita escolha, a menos q a escolha seja uma escola particular (leia-se $$$)
As vezes eu penso se devia mudar Matheus de escola, esforcar um pouco daqui, apertar um tanto de la e tentar uma escola particular... acho q essa inseguranca e medo de mae vai estar sempre junto comigo, seja la qual for a decisao.
Nessas horas q eu paro, respiro fundo e tento ser o mais sensata possivel, lembrando comiga mesma q ninguem eh perfeito e errar eh tao humano quanto ser uma boa mae -e uma boa mae nao precisa ser perfeita!
Beijos!
Ana

Ps: adoro seu blog Rita!

Márcia disse...

Querida Rita,

Como toda mãe, também já passei por isso. Meu filho entrou na escola com 1 ano e meio e somente agora, com 10 anos e meio eu sinto que achei uma escola onde o deixaria até a faculdade, se...
(tem sempre um se, sabia???)
então vamos lá: se não custasse tão caro e não fosse na cidade errada.
Queria mudar de cidade, mas a escola está aqui.
E agora José?

Meu conselho para você:
Escolha uma escola que seja fisicamente agradável e cuja diretora pense como você. Mesmo que ela ainda não tenha realizado suas intenções, saiba se a linha de pensamento dela combina com a sua. E pronto. Tudo vai dar certo.
Perfeição não existe.

Beijo.

Nakereba disse...

Já te disse mais ou menos o que penso sobre isso aquele dia. Acrescento aqui que: a melhor escola para seus filhos é a sua casa e os modelos que você estabelece para eles. Além disso, a sociedade encontra-se em fase de transição e as escolas atuais não têm como preparar ninguém para o que está por vir. O máximo que elas podem fazer (e seria fantástico se conseguissem) é ensinar as crianças a ler e interpretar bem, desenvolver o raciocínio crítico, fazer perguntas relevantes e criar novas soluções. Tudo isso em um ambiente que promova o desenvolvimento da auto-estima. A forma como isso vai ser feito difere muito de escola para escola, pois não há um só caminho para chegar lá. Depende de uma série de fatores (ambiente, personalidade do aprendiz,etc.). Não se deixe enganar por aparências:lousa digital, salas computadorizadas, etc. Isso é importante, mas de que adiante tudo isso se os seres que os manipulam pensam "tradicionalmente"?
A quantidade de informação disponível hoje em dia é muito grande e será cada vez mais necessário sabermos priorizar. Para isso, os cidadãos do futuro precisarão, cada vez mais, saber fazer perguntas.
Concordo com a Márcia: Perfeição não existe. Na maioria das vezes temos que escolher "the lesser of evils". Volto depois pra opinar mais...

Rita disse...

Gente, obrigada pelos comentários valorosos. Estou lendo e anotando tudo... vamos em frente. Que venha mais.
Bjs,
Rita

Angela disse...

Achei uma delicia tanto o seu post quanto os comentarios. Gente concordei com todo o mundo! A melhor escola "eh um lugar onde fui feliz", "cuja diretora pense como você", "não se deixe enganar por aparências:lousa digital, salas computadorizadas, etc.!!!" Aqui praticamente escolhi a escola das criancas ha mais de cinco anos quando compramos nossa casa. Resolvemos morar por essa area, aonde se encontra a melhor escola publica da cidade, melhor ate do que as escolas particulares. Para manter esse alto padrao, os impostos dos moradores dessa area sao muitissimo altos, o que afasta muitas pessoas a comprar propriedade aqui. Porem, eu e Pete resolvemos que esse alto imposto seria equivalente as mensalidade de uma escola privada que provavelmente iriamos pagar se morassemos em outra area. Entao viemos para ca. Daqui ha 2 anos Max vai finalmente poder ir para a escola e usufruir finalmente da dita cuja. Quanto a pre escola tambem foi super facil. Muitos dos pais que conheco e que pensam como eu, alem da propria pediatra de Max e Julia, indicaram essa by far! Ela eh pequenininha, cara e dificil de ter vaga. A diretora eh a melhor educadora que ja conheci na minha vida, e olhe que tive a sorte de ter conhecido muitos "dos bons". As instalacoes sao otimas mas nada de designs super modernos, eh simples e decorada ate a garganta com projetos mirabolantes das criancas. Eh transdisciplinar, full of diversity, e focada justamente a desenvolver a mente e realmente educar. Eu e Pete simplesmente amamos cada minuto que passamos la. A escola eh tao boa que fico emocionada. Hoje fui pegar Max, e na saida Ms. Connie (diretora) estava na porta da diretoria, que fica ao lado da saida, dando adeus a cada aluninho, um a um, como faz todos os dias. Devido a gripe suina, ela se despediu e "bowed" para Max estilo Japones (ao inves do usual aperto de mao). Max bowed to her e saimos, eu com os olhos cheios de lagrima. Nossa... QUE SORTE!!!!!

kaka disse...

A utopia é tão complexa.

 
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