Todos perdidos

DISCLAIMER: Se você é fã de Lost e ainda não assistiu à 5ª temporada, talvez não deva ler este post. Ou talvez não faça a menor diferença: sabe como é que é Lost.


Acho que me viciei em Lost lááá na primeira temporada. Era 2004, se não me falha a memória, e àquela época eu assistia aos capítulos empolgadíssima, acreditando até a última cena que as explicações para as curvas esquisitas do enredo surgiriam a qualquer momento. Não era nenhum sacrifício, obviamente, considerando que a série tem excelente produção e ótimos atores. E a coisa estava apenas começando, portanto era normal que perguntas sem respostas fossem apresentadas ao público. E eu já falei aqui que gosto de quebra-cabeças, né? Pois é.

As temporadas se multiplicaram e lá pela terceira passei a temer pelo andar da carruagem. Comecei a sentir um certo desconforto diante dos mistérios que, ao invés de esclarecidos, eram abandonados e substituídos por novos – cada vez mais mirabolantes. Comecei a suspeitar, como muita gente, que o título da série tinha a ver também com os produtores que, àquelas alturas, não sabiam muito bem onde ficava a saída do labirinto que tinham criado. Sem falar nas personagens que vinham, iam e nada diziam, deixando no ar uma desconfortável sensação de linguiças enchidas às custas da nossa curiosidade. Considero uma pena que um dos exemplos mais gritantes desses furos tenha ficado por conta da participação do brasileiro Rodrigo Santoro: sua personagem acrescentou tanto à trama quanto eu acrescentei às pesquisas em física quântica, sabe como é que é?

À certa altura desisti de tentar seguir as “pistas” e entender alguma coisa e fui perdendo o interesse pela bagunça, digo, trama. É bem verdade que a diminuição do tesão teve outras causas, como falta de tempo para sentar e assistir aos capítulos em um só fôlego – prefiro alugar as temporadas na locadora porque esperar uma semana pelo próximo capítulo me dá sono.

Mas eis que me pego de férias e com a 5ª temporada na mão. E cá estou viciada de novo. Mas agora é um pouco diferente: assisto sem esperanças de que algo faça sentido e curto o prazer de ver uma série bem produzida com personagens que reconheço como se fossem da família (afinal já faz quase cinco anos que tento entender a vida desse povo).

Se o leitor acompanha o Lost do Crioulo Doido, já sabe que o enredo agora gira em torno de viagens no tempo – um tema sempre fascinante – e que Richard não envelhece, Desmond é imune aos efeitos da ilha misteriosa e o monstro de fumaça é um sistema de defesa da ilha. Sawyer continua desbocado, Kate e Jack continuam chovendo sem molhar e a prova de que Jin não morreu é a mesma que atesta que ele, de fato, bateu as botas. Ah, e John Locke ressuscitou, claro. Doido demais? Imagina! A ilha onde aviões despencam se “desaloja” no tempo cada vez que... cada vez que o quê mesmo? Bom, para sair da ilha é fácil: basta alguém mover um gigantesco timão cravado numa rocha subterrânea... Ah, e eu lá na primeira temporada tentando entender uma sequência de números qualquer, lembram?

Bom, é quase desnecessário dizer que posso estar entendendo tudo errado, mas você também, não se engane. E acho que isso é uma coisa boa: cada um assiste e “entende” do jeito que quiser. Assim, todo mundo se diverte enquanto quem estar na ilha quer sair, quem conseguiu sair quis voltar e quem começa a assistir não quer mais parar.

Vou lá me confundir mais um pouquinho, estou de férias.

3 comentários:

racheldacosta disse...

Rita, eu amo o lost. Qdo Victor nacseu e não dormia no berço, so no meu colo, eu assisti a tres box de lost inteirinho, so no primeiro mes de vida dele.
Aproveita o lost e as ferias.
beijos

Anônimo disse...

Alô, garota:

bons dias... enfim cheguei ao seu blog. E eu que morro de preguiça de olhar blog, fui lendo as coisas - depoimentos, comentários, reflexões - e ficando encantado com seu estilo - sempre ágil, direto ao ponto, como a moça que conheci há mais de 15 anos. Tou aqui na mesma sala, e me bate uma saudade de você, da Rejane, da Mirella, do Nildo, da Vera (que encontrei ontem no supermercado) e de tantos outros e outras. Dizia o narrador de Grandes Sertões: "toda saudade é uma espécie de velhice" Mas a saudade não me deixa triste. Às vezes até me alegra. Há uma vocação literária nestas crônicas - se é que assim posso falar. Não tem nenhuma foto sua, para eu ver seu rosto, seus meninos... (ou se tem, eu não achei...) Estão chegando umas pessoas para uma reunião sobre um livro. Foi muito bom ver seu blog. Tem muita coisa que não deu tempo de lê. Mas vou voltar.
Grande abraço,

Hélder

Rita disse...

Helder,

já te disse por e-mail e repito aqui: você nem imagina como sua visita me deixou feliz. Todo mundo tem um professor que guarda num lugarzinho especial da memória e você tem seu posto intocado na minha desde a primeira aula de Teoria Literária. É claro que depois você também migrou para o campo dos amigos! Bom, seja como amigo, seja como crítico (ui, que medo!), apareça sempre, a estrada é sua!
Um grande abraço,

Rita

 
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