Nunca é tarde: como eu sucumbi ao poder de O Senhor dos Anéis



Precious...
Demorou um pouco. Oito anos, se considerarmos o lançamento de A Sociedade do Anel. Um pouco menos, seis anos, se considerarmos o lançamento de O Retorno do Rei. Mas eu finalmente sucumbi e assisti à trilogia mais premiada da história do cinema e me rendi aos encantos da leitura que o diretor Peter Jackson fez da obra-prima de Tolkien. Vejam bem: estou chamando a obra de Tolkien, que ainda nem li, de “obra-prima”. Preciso dizer se gostei dos filmes?
Não foi por falta de convites: meu marido é fã incondicional de O Senhor dos Anéis e sempre me convida para acompanhá-lo nas sessões com que ele se presenteia de tempos em tempos, naquelas noites em que não há nada na TV a cabo que valha a energia que mantém a TV ligada. Eu sempre agradeço e rapidamente desconverso, agarro um livro, corto as unhas, ligo o micro ou simplesmente viro e durmo. Mas não, obrigada, O Senhor dos Anéis não. Desenvolvi uma espécie de aversão à história na época em que o livro virou febre e 10 entre 10 amigos passavam dias agarrados a ele. A aversão virou quase repulsa quando uma amiga tentou me convencer de que eu tinha de passar “para o lado dos que tinham lido” O Senhor dos Anéis... como é que é? Aí virou birra. Não leio, não leio, não leio. É bem possível que eu tenha até batido o pé.
Mas sabe como são as birras. Se ninguém der atenção, elas passam. O mundo seguiu, eu permaneci do lado dos que não tinham lido. Certo dia, quando juntei os trapinhos com o meu digníssimo, chegou aquela boa hora de juntar também os livros e conferir deliciados o que estávamos herdando, bem no estilo “olha, sempre quis ter esse livro!”.  Escolhemos para onde iam as figurinhas repetidas (Cem Anos de Solidão, As Brumas de Avalon...) e, pouco a pouco, fomos escolhendo o que ler naquela biblioteca recém-casada. E lá estava uma edição de O Senhor dos Anéis. E lá está ela até hoje. Lida e guardada com carinho por ele, ignorada com um certo desdém por mim. Nunca cogitei folheá-la, nem quando tiro o pó.
Até que na semana passada, uma pequena aposta caseira absolutamente insignificante (tanto que nem consigo mais lembrar o que apostei) resultou em uma promessa de acompanhá-lo na sessão do mês. Tá bom, tá bom, mas não reclame se eu dormir no meio do primeiro filme. Humpf. Pronto. Aí aconteceu.





Seguiram-se uma tarde e duas noites em que fomos dormir entre duas e três da manhã, ele revendo as falas que sabe de cor, eu me iniciando no fantástico mundo dos hobbits e elfos. E fui assistindo e me deixando seduzir – igualzinho a cada um dos personagens que punha os olhos no precious. E fui gostando da fotografia, do olhar de Gandalf, da alegria ingênua do condado dos hobbits, disso, daquilo... gostei de tudo. Do texto lindo – como não ler o livro agora? – das atuações, dos efeitos, dos cenários, dos figurinos, da história – que linda alegoria da pobre condição humana diante das tentações e seduções do poder! – e até das batalhas que me levaram a morder almofadas e vibrar aliviada com as flechadas certeiras de Légolas. E o que dizer da investida fatal das árvores da Floresta de Fangorn contra a torre de Saruman? Yesss!! E Ulisses ria, o riso do "eu não disse"... E claro que me emocionei quando o rei coroado se ajoelha diante de toda a grandeza dos pequenos hobbits: My friends, you bow to no one. Chuif! Lindo...
Agora nada mais me resta a não ser ler o livro. Entrou na fila, vamos ver quando a rotina permite. Já estou ansiosa, pronto, confessei. Quero ler, quero muito ler.



 Daqui a pouco, daqui a pouco...
O juízo não me permite indicar a leitura de um livro que ainda não li, mas indico a trilogia do cinema, caso você ainda tenha resistido por qualquer que seja a razão. Assista. Não porque seja necessário, não. Simplesmente porque é uma obra de arte.
Obrigada, meu amor. Pode chamar de novo, sou parceira. 

