Um dia qualquer

Nossa guerreira, cruzando um obstáculo simples.

Há exatamente um ano tivemos de internar nossa filhota em um hospital infantil por causa de uma forte pneumonia. Foi, sem dúvida alguma, o pior dia de nossas vidas. Falo por mim e por meu marido, que viveu junto comigo as horas de terror passadas entre um corredor horroroso e uma enfermaria. Não havia vagas disponíveis em quartos exclusivos, indiferente ao que pagamos pelo plano de saúde, e não havia qualquer outra opção de internação em nossa cidade, portanto enfrentamos o corredor e a enfermaria. Devo dizer que estes não eram nem de longe os piores componentes daquele dia que ainda nos apresentaria a seringas e choros dilacerantes. Não vou entrar em detalhes porque cada lembrança daquela agonia ainda me revira o estômago. Registro, sim, que uma semana depois voltamos para casa. Cachinhos Dourados tinha os pulmõezinhos bombardeados por antibióticos e um rostinho sereno. Nós tínhamos corações aliviados, apesar de ainda abalados com o susto que nos arrebatara sete dias antes.

Hoje pela manhã tomei café na companhia preciosa de minha pequena, enquanto o papai arrancava nosso outro filho da cama para levá-lo à natação. Nossos cafés da manhã são normalmente tomados em meio à correria do início do dia e, não raro, engolimos uma fruta enquanto lavamos outra para um filho, devoramos meio sanduíche enquanto fazemos outro para outro filho. Mas hoje, enquanto ela brincava com o copo de iogurte e mirava distraída as plantas pela janela da cozinha, mergulhei em seus lindos olhos e esqueci a hora, o trânsito, a correria. Observei seu rostinho bochechudo emoldurado por seus cabelos deliciosamente bagunçados e me senti tão infinitamente feliz por esses trezentos e tantos dias que me separam daqueles dolorosos momentos que resolvi comemorar.

Então passei o dia comemorando. Não, não fiz nada assim tão diferente. Trabalhei, fui aqui, fui ali, li meus e-mails, naveguei pela web, tudo normalzinho. Apenas reverenciei, internamente, a alegria de se viver um dia qualquer, mesmo que nada de grandioso aconteça, mesmo que simplesmente acrescentemos mais um pontinho à nossa rotineira estrada. E lembrei o tempo todo como é maravilhoso olhar ao redor e ter a sensação de que hoje nossa vidinha está deliciosamente ordinária.
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Mas vocês pensam que ficou por isso mesmo? Que nada! Outras coisas boas insistiram em aparecer para enfeitar a estrada: hoje conheci o João Vitor (v. O melhor da vida)! Babem, babem, é fofo sim. E, de quebra, celebrei em meus pensamentos os aniversários de duas amigas queridas, o que sempre enfeita qualquer dia: Marcinha e Carol, que essa segunda-feira tenha tido coloridos tons de sábados para vocês. Um grande abraço!!


Para todas as comemorações, um bolo simples.


8 comentários:

racheldacosta disse...

Rita, nunca passei por nenhuma doença grave nos meus filhos e de vez enquando, me lembro de agradecer a Deus pela saúde deles. AS vezes me pego falando pra mim mesma, que as peratilces de Victor são sinais de saúde...rs
Desejo muita saúde os nossos filhos, sempre.
O bolo foi vc quem fez?

Angela disse...

De vez em quando, a correria do dia a dia comeca a me empacar, do trabalho no trabalho para o trabalho em casa, e eh ai que sempre lembro de como eh bom a mesmice, sinal de que nao ha nada de ruim acontecendo nao eh? E viva a saude dessa criancada. Nao ha nada melhor na vida e espero que continuamos a poder celebrar esse privilegio. Viva! (p.s. hoje eh mesmo o dia das fortes :) )

Anônimo disse...

Querida amiga Rita!

Muito obrigada pela lembranca e por todo o carinho contido em sua mensagem.
De um beijo na Carol por mim, ela e um doce.
Guarde um pedaco deste bolo delicioso para mim pois estou chegando em Floripa no fim do ano.

Beijo,
Marcia modelo 4.1

Anônimo disse...

Oi Rita,
Vc sempre me emociona com seus textos, esse está lindo demais... Realmente, depois que se passa por algum tipo de dificuldade ou doença com um filho é que a gente dá valor à grandeza e à riqueza de um dia simples, cotidiano, rotineiro, como é bom... Obrigada pela lembrança, parabéns pra Marcinha pelo aniversário, pra pequena Cachinhos, pela bravura com que se portou naquele momento de crise e para os papais maravilhosos que vcs são, pessoas admiráveis!!!
Mil beijos,Carol

Anônimo disse...

Só agora parei para escrever, e mesmo assim ainda não sei o que falar (complicado heim!?)... Sei exatamente Rita o significado de suas palavras em virtude de ter vivido algo semelhante a poucos dias. Como você sabe minha pequena ficou internada, menos pior pois foram 3 dias, 3 longos e intermináveis dias... Quando vi minha pequena, numa cama, tomando soro, etc, etc. tudo o que desejava era que ela voltasse para casa e não parasse 1 só minuto, que é o normal dela. Lembrava que muitas vezes eu já cansada, e ela não parava de pular, de correr, de subir,... e eu querendo parar 1 min, e ela nada. Daí agora, após a internação, e graças a Deus ela está a 1.000/hora, quando mais ela pula, quanto mais ela corre, quanto mais ela sobe/desce, mais eu fico feliz e desejo que ela continue assim, a 1.000/hora.
Se fico cansada o problema está é comigo, não é mesmo!? então, eu que sou uma sedentária, estou procurando alguma atividade física para poder continuar a acompanhar minha filha, meu tesouro, no pique que ela merece!
Beijos para nós e para nossas bençãos, nossas(os) filhas (os),
Ju

Anônimo disse...

Lindo texto, Rita, como sempre!Grande bj, saudades,
Isabela

mila disse...

O amiga,
Sei bem o que passastes!E tudo verdade,ne? Essa rotina, esses 'ordinary' days tem mesmo que ser reverenciados... Muita saude pros nossos filhotes! Minha Maya fez 2 aninhos na segunda tambem!
bjs,Mila

Rita disse...

Oba, mais comemorações!! Happy Birthday, little Maya!!
Muito obrigada por todos os comentários e por todas as caminhadas por nossa estrada. Beijos a todas vocês!!

 
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