6 comentários:

Angela disse...

O bom mesmo amiga, eh se abrir para a vida! Provar de tudo um pouco, e so dizer nao ao que ja tiver experimentado e realmente nao tiver gostado. Eu provo, e se tiver gostar, gosto do que eh seletivo, do que eh do povao, do que "tickles my brain", do que eh profundo e me consome por dias, do que eh leve, passageiro, quase instantaneo. Musica, livros, filmes, pessoas, lugares, habitos, dancas... Ate a uma novela assisti esse ano, depois de velha! Bom com força eh o detachment dos conceitos e preconceitos. Se for modismo, e dai? (Ser contra modismos tambem eh um modismo. E agora?). Pra mim so nao vale fazer o mau, o resto vale tudo... Bom mesmo eh ser feliz!
Beijao e parabens por ter se aberto a mais essa experiencia!
p.s.: quanto ao Senhor dos Aneis, ja faz um tempo mas vi, me deliciei e me encantei! Gostoso, nao eh?

Claudia Serey Guerrero disse...

Gelinha sera que lembras? eu estava na tua casa e me oferecestes NEGRESCO, eu disse: não gosto.. você disse: COMA 4... ai comi 4, adorei e adoro ate agora, muitas coisas comigo ainda são assim, preciso provar um pouquinho mais para sentir o verdadeiro gostinho :) beijinhos, Claudia

racheldacosta disse...

Nossa como somos parecidas...kkkk Tb tinha aversão a estes livros até que veio o primeiro filme e me lembro como se fosse hj, eu namorando Hugues e ele todo encantado em me levar ao cinema para assistir ao que ele chamava de melhor leitura da vida dele. Fomos nós e mais alguns amigos até Blumenau para assistir em um cinema ''bom''. Vi e amei tb! Depois desta vez já vi inumeras vezes todos os filmes. Hellen ama de paixão tudo o que diz respeito a este assunto, igualzinho ao pai, para orgulho dele. Ela sempre pede pra assistir aos filme e fica triste qdo dizemos que estão todos nas caixas da mudança.
Como foi o aniversário da Amanda? Que findi lindo que deu né? Pena não pudemos nos ver.
Beijos

Rita disse...

Sensatas palavras Anginha, bem no seu estilo. :-) Claudinha, método bom esse, hein? Coma 4!! Depois de comer 4, a pessoa gosta pelo hábito... eheheh
Rachel, o fim de semana foi dominado pela amigdalite do Arthur. O aniversário da Amanda foi ótimo, mas não houve festa. Apenas comemos um bolo em sua homenagem.

Obrigada pelas caminhadas nesta Estrada, meninas.

Andreia disse...

Perca o juizo e indique... é uma flechada de Legolas certeira no coração. O livro vai encanta-la ainda mais do que os filmes, como de resto normalmente acontece. Bem vinda a Terra Media. BJS

Anônimo disse...

Ritinha, eu li no dia que que tu publicou! Mas essa última semana foi um horror, ainda bem que acabou e que daqui a dois dias estarei de férias...
Enfim, seja bem vinda à família tolkeniana!
Sou muito agradecida aos produtores da trilogia por terem nos feito ficar de bunda quadrada em três longuíssimas oportunidades.
Eles conseguiram não estragar a estória, apesar das várias subtrações e algumas inserções.
Me lembro bem da ansiedade pelo aguardo das sequências se misturar com outras ansiedades de minha saga pessoal: o primeiro filme assisti em Floripa quando fui para lá para fazer a primeira prova do nosso concurso... o segundo foi de novo em Floripa, relaxando antes de ir para Brasília (lembra Ritinha? já nos comunicavamos naquela época, até fui à praia contigo e alguns amigos seus!) e o terceiro e derradeiro assisti ainda em Foz do Iguaçú, pouco antes de mudar par Itajaí... hehehe, faz tempão!
Tu chegou a assistir os extras dos dvds? Eles têm alguns documentários bem interessantes, até análises psicológicas sobre a mitologia, achei muito legal.
Bjk,
Sara

 
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